CULTURAL IBERISM AND ITS APPLICABILITY TO THE KOREAN PENINSULA
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0426.5Palavras-chave:
Iberismo, Unificação, Península da Coreia, Península Ibérica, Cooperação culturalResumo
Fernando Pessoa concebia o «Iberismo» (ou Iberismo) não como um projeto de federação política ou de união económica, mas como uma forma de cooperação cultural enraizada em traços históricos e espirituais comuns. Para Pessoa, uma das características definidoras da Península Ibérica é a sua «não-latinidade» — uma disposição que a distingue da Europa latina ao abraçar influências árabes e islâmicas e ao promover a abertura para com o Outro. Esta abertura é também evidente no papel histórico de Portugal como mediador e centro de intercâmbio entre África, as Américas, a Ásia e a Europa através do Oceano Atlântico, refletido na «plasticidade» e no «cosmopolitismo» do povo português. Este estudo procurou explorar a aplicabilidade do Iberismo como quadro analítico para modelos de unificação na Península Coreana. Embora a unificação política continue a ser o ideal normativo perseguido por ambas as Coreias, a realidade prolongada da divisão levou a que uma proporção crescente de cidadãos sul-coreanos adotasse visões cada vez mais pessimistas em relação à integração política. A federação económica, por sua vez, representa um domínio de cooperação ainda mais desafiante, dados os contrastes estruturais marcantes entre os dois sistemas — capitalismo e socialismo, comércio livre aberto e um modelo industrial fechado e liderado pelo Estado. Além disso, o fosso económico entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul continua a alargar-se, limitando ainda mais a viabilidade da integração económica. No que diz respeito à cooperação cultural, que constitui o foco principal deste estudo, as formas existentes de intercâmbio têm sido, em grande parte, de natureza temporária e motivadas por eventos pontuais. Em resposta, este artigo propõe uma colaboração mais sustentada nos campos da investigação e transmissão do património cultural, áreas que podem dar contributos substanciais para uma compreensão partilhada da identidade coreana. Por fim, as formas afetivas de integração, tal como captadas pela noção de -filia — que denota afeto mútuo pelo outro —, devem ser consideradas como a forma menos alcançável de integração no contexto coreano contemporâneo, onde o conflito ideológico duradouro continua a excluir a possibilidade de uma afinidade transfronteiriça socialmente legítima.
