PORTUGUESE OR NOT PORTUGUESE: THE QUESTION BETWEEN AMÍLCAR CABRAL AND PAULO FREIRE AND ITS LESSONS FOR THE TIMORESE BROTHERS
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0726.5Palavras-chave:
Amílcar Cabral, Paulo Freire, campanha de alfabetização popular, língua de instrução, língua portuguesa nas ex-colóniasResumo
Este estudo analisa o programa de alfabetização de Paulo Freire nos países africanos de língua portuguesa, com particular atenção à escolha da língua de instrução. O seu foco central reside no dilema linguístico decorrente das posições divergentes de Amílcar Cabral e Paulo Freire relativamente à alfabetização em português nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Por razões políticas, Cabral considerava a língua portuguesa uma “dádiva” e um elemento de unificação entre os diversos grupos étnicos e linguísticos, posição que Freire interpretava como um condicionamento da sua intervenção educativa. Freire defendia a alfabetização em crioulo, argumentando que a utilização exclusiva do português reproduzia o caráter elitista do sistema educativo, uma vez que se tratava de uma língua dissociada das práticas sociais e culturais das populações. Seguindo a abordagem qualitativa de análise documental proposta por Bowen (2009), baseada nas etapas de exame preliminar, leitura aprofundada e interpretação, este artigo analisa o único ponto de divergência entre o pensamento de Cabral e o programa de alfabetização de Freire: o uso da língua do colonizador na educação emancipatória e as implicações deste debate para as políticas linguísticas em Timor-Leste. Ao comparar essa experiência com o caso posterior da independência timorense, em que o tétum adquiriu estatuto de língua cooficial e foi utilizado em programas de alfabetização, o artigo evidencia uma política linguística mais aberta e inclusiva, embora igualmente marcada por novos dilemas e desafios.
