Referencial Teórico
Segundo os estudos de pesquisa desenvolvidos Tricart (1977) direcionados para analisar
a dinamicidade das descargas que transportam os sedimentos do rio
Solimões/Amazonas, em toda Amazônia brasileira, evidenciam-se ao longo de seus
cursos, material resultante da sua formação estrutural.
Segundo Sioli (1951), uma viagem realizada a bordo dos navios fluviais pelo estuário
amazônico, partindo de Belém para Manaus, pode revelar aos tripulantes as seguintes
peculiaridades regionais:
Olhando-se as águas dos rios do gigantesco sistema potâmico amazônico, como, por
exemplo, numa viagem de Belém a Manáus a bordo de um navio fluvial comum,
observam-se logo alguns fenômenos peculiares às águas e aos diferentes rios. Um dos
fenômenos mais facilmente observáveis é a diferença na cor e turvação dos diversos
tributários do rio principal e entre si mesmos. É, de fato, um espetáculo impressionante
ver quando o navio, em Santarém, saindo da água barrenta e amarela do Amazonas,
entra abruptamente na água limpa, verde-escura, do Rio Tapajós, ou quando, na boca
do Rio Negro, pouco antes de chegar a Manáus, vai repentinamente de encontro às ondas
marrom-escuras como café e transparentes do Rio Negro (Sioli, 1951, p. 6)
Sobre o fenômeno que ocasiona as diferentes colorações nas águas que fazem parte da
bacia Amazônica, Sioli (1951) afirma que:
Uma diferença entre águas - que naturalmente é muito mais profunda e
complexa do que apenas a que se refere à cor e à turvação das mesmas,
imediatamente perceptíveis - deve ter sua origem em diversos fatores,
próprios às cabeceiras e às regiões percorridas dos rios, como, por exemplo,
na geologia (mineralogia), qualidade dos solos, topografia, clima, etc. Além
destes fatores, as condições predominantes num rio dependem, também, da
idade do mesmo, e será interessante examinar como podem os tipos de rios
da Amazônia contribuir para o esclarecimento do problema do
envelhecimento dos rios, e se as observadas diferenças das águas se acham
relacionadas eventualmente com estádios de idade. O tempo age sobre um
rio alterando-o; não age, porém, diretamente, mas por via indireta sobre
alguns dos mencionados fatores do ambiente, especialmente sobre a
topografia e a qualidade do solo. Estes se alteram com o tempo, pelas
influências do clima, dependendo a rapidez da alteração não só, por exemplo,
da quantidade de chuva e de mudanças de temperatura (partes do clima),
mas também da qualidade da base geológico-mineralógica do terreno (p.ex.,
dureza das rochas e coisas semelhantes) (Sioli, 1951, p. 7).
O rio Solimões é classificado por Sioli (1951) como rio de águas brancas, por exercer
uma forte atividade erosiva que ataca diretamente as margens dos rios em sentido
horizontal provocando o fenômeno conhecido na região como “terras caídas”, justamente
por estas se localizarem em terrenos de formações recentes, pois
[...] desde o início da sua existência, quer dizer, depois do esvaziamento do
gigantesco lago interno amazônico de água doce, terminada a época do