De acordo com Canclini (1989), este conjunto de elementos culturais – históricos,
artísticos, arquitetônicos e paisagísticos – que compõem o patrimônio ambiental e
mantêm uma forte ligação com as culturas locais está cada vez mais em foco, afastando-
se gradualmente da ênfase no progresso. No entanto, a análise realizada aqui não busca
culpar exclusivamente a modernização econômica pelo esquecimento dos atributos,
aspectos e elementos que caracterizam e delineiam os traços culturais de um local
específico. Em vez disso, busca-se interpretar e analisar essa modernização, que por
vezes se mostra insatisfatória em relação as necessidades sociais, em diálogo com as
tradições mantidas ao longo de diversas gerações humanas.
Ao observar os artesãos, Canclini (2008, p. 353) revela porque eles “continuam a
produzir cerâmica e tecidos manuais na sociedade industrial; os artistas usam tecnologias
avançadas e ao mesmo tempo olham para o passado no qual buscam certa densidade
histórica ou estímulos para imaginar”. No meio de tudo isso, embora o patrimônio una
todas as nações, contribua para a memória coletiva e para a identidade dos indivíduos,
a desigualdade de sua formação e adoção, segundo o autor, também exige sua
investigação como espaço de luta material e simbólica entre classes, nações e grupos.
O patrimônio local e a relação com o meio ambiente
Ao longo das últimas décadas, o conceito de patrimônio tem passado por uma notável
transformação, acompanhando as flutuações do próprio entendimento de cultura e sendo
fortemente influenciado pela ascensão dos nacionalismos. Hoje, essa noção expandiu-se
significativamente, multiplicando os contextos em que é aplicada. Muitas vezes, vai além
da ideia inicial de seleção de elementos do passado para preservar no presente e
transmitir ao futuro. Abrange de forma quase indiscriminada tanto fenômenos naturais
quanto as mais diversas expressões culturais, sejam elas materiais ou intangíveis.
Choay (2014) destaca que a palavra, originalmente, estava relacionada às estruturas
familiares, econômicas e jurídicas de uma sociedade estável e enraizada no tempo e no
espaço. Contudo, ao ser moldada por diferentes qualificativos (como genérico, natural,
histórico), tornou-se um conceito “nômade”, com um percurso distinto e marcante nos
dias de hoje.
A relação entre o patrimônio cultural e o meio ambiente é evidente em muitas
comunidades nas quais a história e a cultura local estão profundamente enraizadas na
paisagem natural. Em Angola, por exemplo, a legislação prevê a proteção dos bens
culturais e do meio ambiente, reconhecendo que ambos são essenciais para a identidade
e a continuidade das comunidades. A Educação Ambiental desempenha um papel crucial
nessa interseção, ao promover uma consciência maior sobre a importância de proteger
o patrimônio cultural e o meio ambiente através da Lei de Base do Ambiente (Lei n.º
5/98) e da Lei do Patrimônio Cultural (Lei n.º 14/05).
De acordo com Choay (2005), o termo “patrimônio”, quando utilizado isoladamente e
sem qualificações específicas, adquiriu um poder semântico excessivo, abrangendo
diversos significados, desde o linguístico e literário (oral e escrito) até o prático,
arquitetônico, urbano e territorial. Essas interpretações podem ser aplicadas em