A GUERRA SEM ROSTO: ESTRATÉGIA, ÉTICA E PÓS-COLONIALISMO EM OS CUS DE JUDAS
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.17.1.04Resumo
Publicado originalmente em 1979 – apenas cinco anos após a Revolução de 25 de abril – Os Cus de Judas, de António Lobo Antunes, afirmou-se como um testemunho literário incontornável para a compreensão da Guerra Colonial (1961–1974) e das suas repercussões profundas na sociedade portuguesa. No âmbito das Relações Internacionais, a obra transcende a dimensão estritamente ficcional ao inscrever a experiência individual da guerra no processo mais amplo de descolonização que reconfigurou o sistema internacional na segunda metade do século XX. Ao evidenciar o colapso do império colonial português, o romance enfatiza igualmente o subsequente reposicionamento de Portugal numa ordem internacional pós-colonial, marcada pela redefinição das hierarquias de poder e das relações entre os antigos impérios e os territórios recém-independentes.
