AMÍLCAR CABRAL AND THE POLITICS OF MEMORY IN POST-INDEPENDENCE GUINEA-BISSAU AND CABO VERDE
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0726.11Palavras-chave:
Amílcar Cabral, Políticas da Memória, Formação do Estado, Cabo Verde, Guiné-BissauResumo
Este artigo examina o modo como o legado de Amílcar Cabral tem sido construído, disputado e reconfigurado na Guiné-Bissau e em Cabo Verde desde as independências. Através da análise de monumentos, comemorações oficiais, discursos políticos, debates públicos e mobilizações juvenis e artísticas, situa a figura de Cabral em processos mais amplos de construção nacional, legitimação política e narração histórica. Questiona-se por que razão a memorialização de uma mesma figura fundadora assumiu formas tão distintas nos dois países nascidos da luta que ele liderou, relacionando estas trajetórias com as conjunturas internacionais – alinhamentos da Guerra Fria, ajustamento estrutural, democratização – que moldaram a formação do Estado em ambos os países. O artigo defende que Cabral funciona como referência mnemónica central através da qual os atores estatais legitimam a sua autoridade e moldam narrativas de unidade, ao passo que as gerações mais novas e certos segmentos da diáspora reativam o seu legado como linguagem de crítica em contextos marcados pela instabilidade política, pela reforma neoliberal e pela desigualdade social. Longe de erodirem o seu estatuto simbólico, estas apropriações concorrentes reafirmam a relevância duradoura de Cabral enquanto quadro político vivo a partir do qual atores contemporâneos formulam reivindicações de justiça social, responsabilização democrática e futuros alternativos.
