EUROPEAN UNION EXTERNAL ACTION IN UKRAINE: SECURITISING CRITICAL MINERALS
DOI:
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT03226.5Palavras-chave:
Ação Externa da União Europeia, Estudos Críticos de Segurança, Matérias-Primas Críticas, Transição Energética, UcrâniaResumo
Este artigo examina de que modo a União Europeia (UE) securitiza os minerais críticos ucranianos na sua ação externa, após a invasão russa de 2022. Questiona como minerais como lítio e titânio, outrora ativos económicos, foram redefinidos como questões de segurança europeia, autonomia estratégica e sobrevivência geopolítica. A análise da ação externa da UE combina perspetivas das Escolas de Copenhaga e de Paris. Investiga como líderes e documentos constroem os minerais críticos como condições existenciais para descarbonização, resiliência e soberania. Ao interligar a dependência das cadeias de fornecimento, a transição climática e a Ucrânia, o discurso da UE reposiciona o acesso a minerais ucranianos para além da política económica normal. Em paralelo, examina como esta securitização se incorpora em práticas governativas e instrumentos centrais da política externa da UE. Estes institucionalizam lógicas de segurança por alinhamento regulatório e condicionalidade financeira, normalizando recursos ucranianos nas cadeias de valor da UE. O artigo argumenta que esta securitização opera através do poder discursivo e práticas burocráticas. Enquadrada em resiliência e autonomia estratégica, esta lógica tecnocrática tem consequências políticas. Por um lado, acelera a descarbonização europeia e reduz dependências, mas por outro, arrisca reforçar dinâmicas de poder centro-periferia e priorizar a segurança energética europeia sobre preocupações ucranianas socioeconómicas e ambientais. Através do estudo de caso da Ucrânia, contribui-se para os debates sobre geopolítica verde e a ação externa da UE, mostrando como a transição climática, a gestão estratégica de recursos e a segurança são (des)construídas geopoliticamente, normalizando medidas excecionais e marginalizando alternativas. Este processo de (in)securitização de minerais críticos ucranianos nas cadeias europeias revela fragilidades na imagem normativa e na lógica da geopolítica verde da UE.
