como aquelas que são pouco consumidas por grande parte da população. Além disso,
outro fator importante para a definição são as partes que podem ser consumidas e isso
fica a critério da região ou ocasião específicas, sendo elas: rizomas, bulbos, tubérculos,
folhas, flores ou caules (Souza, 2020).
No Brasil, historicamente, estas plantas eram conhecidas localmente e estavam
presentes na culinária dos povos originários do Brasil e da América como um todo e,
também dos povos africanos que foram escravizados no país. Mas foram sumindo da
mesa, do prato e do imaginário da população em geral (Belluzzo, 2008). Entretanto,
algumas plantas de origem indígena e africana (antes consideradas PANC) se mantiveram
e foram incorporadas nos pratos dos brasileiros, particularmente no Nordeste e no
Sudeste do país, sendo elas: palmito, milho, inhame, banana e mandioca. Porém, as
demais, que eram encontradas com mais facilidade tornaram-se escassas, como por
exemplo: a taioba, a araruta, orapronóbis, Cambuci e pinhão (Belluzzo, 2008; Cascudo,
2004).
Dentro dessa perspectiva, indo além da comum caracterização das PANC e suas relações
com o espaço, é necessário se compreender com mais profundidade essa questão, a fim
de discutir e questionar princípios, fundamentos e formas de um habitar colonial
conforme Ferdinand (2022) propõe, bem como isso se relaciona com as fraturas da
modernidade (colonial e ambiental) que implicaram na perda da diversidade das plantas
nativas - não só do Brasil, mas também em outros territórios nos quais o habitar colonial
se consolidou. E que atualmente são “redescobertas” e identificadas como não
convencionais mantendo apagamento daqueles que as conhecem desde sempre.
Nesse contexto, o estudo se justifica, pois, ainda são poucos os estudos que abordam de
maneira explícita o racismo ambiental e epistemicídio, com embasamento teórico e uma
Educação Ambiental decolonial, quando tratam dos saberes sobre PANC (Schittini;
Rodrigues, 2023). A maioria dos não abordam diretamente a questão étnico-racial
quando tratam PANC, trazendo diferentes enfoques, com ênfase em dimensões
educativas, nutricionais, ambientais e culturais (Oliveira; Ludwig, 2021; Cherobini e col.,
2022; Benedito e col., 2024; Paiva Junior; Oliveira, 2024; Rodrigues e col., 2024; . Dessa
forma, embora contribuam para a valorização das PANC e para a promoção da uma
educação ambiental crítica em diferentes contextos, ao não abordarem de forma explícita
e aprofundada as questões étnico-raciais apresentam uma lacuna importante, aspecto
fundamental para compreender os saberes tradicionais, o epistemicídio e as
desigualdades no acesso à terra, ao alimento e ao conhecimento no Brasil.
Desse modo, o presente estudo procurou responder a seguinte questão de investigação:
como a relação PANC, sociedade e meio ambiente pode favorecer a formação do Sujeito
Ecológico Decolonial no espaço urbano? Pois, conforme Núñez e col. (2020) é necessário
se expor a importância de fazer dos corpos territórios, retomar saberes ancestrais e
memórias permitindo às pessoas reescreverem e imprimirem seu caminho na história,
no aqui e no agora, por meio de redes de afeto e pertencimento que favoreçam a todas
as formas de vida. Este caminho, que favorece a micropolítica, é trilhado em conjunto e
com foco em ações ambientais, a partir de um estilo de ser e viver de pessoas que
partilham valores e outros aspectos em prol da causa ambiental, mas também se