ATLANTIC ANCHOR: PORTUGAL IN THE BELT AND ROAD INITIATIVE
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.17.1.13Palavras-chave:
Iniciativa Belt and Road, Portugal, Geoeconomia, Porto de Sines, UE, EUAResumo
Este artigo explora o envolvimento de Portugal na Iniciativa «Belt and Road» (BRI) da China como um estudo de caso em estratégia geoeconómica, situado na intersecção entre a rivalidade entre os EUA e a China e a integração europeia. Embora grande parte da atenção académica se tenha centrado na Europa Central e Oriental, o papel de Portugal na BRI continua a ser pouco estudado, apesar da sua localização atlântica, das infraestruturas portuárias de águas profundas e dos laços históricos com a China. O estudo situa a participação de Portugal na BRI no quadro mais amplo da geoeconomia, definida como a utilização de instrumentos económicos para perseguir objetivos geopolíticos. Os investimentos chineses nos setores da energia, infraestruturas e telecomunicações portugueses intensificaram-se desde a crise da zona euro, suscitando preocupações entre os aliados ocidentais quanto a dependências estratégicas. O Porto de Sines exemplifica esta tensão estratégica, atraindo o interesse tanto de partes interessadas chinesas como americanas. Ao mesmo tempo, Portugal tem promovido as suas ambições marítimas através de parcerias de «economia azul» com a China, equilibrando a cooperação comercial com a cautela geopolítica. O estudo examina ainda o panorama regulatório em evolução, moldado pelo quadro de análise de investimentos estrangeiros da União Europeia e pelos esforços dos Estados Unidos para restringir a influência chinesa em setores críticos como o 5G. O recente distanciamento de Portugal da Huawei e a reavaliação da sua participação na BRI ilustram como os Estados mais pequenos podem recalibrar a sua política externa num contexto de intensificação da concorrência global. As conclusões sugerem que o caso de Portugal destaca os dilemas estratégicos das potências médias que navegam por agendas geoeconómicas concorrentes, revelando como a conectividade económica é cada vez mais instrumentalizada para fins geopolíticos no sul da Europa.
