IDEOLOGY AND EDUCATION IN CHINA: PORTUGUESE LANGUAGE POLICY AT THE INTERSECTION OF STATECRAFT AND STRATEGY
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0126.3Palavras-chave:
Ideologia e Educação, Política Linguística, Português Língua Estrangeira, ChinaResumo
Este estudo examina os fundamentos ideológicos do ensino de línguas estrangeiras na República Popular da China, argumentando que o planeamento linguístico é inseparável das estratégias ideológicas do Estado e do seu posicionamento internacional. A partir de uma perspetiva histórica que acompanha a evolução da educação chinesa desde o final do período imperial até à atualidade, demonstra-se que a política educativa tem, de forma consistente, subordinado o intercâmbio intercultural aos interesses nacionais. O ensino de línguas estrangeiras, longe de refletir abertura ou pluralismo, é mobilizado como instrumento estratégico, valorizado pela sua utilidade para o desenvolvimento, mas confinado a limites ideológicos estritos. A análise centra-se no papel político da educação enquanto mecanismo de regulação do acesso ao conhecimento estrangeiro e de preservação da coesão interna. Neste enquadramento, as línguas estrangeiras não são concebidas como pontes culturais, mas como recursos geridos: importados por razões diplomáticas e económicas, porém cuidadosamente controlados para evitar potenciais perturbações ideológicas. Esta dinâmica é exemplificada pelo caso da língua portuguesa, cujo crescimento no panorama académico chinês reflete transformações geopolíticas e económicas mais amplas, e não uma procura cultural intrínseca ou uma reforma educativa. A sua expansão institucional alinha-se fortemente com os interesses da política externa chinesa, particularmente nas relações com os países lusófonos e no papel simbólico de Macau. Ao situar a política linguística na arquitetura ideológica do Estado chinês, esta investigação contribui para o estudo da educação internacional como forma de “construção do estado”. Sublinha, igualmente, a importância de alinhar estratégias de promoção linguística - como as desenvolvidas por Portugal - com as lógicas internas e as restrições dos países parceiros. Deste modo, responde aos objetivos deste número temático ao oferecer uma leitura crítica e historicamente fundamentada do envolvimento sino‑português através das lentes da ideologia, da educação e do posicionamento global.
