LINGUISTIC PLURICENTRISM AND EPISTEMIC JUSTICE: SOME PERSPECTIVES IN LIGHT OF THE CONCEPT OF LINGUISTIC CITIZENSHIP
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0726.1Palavras-chave:
Línguas Pluricêntricas, Justiça Epistémica, Nyanja, Changana, Cidadania linguísticaResumo
À luz do conceito de Cidadania Linguística, este artigo reflete sobre algumas noções teóricas e epistemológicas que nos permitam problematizar a classificação de duas línguas faladas em seis países da África Austral, incluindo Moçambique, como línguas pluricêntricas. A pesquisa adota uma abordagem metodológica qualitativa, de cunho etnográfico, na vertente da etnografia linguística, a partir de discussões em grupos focais com falantes cultos de duas línguas africanas. Os resultados do presente estudo sugerem a necessidade de repensar o pluricentrismo linguístico sem perder de vista a desinibição de subjetividades impostas pelo colonialismo. Mas também, enquanto mecanismo potencial de inversão da tecnologia colonial de dominação baseada na exclusão. Isso passa, por um lado, por olhar para os seus critérios geradores enquanto ‘produtos’ inacabados, suscetíveis de (re)interpretações. Por outro, passa por, na sua releitura, considerar o contexto de uso, o passado colonial adverso a que as línguas africanas foram sujeitas e o ‘logos’ dos sujeitos ‘periferizados’. A partir deste enquadramento, defendemos que o Nyanja e Changana, línguas analisadas, sugerem cenários pluricêntricos.
