THE LIMITS OF REGIONAL AUTONOMY: BRAZIL AND THE MULTISCALAR POLITICS OF EMERGING POWERS
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.17.1.18Palavras-chave:
Governação global, Potências emergentes, Brasil, Teoria do complexo de segurança regionalResumo
O apelo da regionalização pode ser melhor compreendido tanto como uma reação à marginalização no seio das instituições de governação global, como uma atração pelos benefícios da cooperação facilitada pela proximidade com os Estados vizinhos. Com base nas ideias do conceito de «saída institucional» de Hirschman e na teoria do «complexo de segurança regional» de Buzan, este artigo conceitua a regionalização como um processo impulsionado por dinâmicas tanto centrífugas como centrípetas. Assim, as instituições globais privilegiam os interesses e as normas do núcleo estabelecido, constituindo, assim, o principal fator de empurrão neste processo. Em contrapartida, as plataformas regionais exercem efeitos de atração ao oferecer maior autonomia política, convergência normativa e proximidade temática entre economias que partilham atributos estruturais semelhantes. O artigo aborda a estratégia regional do Brasil desde o início da década de 2000 até meados da década de 2010 como um exemplo desta transformação global. Durante este período, o MERCOSUL e a UNASUL funcionaram como os principais veículos para fomentar uma aliança pós-neoliberal entre as nações sul-americanas, centrada na industrialização coletiva e na autonomia. Este esforço, no entanto, não conseguiu produzir os resultados desejados e acabou por perder viabilidade económica. Os retornos superiores oferecidos pela procura cada vez maior da China pelo agronegócio brasileiro redirecionaram as prioridades do Brasil para além da sua região imediata, revelando as limitações estruturais inerentes às parcerias Sul-Sul.
