HEDGING UNDER PRESSURE: PORTUGAL’S FOREIGN POLICY AND THE U.S-CHINA RIVALRY
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0126.1Palavras-chave:
Estratégia de hedging, Portugal, China, Estados UnidosResumo
Este estudo analisa a posição de Portugal no contexto da rivalidade sino americana, delineando a sua evolução durante a chamada “era dourada” do investimento chinês, ocorrida em simultâneo com a crise financeira e com a perceção de um (parcial) afastamento por parte dos Estados Unidos, o tradicional aliado de grande poder de Portugal. Para um pequeno Estado europeu, membro da União Europeia e da NATO, o desafio central reside em equilibrar os compromissos transatlânticos de longa data com as oportunidades económicas oferecidas pela China. A fratura entre o “Sul Global” e os compromissos institucionais com a UE e com os EUA durante a era Trump exigiu manobras políticas subtis. Argumentamos que o comportamento de Portugal em relação à China, desde a crise financeira e económica de 2008 até 2019, constitui um caso de hedging, e colocamos a questão de saber se tal resultou de uma estratégia deliberada ou de uma procura ad hoc de novas parcerias externas. Concluímos que, embora tenha ocorrido hedging e exista alguma indicação de pensamento estratégico por parte dos decisores em Lisboa, na prática esse alinhamento foi sempre cauteloso, mantendo o país a prioridade no alinhamento com a UE e com os EUA. Compromissos históricos, a herança liberal democrática, valores partilhados, alianças de defesa e o projeto europeu coletivo colocam Portugal, de forma geral, mais próximo desse enquadramento político, o que tende a limitar a relação com Pequim, sem impedir, contudo, episódios pontuais de cooperação. Todavia, identificam se também indícios de que o hedging português possui uma dimensão estratégica. Esta questão permanece relevante porque o processo continua em curso: no atual enquadramento internacional, Portugal continua a prosseguir uma estratégia de hedging em relação à China ou iniciou uma desvinculação gradual e deliberada dos laços políticos com Pequim?
