O NEO-EURASIANISMO COMO CATALISADOR DE UMA ORDEM MUNDIAL MULTIPOLAR

Autores

  • ROBERTO NARCISO ANDRADE FERNANDES https://orcid.org/0000-0002-3649-8694

DOI:

https://doi.org/10.26619/1647-7251.17.1.7

Palavras-chave:

Desinformação, Neo-Eurasianismo, Geopolítica, Rússia, Segurança internacional

Resumo

Esta investigação analisa a influência do neo-eurasianismo na formulação da política externa russa e o seu impacto nas dinâmicas geopolíticas contemporâneas. Inspirado no pensamento de Alexander Dugin, este paradigma propõe uma liderança russa no espaço euro-asiático como alternativa ao modelo liberal ocidental, promovendo uma reconfiguração hierárquica das relações internacionais. O estudo examina como essa visão se reflete nas iniciativas de Moscovo para expandir a sua influência sobre os espaços pós-soviéticos, fragilizar a coesão europeia e contestar a hegemonia da OTAN e dos Estados Unidos. A análise evidencia a perplexidade da resposta internacional perante o uso simultâneo de hard power, netwar e desinformação pela Rússia, bem como as limitações da reação europeia, marcada por falta de coesão e dependência estratégica. Conclui-se que o neo-eurasianismo funciona como matriz ideológica legitimadora de uma política externa russa revisionista, que combina capacidades convencionais e não convencionais para contestar os fundamentos institucionais da ordem internacional liberal baseada em regras. A assimetria entre a coesão discursiva russa e a fragmentação da resposta europeia evidencia a necessidade de uma estratégia de contra narrativa e reforço de capacidades híbridas no plano europeu.

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Biografia Autor

ROBERTO NARCISO ANDRADE FERNANDES, https://orcid.org/0000-0002-3649-8694

Superintendente da Polícia de Segurança Pública (Portugal) e titular do doutoramento em Relações Internacionais: Geopolítica e Geoeconomia (Universidade Autónoma de Lisboa). Licenciado em Ciências Policiais pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), detém diversas pós-graduações em Direito Regional (Universidade da Madeira), Medicina Legal e Proteção de Menores (Universidade de Coimbra). Possui ainda várias especializações em matéria policial, de segurança e de defesa. Desde 2025, exerce funções como assessor sénior do ISCPSI e coordena o Programa de Pós-Graduação em Direção e Estratégia Policial (CDEP). É professor no ISCPSI e investigador integrado no Centro de Investigação do ISCPSI (ICPOL), no Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS) e no Instituto Brasileiro de Segurança Pública (IBSP). Integra os Conselhos Editoriais da Revista Científica do IBSP e do European Law Enforcement Research Bulletin, figurando como perito e formador externo da CEPOL e da COST. Entre 2019 e 2023, foi diretor do ICPOL, período em que relançou a Politeia – Revista Portuguesa de Ciências Policiais e representou Portugal na CEPOL enquanto correspondente nacional para a investigação e a ciência. Ao longo dos seus mais de 30 anos de carreira, desempenhou funções como Chefe da Área Operacional de Comando Regional, Chefe da Área de Apoio de Comando Regional, Comandante de Divisões Policiais (de competência genérica), Comandante da Divisão de Investigação Criminal e Comandante de Esquadra (destacada). | CIÊNCIA ID: 7A17-C4C6-519E

Publicado

2026-05-04

Edição

Secção

ARTIGOS