do ambiente como espaço de interação social, cultural e ecológica inaugura uma
abordagem educativa que reconhece as múltiplas racionalidades que estruturam a
relação sociedade-natureza.
Essa perspectiva aparece fortalecida nos debates iniciais sobre cidadania ambiental, nos
quais a participação social e o diálogo entre diferentes saberes, acadêmicos, comunitários
e tradicionais, constituem pilares fundamentais para práticas educativas transformadoras
(Jacobi, 2003).
A pluralidade de sentidos atribuídos ao ambiente, destacada por Sauvé (2005), reforça
que a EA não é um campo homogêneo, mas um conjunto de correntes que consideram
o ambiente como natureza, lugar de vida, sistema, comunidade e território. Essa
pluralidade amplia o escopo da EA e sustenta a necessidade de práticas pedagógicas que
articulem cultura, ecologia e justiça social.
Nesse processo, ganha destaque a formação do “sujeito ecológico”, proposta por
Carvalho (2008), entendida como construção identitária que envolve consciência crítica,
engajamento social e responsabilidade ética frente à crise socioambiental. O
aprofundamento desse debate ocorreu com as contribuições da epistemologia ambiental
de Leff (2010). Ao discutir a complexidade ambiental, o autor argumenta que a crise
ecológica é também uma crise do conhecimento moderno, marcado por fragmentações
e reducionismos.
A proposta de uma racionalidade ambiental integra dimensões científicas, políticas,
culturais e territoriais, defendendo que soluções sustentáveis só emergem quando
saberes diversos são articulados em processos educativos contextualizados. Assim, Leff
(2010) sustenta que a EA deve promover leituras ampliadas da realidade e fortalecer
práticas formativas orientadas pela participação e pela diversidade epistemológica.
A discussão internacional sobre sustentabilidade avança para o debate da territorialização
dos ODS, no qual autores como Veiga (2010) e Sachs (2011) defendem que metas
globais só se tornam efetivas quando adaptadas às condições concretas dos territórios.
A sustentabilidade, nessas análises, é concebida como processo permanente de
aprendizagem social, que articula políticas públicas, práticas comunitárias, governança
democrática e corresponsabilidade.
Nesse cenário, a EA adquire papel estratégico. Para Loureiro (2012), ela deve ser
entendida como prática ética, política e emancipatória, capaz de articular dimensões
sociais, culturais e ecológicas e fomentar processos de transformação social. Essa
concepção reforça que a EA não atua de forma paralela aos ODS, mas constitui um de
seus alicerces, especialmente no que se refere à construção da cidadania ambiental e à
crítica aos modelos hegemônicos de desenvolvimento.
A Agenda 2030, aprovada pela Organização das Nações Unidas, consolida essa visão ao
atribuir à educação função transversal no cumprimento das metas globais. A meta 4.7
enfatiza competências relacionadas à sustentabilidade, direitos humanos, cultura de paz
e valorização da diversidade, todas centrais às abordagens contemporâneas da EA (ONU,
2015).