EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ALDEIA INDÍGENA KA’APOR (ZÉ GURUPI): SENSIBILIZAÇÃO E PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0526.9Palavras-chave:
Educação Ambiental, Povos Indígenas, Território, Resíduos Sólidos, InterculturalidadeResumo
Este artigo relata e analisa uma experiência de Educação Ambiental desenvolvida na aldeia indígena Ka’apor Zé Gurupi, no Maranhão, Brasil, com estudantes do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), professores e lideranças comunitárias. A atividade teve como objetivo promover sensibilização ambiental e estimular práticas sustentáveis vinculadas ao território, à escola e à vida comunitária. O estudo caracteriza-se como relato de experiência, de abordagem qualitativa, sistematizado a partir de registros fotográficos, audiovisuais e anotações de campo. A intervenção foi organizada em três momentos: aula expositiva-dialogada e prática de plantio de sementes de açaí e outras espécies; caminhada diagnóstica pela aldeia para observação das condições ambientais; e palestra com lideranças seguida de mutirão de coleta de resíduos. Os resultados indicaram que as atividades favoreceram a aproximação entre conteúdos escolares, saberes locais e práticas concretas de cuidado com o território. A presença do cacique e de lideranças reforçou a dimensão coletiva, política e cultural da ação. A experiência também evidenciou que os resíduos sólidos presentes em territórios indígenas não podem ser compreendidos apenas como problema comportamental, mas como expressão de processos mais amplos de consumo, colonialidade, pressão territorial e inserção desigual de produtos industrializados nas aldeias. Conclui-se que práticas pontuais de Educação Ambiental são relevantes, mas precisam ser articuladas a ações contínuas, interculturais e territorializadas, capazes de fortalecer a autonomia comunitária, a proteção da floresta e a responsabilidade coletiva.
