FROM COLONIAL RULE TO NATIONHOOD: AMÍLCAR CABRAL'S THOUGHT IN THE FACE OF THE MOZAMBIQUE PEACE ACCORDS
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0726.12Palavras-chave:
Acordos de Paz, Amílcar Cabral, Frelimo, Independência, Moçambique, Nação, Paz, RenamoResumo
Este trabalho investiga, de forma crítica e interpretativa, como o pensamento político de Amílcar Cabral poderia dialogar com o processo de paz moçambicano, culminando nos Acordos de Paz (Roma, em 1992, e Maputo em 2014 e 2018). Partindo de uma análise aprofundada das categorias centrais do Cabralismo - especialmente a libertação como processo contínuo, a centralidade da consciência política, a ética revolucionária e a relação entre o poder popular e o Estado - o estudo confronta estes princípios com as dinâmicas históricas, sociais e políticas que moldaram o fim da guerra civil em Moçambique. Através da questão "o que diria Cabral sobre os Acordos de Paz sem Moçambique", a investigação procura compreender até que ponto os Acordos de Paz, inseridos nos programas de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) sob a tutela de instituições multilaterais, respondem ou entram em tensão com a visão de Cabral de transformação estrutural e emancipação pós-colonial. Através de uma abordagem interdisciplinar que combina teoria política africana, história contemporânea e análise crítica do discurso, propõe-se uma leitura hipotética, mas fundamentada do que Cabral poderá ter dito sobre a reconciliação nacional, o papel dos partidos, a reintegração social e os desafios de construir a nação moçambicana caracterizada por vinte e um grupos étnicos no período pós-descolonização. A obra conclui que o pensamento de Cabral oferece ferramentas conceptuais relevantes para reavaliar os limites e potencialidades da paz negociada em Moçambique, iluminando debates contemporâneos sobre soberania, democracia e justiça social no contexto africano.
