capitalismo, racismo ambiental, consumo e perda de autonomia territorial (COSTA;
LOUREIRO, 2024; PROSDOCIMO; MORAES; ROSA, 2025).
A incorporação de autores indígenas amplia essa fundamentação, pois desloca o debate
ambiental de uma visão externa sobre os povos originários para a escuta de suas próprias
formulações políticas, cosmológicas e pedagógicas. Baniwa (2019) compreende a
educação escolar indígena como campo de disputa e defende uma escola intercultural,
bilíngue, diferenciada e vinculada aos projetos coletivos dos povos indígenas. Krenak
(2019), critica a separação moderna entre humanidade e natureza, mostrando que essa
ruptura sustenta modos predatórios de desenvolvimento. Kopenawa e Albert (2015), por
sua vez, associam a devastação da floresta ao avanço de uma economia de mercadorias
que transforma a terra em objeto de exploração.
No campo da educação escolar indígena, estudos no Brasil têm mostrado que não há
uma relação automática e harmoniosa entre comunidades indígenas e meio ambiente.
Pesquisa realizada na aldeia Kariri-Xocó, em Alagoas, identificou processos de
degradação em espaços sagrados e de uso coletivo, com práticas insustentáveis
relacionadas ao lixo, ao uso dos recursos naturais e à pressão sobre áreas de floresta
(SANTOS, 2020). De modo semelhante, investigação com o povo Paiter Suruí, na Terra
Indígena Sete de Setembro (RO/MT), relacionou o aumento do consumo de produtos
industrializados ao acúmulo de resíduos sólidos e aos impactos sobre saúde, cultura e
integridade territorial (OLIVEIRA; BARBA; SIMÃO, 2025).
Ao mesmo tempo, experiências de EA em aldeias indígenas mostram o potencial de
intervenções pedagógicas contextualizadas, construídas a partir do território e dos
saberes locais. Araújo et al. (2013) defendem que a Educação Ambiental em sociedades
indígenas brasileiras precisa superar a abordagem restrita à escola e dialogar com
políticas públicas, autodeterminação étnica e gestão territorial. Nesse sentido,
experiências como a ação “Do solo à bioconstrução”, desenvolvida na aldeia Itapoã
Tupinambá de Olivença (BA), apontam que atividades práticas, articulando EJA, oficinas
comunitárias e conhecimentos tradicionais, podem fortalecer vínculos entre saber
técnico-científico, território e participação comunitária (SANTOS; COSTA, 2020).
A aldeia Zé Gurupi, do povo Ka’apor, localizada no Maranhão, compartilha essa realidade
de tensão entre permanência cultural, pressão externa sobre o território e desafios
ambientais cotidianos. A antiga aldeia Urutawirenda, renomeada em homenagem ao
senhor Zé Gurupi na década de 1980, reúne atualmente cerca de 30 famílias e 116
pessoas, entre crianças, adultos, idosos e gestantes. A comunidade mantém forte vínculo
com a floresta como base de vida, mas enfrenta problemas relacionados à gestão de
resíduos e à conservação de áreas de uso comum. Esse contexto torna relevante o
desenvolvimento de ações educativas que articulem história, identidade, território e
práticas sustentáveis.
Neste cenário, o presente artigo tem como objetivo relatar e analisar uma experiência
de Educação Ambiental desenvolvida na aldeia indígena Ka’apor Zé Gurupi, no Maranhão,
centrada em atividades de sensibilização ambiental e práticas sustentáveis com
estudantes do Ensino Fundamental e da EJA, em diálogo com lideranças locais. A