OBSERVARE
Universidade Autónoma de Lisboa
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17 Nº.1, DT 2
Dossiê Temático Educação Ambiental, democracia
e participação social no enfrentamento da crise civilizatória
provocada pelas mudanças climáticas globais
Julho 2026
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ENTRE MÉTRICAS E PRÁTICAS: A VALIDAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DA MATRIZ DE
INDICADORES SOCIOAMBIENTAIS PARA CENTROS DE EDUCAÇÃO E
COOPERAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
LUANNE MICHELLA BISPO NASCIMENTO
luabionascimento1@gmail.com
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão (Brasil)
ALINE LIMA DE OLIVEIRA NEPOMUCENO
alinenepo@academico.ufs.br
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão (Brasil)
GABRIELA FARIA SANTOS
gabrielafsantos@outlook.com.br
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão (Brasil)
LUCIELLE BARROS SOARES
luciellebarros26@gmail.com
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão (Brasil)
Resumo
Este artigo apresenta o processo de construção e validação participativa de indicadores
socioambientais voltados ao diagnóstico territorial para o apontamento de oito municípios a
serem implementados os Centros de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSs) no
estado de Sergipe. A pesquisa, de abordagem qualiquantitativista e natureza aplicada, buscou
desenvolver instrumentos de avaliação que expressem a complexidade das dimensões
educativas, socioambientais, econômicas, políticas e comunitárias desses centros. Foram
realizadas etapas de levantamento bibliográfico, elaboração preliminar de indicadores,
validação com especialistas por meio do Método Delphi e construção da Matriz de Indicadores
Socioambientais (MIS). O processo revelou a importância da participação coletiva para
assegurar a pertinência, a clareza e a aplicabilidade dos indicadores propostos, a fim de
direcionar assertivamente as implementações dos centros, além de contribuir para o
aprimoramento das práticas educativas e de gestão socioambiental nos CECSs. Para além de
um exercício técnico a MIS revela-se como um ato político-pedagógico.
Palavras-chave
Diagnóstico Territorial, Método Delphi, Pesquisa qualitativa de natureza aplicada, Validação
de conteúdo, Validação qualitativa.
Abstract
This article presents the process of developing and validating socio-environmental indicators
through a participatory approach, aimed at conducting a territorial assessment to identify
eight municipalities in the state of Sergipe where Centres for Socio-Environmental Education
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Socioambientais para Centros de Educação e Cooperação Socioambiental
Luanne Michella Bispo Nascimento, Aline Lima De Oliveira Nepomuceno,
Gabriela Faria Santos, Lucielle Barros Soares
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and Cooperation (CECSs) are to be established. The research, which adopted a mixed-
methods approach and was applied in nature, sought to develop assessment tools that capture
the complexity of the educational, socio-environmental, economic, political and community
dimensions of these centres. The study involved stages of literature review, preliminary
development of indicators, validation with experts using the Delphi method, and the
construction of the Socio-Environmental Indicators Matrix (MIS). The process revealed the
importance of collective participation in ensuring the relevance, clarity and applicability of the
proposed indicators, in order to effectively guide the implementation of the centres, as well
as contributing to the improvement of educational and socio-environmental management
practices within the CECSs. Beyond a technical exercise, the MIS proves to be a political-
pedagogical act.
Keywords
Territorial Diagnosis, Delphi Method, Applied qualitative research, Content validation,
Qualitative validation.
Como citar este artigo
Nascimento, Luanne Michella Bispo, Nepomuceno, Aline Lima De Oliveira, Santos, Gabriela Faria &
Soares, Lucielle Barros (2026). Entre Métricas e Práticas: A Validação e a Construção da Matriz de
Indicadores Socioambientais para Centros de Educação e Cooperação Socioambiental. Janus.net,
e-journal of international relations VOL. 17 Nº. 1, DT 2 Dossiê Temático Educação Ambiental,
democracia e participação social no enfrentamento da crise civilizatória provocada pelas mudanças
climáticas globais, Julho 2026, pp. 40-59. DOI https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0526.3
Artigo submetido em 5 de janeiro de 2026 e aceite para publicação em 10 de maio de
2026.
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ENTRE MÉTRICAS E PRÁTICAS: A VALIDAÇÃO E A CONSTRUÇÃO
DA MATRIZ DE INDICADORES SOCIOAMBIENTAIS PARA CENTROS
DE EDUCAÇÃO E COOPERAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
LUANNE MICHELLA BISPO NASCIMENTO
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Introdução
A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) estabelece que a Educação Ambiental
(EA) deve ser desenvolvida de forma articulada entre os âmbitos formal e não formal,
abrangendo toda a sociedade, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, bem como
em espaços comunitários e institucionais. Além disso, prevê que o Poder Público estimule
a aplicação de recursos privados em projetos voltados à EA, por meio de mecanismos de
incentivo e cooperação (Brasil, 1999).
Nesse cenário, emergem os Centros de Educação Ambiental (CEAs) como espaços
privilegiados de articulação e implementação de ões socioambientais, concebidos como
iniciativas pedagógicas que integram práticas formais e não formais de ensino, contando
com estrutura física, equipe e projeto político-pedagógico próprios (Brasil, 2011). Ao
promoverem processos educativos voltados à sustentabilidade, os CEAs podem atuar
como mecanismos de enfrentamento das problemáticas socioambientais
contemporâneas, fortalecendo a participação cidadã e a gestão compartilhada dos
territórios.
Para que esses centros cumpram efetivamente esse papel transformador, torna-se
indispensável o uso de instrumentos capazes de traduzir realidades complexas em
informações acessíveis e aplicáveis à formulação de políticas públicas, que por sua vez
demandam novas agendas (Vieira, Campos e Morais, 2022). Nesse contexto, os
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Indicadores
1
Socioambientais (IS) surgem como ferramentas essenciais para avaliar,
monitorar e planejar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, articulando de
forma integrada as multidimensionalidades inerentes aos fenômenos societários (Veiga,
2009).
Sob essa perspectiva, os IS cumprem a função de comunicar informações sobre os
territórios, colaborando com o progresso em direção a determinadas metas, a exemplo
da implementação de Centros de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSA)
2
.
Conforme Bellen (2006), os indicadores têm a função de mensurar a distância entre a
situação atual e o ideal de sustentabilidade almejado, servindo de base para a formulação
de políticas e estratégias de intervenção. Dessa maneira, os IS que “representam a
realidade social, dão ênfase ao sentido de delineamento de processos de construção da
realidade ou de elaboração de investigações avaliativas de forma coletiva” (Vieira,
Campos e Morais, 2022, p.353).
Esse prisma está alinhado aos Princípios de Bellagio (IISD, 2000), que orientam a
construção de sistemas de indicadores participativos, claros e focados em uma visão de
longo prazo, reforçando a legitimidade e a eficácia da avaliação da sustentabilidade.
Dessa maneira, os IS viabilizariam
[...] um diálogo de abordagem territorial útil para a construção de políticas
públicas que respondam efetivamente às necessidades locais, uma vez que
cada território tem suas singularidades de acordo com a realidade que seus
membros vivenciam (Souza et al, 2013, p.8).
Nesse sentido, os IS permitem diagnosticar e acompanhar a realidade dos territórios,
considerando suas multidimensionalidades, possibilitando a leitura crítica das condições
de vida das comunidades, evidenciando desigualdades, vulnerabilidades e
potencialidades locais. Assim, podem se tornar instrumentos fundamentais para a
construção de políticas blicas participativas e para a mobilização social em torno de
demandas concretas nos centros a serem implementados.
No entanto, diante da complexidade das ações desenvolvidas nos CECSAs, torna-se
necessário criar IS não somente para a gestão e sustentabilidade dos espaços, mas
também enquanto instrumentos de mapeamento e diagnóstico que reflitam a diversidade
de dimensões que os compõem. Dessa forma, a implementação dos futuros centros pode
acontecer de maneira mais assertiva e com maiores chances de sustentabilidade, pois
permitirão compor um diagnóstico multidimensional dos oito territórios sergipanos, além
1
De acordo com Hammond (1995), o termo indicador, derivado do latim indicare, que significa descobrir,
apontar ou estimar, refere-se a um instrumento capaz de tornar perceptíveis tendências ou fenômenos não
imediatamente visíveis.
2
A adoção da denominação “Centros de Educação e Cooperação Socioambiental”, dentro as vinte e sete
nomenclaturas existentes para núcleos e centros de EA no Brasil (Santos, 2025), justificou-se para
explicitarmos nosso entendimento dos CEA sem que haja descompasso com as reais necessidades
socioambientais e idiossincrasias dos municípios. Com isso, enfocamos na cooperatividade requerida pela
Educação Ambiental de Base Comunitária (EABC) que desenvolveremos, em busca da construção coletiva de
enfrentamentos que acarretem a transformação socioambiental almejada. Além disso, está alinhada com os
últimos chamamentos públicos do MMA mediante os editais Nº 2/2023 e Nº 2/2025.
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de sistematizar informações, monitorar avanços e subsidiar processos decisórios mais
participativos e informados.
De acordo com Veiga (2009), estamos imergidos num “nevoeiro intelectual” no que tange
a mensuração dos processos que buscam a sustentabilidade socioambiental nos CECSA,
sobretudo pelo não cumprimento do que é requisitado pelos princípios bellagianos,
principalmente no que diz respeito à necessidade de as avaliações socioambientais
estarem baseadas num conjunto explícito de categorias que liguem perspectivas e metas
aos IS.
Assim, a simples criação de IS não garante sua validade ou aplicabilidade, sendo
fundamental que o processo de validação envolva especialistas e sujeitos diretamente
ligados aos contextos socioambientais estudados, garantindo que os indicadores
propostos sejam coerentes com a realidade local, socioambiental e cultural dos CECSAs
a serem implementados.
Dessarte, este artigo tem como objetivo apresentar um processo metodológico de
validação participativa de indicadores socioambientais que serão utilizados para sinalizar
em quais dos setenta e cinco municípios sergipanos podem ser implantados os oito
futuros CECSAs do Estado
3
. A partir das reflexões aqui oportunizadas, almejamos
contribuir para a legitimação de alguns dos IS por meio da Matriz de Indicadores
Socioambientais (MIS)
Procedimento Metodológico
A abordagem adotada pelo presente estudo é a qualiquantitativista de natureza aplicada,
pois combinamos características das pesquisas qualitativas e quantitativas, buscando
articular a interpretação dos significados sociais com a mensuração de dados objetivos
(Minayo, 2009). Essa integração nos permitiu compreender o fenômeno tanto em sua
dimensão subjetiva quanto em sua dimensão mensurável, oferecendo uma visão mais
ampla e complexa da realidade estudada.
Segundo Creswell (2014, p. 32), a pesquisa de métodos mistos “envolve a coleta e
análise de dados quantitativos e qualitativos no mesmo estudo, integrando os resultados
para melhor compreender o problema de pesquisa”. Essa integração não é apenas
técnica, mas epistemológica, pois pressupõe que ambos os tipos de dados numéricos e
descritivos se complementam e enriquecem a compreensão do objeto de estudo.
Para Minayo e Sanches (1993, p. 244), “a complementaridade entre o qualitativo e o
quantitativo se quando se compreende que ambos são necessários à construção do
conhecimento científico, uma vez que a realidade social é complexa e multifacetada”.
3
As discussões apresentadas são provenientes do projeto Conexões Sustentáveis em Sergipe:
desenvolvimento e aplicação de indicadores para direcionar a construção de Centros de Educação e Cooperação
Socioambiental” financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe
mediante o edital FAPITEC/SE / FUNTEC Nº 20/2023. Ressaltamos que a pesquisa foi submetida ao Comitê de
Ética em Pesquisa (CEP), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), sob o digo do Certificado de
Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) 89051625.3.0000.5546, obtendo a aprovação em 30.06.2025 (nº do
parecer 7.676.993).
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Desse modo, a abordagem qualiquantitativa rompe com dicotomias metodológicas e
reconhece a importância da triangulação de métodos para a produção de resultados mais
consistentes e contextualizados.
No que se refere à natureza aplicada, essa abordagem busca gerar conhecimento útil
para resolver problemas concretos ou melhorar práticas sociais, educacionais,
institucionais ou ambientais. Conforme Gil (2008, p. 43), “a pesquisa aplicada visa gerar
conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos”.
Assim, quando associada a uma abordagem qualiquantitativa, ela permite compreender
e intervir em determinada realidade com base em evidências empíricas e interpretações
contextualizadas.
Prodanov e Freitas (2013, p. 51) reforçam essa ideia ao afirmar que a pesquisa aplicada
“caracteriza-se por seu interesse em gerar conhecimentos com vistas à aplicação
imediata dos resultados em situações específicas”. Portanto, ao adotarmos uma
abordagem qualiquantitativa de natureza aplicada, não apenas interpretamos e
mensuramos fenômenos, mas também propomos confrontamentos fundamentados para
desafios reais enfrentados pelos centros.
Partindo dessas perspectivas, a construção e validação de IS requereram métodos que
conciliassem rigor técnico e a incorporação de múltiplas perspectivas, de modo a garantir
que eles fossem representativos, confiáveis e socialmente legitimados. Sendo assim,
inicialmente, os indicadores foram selecionados a priori a partir de revisão bibliográfica,
intentando atender ao menos quatro dos Princípios de Bellagio: a) garantir comunicação
eficiente; b) facilitar a ampla participação; c) possibilidade de orientação de visão e
metas; d) perspectivas e metas ligados aos indicadores (Hardi, Zdan, 2009).
Considerando et al (2024), os critérios de inclusão foram: clareza; facilidade dos
indicadores em mensurá-los; e escala cronológica, sendo selecionados aqueles
publicados em periódicos qualificados a partir de 2011, ano em que foi publicizada a
recomendação 11, de 04 de maio de 2011
4
. Em contrapartida, os parâmetros de
exclusão consideraram pesquisas publicadas em anos anteriores a 2011; indicadores que
não apresentavam mensuração compreensível; e que não se enquadravam em
dimensões de sustentabilidade.
“A construção dos indicadores deve garantir que eles sejam capazes de representar o
que está sendo estudado, bem como deve envolver dimensões da sustentabilidade” (Sá
et al, 2024, p.2). Sendo assim, os vinte e seis indicadores escolhidos foram distribuídos
nas cinco dimensões a saber: ambiental, educacional, social, política/institucional e
econômica. Posteriormente seguimos para a validação dos IS utilizando o método Delphi,
que se destaca como uma abordagem amplamente utilizada para alcançar o consenso
entre especialistas, especialmente em pesquisas voltadas à elaboração de instrumentos
avaliativos de caráter qualitativo e participativo (Minayo, 2009).
4
O documento recomenda diretrizes para a implantação, funcionamento e melhoria da organização dos Centros
de Educação Ambiental-CEA, e dá outras orientações (Brasil, 2011).
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O método Delphi tem sido bastante utilizado como ferramenta de apoio à
tomada de decisão de prospectivos cenários. Esse método possibilita
reconhecer as limitações de um sistema, bem como filtrar aspectos
irrelevantes para o estudo [...] auxiliando na redução de incertezas,
contribuindo para a consolidação do objeto de estudo e fortalecendo a
precisão e qualidade dos resultados obtidos (Sá et al, 2024, p.2).
Esse procedimento possibilitou a obtenção de consenso progressivo, permitindo que
especialistas revissem suas respostas à luz das considerações dos demais participantes.
Caracterizou-se, portanto, por um processo iterativo, no qual as rodadas sucessivas de
questionários online permitiram o refinamento das respostas, aproximando-as de uma
avaliação consensual. Corroborando com Linstone e Turoff (2002), a técnica foi
fundamentada em quatro elementos essenciais: anonimato dos participantes, iteração,
feedback controlado e resumo estatístico das respostas, o que assegura a validade dos
resultados e minimiza a influência de vieses individuais.
O processo delphiano de validação compreendeu as seguintes etapas: - enquadramento
dos IS dentro das dimensões da sustentabilidade; - definição dos descritores dos
objetivos dos IS: - seleção dos especialistas; - análise das respostas; - reformulação dos
indicadores. Convidamos para a validação indivíduos que possuíam conhecimento
técnico, científico ou empírico aprofundado sobre o tema dos CECSA para oferecer
julgamentos qualificados, fundamentados em sua experiência e trajetória profissional.
Os critérios para compor o grupo de especialistas
5
na validação foram: - possuir titulação
mínima de mestre; - possuir cadastro ativo na plataforma do CNPq; - atuar/conhecer
sobre a temática dos Centros de Educação e Cooperação Socioambiental. Foram
convidados quinze especialistas
6
representantes de centros de todo o Brasil e/ou
pesquisadores que trabalham com as temáticas de CECSA, dos quais sete aceitaram o
convite de integrar o grupo conforme está descrito no quadro 1 abaixo:
O quadro abaixo demonstra que os especialistas eram qualificados para realizarem o
processo de validação, que se subdividiu em dois tipos: a qualitativa e a de conteúdo.
Nesta, foram analisados se as questões elaboradas atendiam aos elementos de
“Objetividade, Fidedignidade, Relevância, Neutralidade e Vulnerabilidade”, escolhidos a
partir de Crestani, Moraes e Souza (2017) e detalhados abaixo no quadro 2. Em
referência àquela, averiguou-se se o indicador atendia aos objetivos propostos e se
estava adequado à dimensão da sustentabilidade em que foi inserido.
5
“São pessoas com competência reconhecida em determinado campo de conhecimento, cuja opinião é
considerada válida e relevante para a construção de consenso” (Wright e Giovinazzo, 2000, p. 56).
6
Seguindo aos conceitos éticos da pesquisa foi garantido o anonimato e participação voluntária dos partícipes,
podendo o especialista desistir ou retirar seu consentimento de participação a qualquer momento, caso se
sentisse constrangido(a) ou incomodado(a) ao responder alguma resposta.
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Quadro 1. Perfil dos especialistas
Gênero
Etnia
Idade
Titulação
Tempo De
Atuação
masculino
pardo
entre 20 até
59 anos
Pós-
Doutorado
entre 5 e 9 anos
masculino
branco
entre 20 até
59 anos
Doutorado
a menos de 4
anos
masculino
branco
entre 20 até
59 anos
Doutorado
a menos de 4
anos
feminino
branco
entre 20 até
59 anos
Mestrado
a menos de 4
anos
feminino
branco
entre 20 até
59 anos
Mestrado
a menos de 4
anos
masculino
pardo
entre 20 até
59 anos
Doutorando
entre 15 e 19
anos
feminino
branco
entre 20 até
59 anos
Mestrado
entre 5 e 9 anos
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
Quadro 2. Critérios usados para validação dos indicadores
Critérios
Descrição
Objetividade
Apresenta vocabulário acessível, com poucos termos técnicos e de fácil
compreensão para o público esperado (líderes de comunidades tradicionais,
líderes de ONGs, líderes de comitês, líderes de associações comunitárias,
líderes de cooperativas, secretários de órgãos, superintendentes, gestores
de unidades de conservação).
Fidedignidade
O enunciado apresenta, de maneira explícita ou implícita, elementos que
podem contribuir para a construção dos indicadores socioambientais, o
diagnóstico da realidade socioambiental do entrevistado, bem como para o
mapeamento das ações e projetos que envolvem Educação Ambiental.
Relevância
A questão aborda um assunto relevante que possibilita analisar, conforme
a opinião dos participantes, possíveis indicativos da abordagem de
questões socioambientais.
Neutralidade
O enunciado da questão não é tendencioso e nem influencia no
direcionamento da resposta do respondente.
Vulnerabilidade
Avaliar se o questionamento protege e mantém os princípios éticos da
pesquisa. Se as perguntas não impõem julgamentos ou termos técnicos
que gerem constrangimento, ou se ainda evidencia grupos mais expostos
e minoritários
Fonte: Elaborado pelas autoras a partir de Crestani, Moraes e Souza (2017) (2025).
Cada um dos elementos foi julgado por meio da escala Likert de cinco pontos, distribuída
da seguinte forma: 1 (discordo totalmente); 2 (discordo); 3 (indiferente); 4 (concordo);
e 5 (concordo totalmente) (Likert, 1932). Para facilitarmos a análise dos IS, foi elaborado
um código alfanumérico para cada indicador socioambiental. A primeira letra, “D”, se
refere à dimensão a qual o indicador se refere, indo de 1 a 5. A segunda letra “I” sinaliza
o indicador seguida pelos numerais de ordem. Abaixo na figura 1 segue um exemplo de
como cada IS foi validado:
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Figura 3. Exemplo da validação
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
A validação envolveu dois rounds, como é chamada cada fase de avaliação do
instrumento (Antunes, 2014). Após cada round procedemos com as análises, até
atingirmos o nível de consenso superior a 75%, finalizando com os ajustes recomendados
sanados. Após o retorno das contribuições dos especialistas, procedeu-se à
sistematização analítica das avaliações, contemplando tanto uma abordagem
quantitativa, com a tabulação da frequência das respostas atribuídas a cada indicador,
quanto uma abordagem qualitativa, voltada à análise dos comentários, sugestões e
críticas apresentadas.
Os IS foram revistos e aprimorados de forma contínua ao longo das etapas do processo
de validação, com a colaboração ativa dos diferentes participantes, cujas observações e
críticas construtivas, fundamentadas em suas experiências e conhecimentos sobre os
CECSA, contribuíram significativamente para o seu aperfeiçoamento.
Validação dos Indicadores Socioambientais
A construção e aplicação de IS em pesquisas que envolvem CECSAs exigem cuidado
metodológico e sensibilidade às multidimensionalidades envolvidas. Nesse processo,
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contar com a colaboração de pessoas com experiência ou conhecimento contextual foi
fundamental para garantir a relevância e a legitimidade dos indicadores utilizados.
A validação colaborativa dos IS permitiu verificarmos se eles realmente capturam os
aspectos mais significativos dos territórios onde os CECSAs serão implantados, podendo
contribuir posteriormente com a promoção da justiça socioambiental, o fortalecimento
da cidadania ecológica, a gestão participativa dos recursos naturais e a valorização dos
saberes locais (Reed et al., 2008). Além disso, contribuiu para assegurar que os
indicadores sejam compreensíveis, mensuráveis e aplicáveis ao contexto específico de
cada centro, evitando generalizações indevidas. Na tabela 4 a seguir está descrito o Nível
de Consenso (NC) de cada um dos IS obtido entre os especialistas em cada um dos dois
rounds.
O ponto de corte foi baseado no nível de consenso (NC) 75%; portanto, o somatório
das notas Σ 4 (concordo) e 5 (concordo totalmente) deveriam ser iguais ou superior ao
NC. Os indicadores que não atingiram o NC foram excluídos (Sá et al, 2024). Após a
finalização das rodadas, os IS foram agrupados em: - SA: Sem Alterações; - AR: Aceito
com Ressalvas; - I: Incluído; - EDI: Excluído por dados insuficientes (grafados em
vermelho na tabela).
Na dimensão ambiental, apesar de o IS (D1I1) - Índice de qualidade da água e do ar ter
sido aprovado sem alterações, necessitamos retirá-lo de nossa matriz devido à falta de
dados no tocante à qualidade do ar e da água por município sergipano. Já o IS (D1I2) -
Taxa de desmatamento e cobertura vegetal, teve sua nomenclatura alterada para Taxa
de desertificação, por conta da disponibilidade dos dados fornecidos pelo Programa de
Ação Estadual de Combate à Desertificação. O IS (D1I3) - Quantidade de áreas de
preservação ambiental, foi alterado para Quantidade de Áreas de Preservação
Permanente (APP), uma vez que a categoria de Áreas de Proteção Ambiental (APA)
integra o IS referente às Unidades de Conservação (UC). Por fim, o IS Gestão de resíduos
sólidos e de recursos dricos foi desmembrado em dois IS, por conta dos consórcios e
comitês possuírem funções e localizações divergentes.
Na dimensão educacional, houve duas alterações: o IS (D2I4) - Unidades de Educação
Básica foi excluído por estar incluído no IS (D2I4) - Disponibilidade de instituições de
ensino; e o indicador (D2I5) IDEB passou a ter sua grafia por extenso (Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica). Os demais IS foram aprovados sem alterações.
Na dimensão social, houve a necessidade de exclusão de dois IS pela dificuldade de
obtenção de dados para o levantamento: o (D3I1) - Participação da comunidade em
iniciativas socioambientais e o (D3I5) - Percepção da comunidade sobre a importância
da educação ambiental de base comunitária. Os demais IS foram aprovados sem
modificações.
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Tabela 4. Resultado da primeira e segunda rodadas do método Delphi
INDICADORES SOCIOAMBIENTAIS
1º Round
2º Round
Σ 4 e 5
(%)
Situação
Σ 4 e 5
(%)
Situação
DIMENSÃO
AMBIENTAL
(D1I1) - Índice de qualidade da água e do ar.
93%
AR
93%
EDI
(D1I2) - Taxa de desmatamento e cobertura
vegetal.
93%
AR
90%
SA
(D1I3) - Quantidade de áreas de preservação
ambiental.
93%
AR
96%
AR
(D1I4) - Gestão de resíduos sólidos e de
recursos hídricos.
86%
AR
95%
AR
(D1I5) - Presença de Unidades de Conservação.
75%
AR
97%
SA
DIMENSÃ
O
EDUCACIO
NAL
(D2I1) - Taxa de alfabetização
86%
SA
98%
SA
(D2I2) - Nível de escolaridade da população
86%
SA
98%
SA
(D2I3) - Disponibilidade de escolas e
instituições educacionais
93%
SA
99%
SA
(D2I4) - Unidades de educação básica
93%
SA
99%
E
(D2I5) – IDEB
93%
AR
98%
SA
DIMENSÃO SOCIAL
(D3I1) - Participação da comunidade em
iniciativas socioambientais
75%
AR
99%
EDI
(D3I2) - Existência de parcerias entre
organizações não governamentais, associações
e comunidade local
91%
AR
97%
SA
(D3I3) - Existência de Espaços Comunitários E
Culturais.
93%
AR
98%
SA
(D3I4) - Participação da sociedade civil em
consultas públicas e audiências relacionadas ao
tema
93%
AR
99%
EDI
(D3I5) - Percepção da comunidade sobre a
importância da educação ambiental de base
comunitária
93%
AR
99%
EDI
(D3I6) - Existência de movimentos sociais com
iniciativas socioambientais
100%
SA
100%
SA
DIMENSÃO
POLÍTICA/
INSTITUCIONAL
(D4I1) - Atuação institucional
99%
SA
99%
SA
(D4I2) - Avaliação de políticas públicas
93%
AR
99%
SA
(D4I3) - Efetividade na implementação de
políticas públicas de educação ambiental
93%
AR
98%
EDI
(D4I4) - Nível de alinhamento entre as políticas
locais e as nacionais
93%
AR
96%
EDI
(D4I5) - Grau de aderência da comunidade às
diretrizes estabelecidas
93%
AR
95%
EDI
DIMENSÃO
ECONÔMICA
(D5I1) - Viabilidade econômica e infraestrutura
75%
AR
91%
SA
(D5I2) - Previsibilidade de local para a
construção dos centros
91%
SA
96%
SA
(D5I3) - Orçamento disponível para a
implementação dos centros
93%
AR
96%
SA
(D5I4) - Identificação de fontes de
financiamento e captação de recursos
86%
AR
92%
SA
(D5I5) - Análise do retorno sobre o
investimento a longo prazo
93%
AR
92%
EDI
(D1I4) - Gestão de resíduos sólidos
Incluído
95%
SA
(D1I5) - Gestão de recursos hídricos
Incluído
95%
SA
(D4I3) - Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)
Incluído
92%
SA
Legenda: SA: Sem Alterações; AR: Aceito com Ressalvas; EDI: Excluído por dados insuficientes,
E: Excluído.
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
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Na dimensão política/institucional devido à dificuldade de mensuração e/ou levantamento
de dados para alimentar os indicadores, três deles foram excluídos: (D4I3) - Efetividade
na implementação de políticas públicas de educação ambiental, (D4I4) - Nível de
alinhamento entre as políticas locais e as nacionais, (D4I5) - Grau de aderência da
comunidade às diretrizes estabelecidas. Ademais, o IS (D4I3) - Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) foi incluído, a partir das observações dos especialistas sobre a
necessidade de desmembramento do LDO, antes integrante como fonte documental do
indicador (D5I4) - Identificação de fontes de financiamento e captação de recursos, e de
seu remanejamento da dimensão econômica para a política/institucional. Os demais
seguiram sem ressalvas.
Na dimensão econômica, O IS (D5I2) Previsibilidade de Local foi excluído, mesmo tendo
sido validado, por não termos conseguido obter o mapeamento de locais da união ou
demais espaços nos territórios em que possam ser implementados os futuros centros. O
IS (D5I5) - Análise do retorno sobre o investimento a longo prazo, também foi excluído
por referir-se a momentos posteriores a implementação dos CECSA, pois permite avaliar
a sustentabilidade econômica e social das ações desenvolvidas, bem como o impacto das
atividades educativas ou socioambientais. Os demais permaneceram inalterados. Por fim,
dos vinte e seis indicadores socioambientais validados, dezoito deles compõem a nossa
MIS, conforme é possível observar na figura 2 abaixo:
Figura 5. Indicadores Socioambientais por dimensão após a validação
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
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As contribuições obtidas por meio da validação possibilitaram a ratificação das dimensões
e dos indicadores, além da definição de descritores e métricas mais precisos. Nesse
sentido, Vieira (2021) e Pezzi e Lima (2023) reforçam a necessidade de construir
matrizes de indicadores que expressem dimensões formativas, éticas e políticas,
vinculadas à transformação socioambiental requerida. Essa abordagem é especialmente
relevante nos CECSAs, pois articulam práticas pedagógicas e de gestão participativa em
contextos territoriais específicos. Assim, seguimos com a descrição da Matriz de
Indicadores Socioambientais (MIS) adotada pela presente pesquisa.
A matriz de indicadores socioambientais como instrumento de
planejamento e gestão de CECSA
A construção de uma Matriz de Indicadores Socioambientais (MIS) constitui um
instrumento estratégico para o diagnóstico e a gestão de territórios, permitindo
compreender de forma integrada as multidimensionalidades inerentes a territórios em
que serão implementados CECSA (Pezzi e Lima, 2023). De acordo com os autores, a MIS
pode ser definida como um sistema estruturado de variáveis e critérios que traduzem a
realidade socioambiental em informações mensuráveis e interpretáveis, servindo de base
para planejamento, monitoramento e avaliação de políticas e projetos sustentáveis nos
centros, como podemos observar no quadro 3 a seguir:
Quadro 6. Matriz de Indicadores Socioambientais (MIS)
DIMENSÕES
INDICADORES
SOCIOAMBIENTAIS
OBJETIVOS
FONTES DE
VERIFICAÇÃO
QUANTITATIVO
(Absoluto ou
relativo)
PESO
(porcenta-
gem
obtida pelo
NC na
validação)
AMBIENTAL
D1I1 - UNIDADES DE
CONSERVAÇÃO
Verificar em quais territórios sergipanos
existem UCs o e como elas podem
colaborar com os CECS para proteger e
conservar espécies em risco de extinção,
preservar e restaurar recursos naturais e
ecossistemas, valorizar a diversidade
biológica e promover o desenvolvimento
sustentável a atividades científicas.
ICMBio,
Secretarias de
Meio Ambiente,
pesquisas
acadêmicas
Número absoluto
de UC por
município
97%
D1I2 - QUANTIDADE
DE ÁREAS DE
PRESERVAÇÃO
PERMANENTE.
Identificar como as APPs dos territórios
sergipanos podem colaborar com os CECS
para garantir a proteção e conservação de
atributos bióticos, abióticos, estéticos ou
culturais importantes para a qualidade de
vida da população
Consulta pública
ao Cadastro
Ambiental Rural
(CAR)
Número absoluto
de APPs por
município
96%
D1I3 - TAXA DE
DESERTIFICAÇÃO
Revelar como elemento físico do
agroecossistema se relaciona à proteção
do solo e dos recursos hídricos, e à
proteção das áreas cultivadas como
barreiras de proteção. Além disso, pode
demonstrar um importante papel no
equilíbrio dos demais elos da cadeia,
criando condições a outros organismos
Programa de
Ação Estadual de
Combate à
Desertificação e
Mitigação dos
Efeitos da Seca
(PAE)
Número absoluto
de áreas
desertificadas por
município
90%
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para a prestação de uma série de serviços
ecológicos (Skorupa, Saito, Neves, 2003)
D1I4 - GESTÃO DE
RECURSOS
HÍDRICOS.
Compreender como o sistema de
vigilância sobre os níveis de qualidade da
água de mananciais estão estabelecidos
nos territórios sergipanos e fazer a ligação
entre a gestão da qualidade e quantidade
da água com a atuação dos futuros CECS,
a fim de promover e fortalecer a relação
entre a gestão de recursos hídricos e do
Meio Ambiente em Sergipe.
Agência Nacional
de Águas e
Saneamento
Básico (ANA)
Número absoluto
de Comitês de
Bacias
Hidrográficas
95%
D1I5 - GESTÃO DE
RESÍDUOS SÓLIDOS.
Evidenciar a coerência entre as práticas
internas do espaço e os princípios da EA
que ele promove, fortalecendo a
articulação com políticas públicas e
incentivando a participação da
comunidade na construção de uma cultura
de responsabilidade compartilhada
Sistema Nacional
de Informações
sobre a Gestão
de Resíduos
Sólidos (SINIR)
MMA
Número absoluto
de Consórcios de
Resíduos Sólidos
95%
EDUCACIONAL
D2I1 - TAXA DE
ALFABETIZAÇÃO
Identificar o perfil educacional básico da
população sergipana para avaliar onde os
CECS poderiam contribuir para o
melhoramento nos índices
INEP
Número relativo
calculado a partir
da taxa de
alfabetização
98%
D2I2 - NÍVEL DE
ESCOLARIDADE DA
POPULAÇÃO
Orientar o planejamento das ações
educativas, permitindo adequar a
linguagem, os métodos e os conteúdos às
necessidades e capacidades do público,
favorecendo a inclusão e a efetividade das
práticas socioambientais dos CECSA.
IBGE
Número relativo
calculado a partir
da taxa de
escolarização
98%
D2I3 -
DISPONIBILIDADE DE
ESCOLAS E
INSTITUIÇÕES
EDUCACIONAIS
Identificar espaços educacionais que
possam se somar nas redes de interação
com os CECSA
Secretarias de
Educação, IES e
informações
públicas da
internet
Número de
instituições
escolares a nível
municipal,
estadual e federal
99%
D2I4 ÍNDICE DE
DESENVOLVIMENTO
DA EDUCAÇÃO
BÁSICA (IDEB)
Refletir a qualidade da educação básica
local, ajudando a identificar contextos
com maiores desafios educacionais e a
direcionar ações socioambientais
integradas ao fortalecimento da educação
e da cidadania
Instituto Nacional
de Estudos e
Pesquisas
Educacionais
Anísio Teixeira
(Inep)
Número relativo
calculado a partir
do IDEB por
município
98%
SOCIAL
D3I1 - EXISTÊNCIA
DE PARCERIAS ENTRE
ORGANIZAÇÕES NÃO
GOVERNAMENTAIS,
ASSOCIAÇÕES E
COMUNIDADE LOCAL.
Revelar o grau de organização social e o
potencial de parcerias locais, favorecendo
a articulação comunitária e o
desenvolvimento de ações conjuntas em
educação e cooperação socioambiental.
Informações
públicas na
internet
Número absoluto
de ONGs por
município
97%
D3I2 - EXISTÊNCIA
DE ESPAÇOS
COMUNITÁRIOS E
CULTURAIS.
Demonstrar o potencial de articulação e
mobilização social, oferecendo locais
adequados para promover atividades
educativas, culturais e socioambientais
integradas à comunidade, além de
verificar como esses espaços podem
contribuir para a sustentabilidade das
ações dos CECS
Informações
públicas na
internet
Número absoluto
de espaços
abertos ao público
relacionados à EA
por município
98%
D3I3 - EXISTÊNCIA
DE MOVIMENTOS
SOCIAIS COM
INICIATIVAS
SOCIOAMBIENTAIS
Compreender se movimentos
sociais desempenham um papel
fundamental na promoção da
sustentabilidade, sendo agentes de
mudança e mobilização da sociedade em
prol de práticas mais sustentáveis,
mobilizando comunidades, pressionando
por políticas públicas e práticas
empresariais responsáveis, e promovem
educação ambiental.
Informações
públicas na
internet
Número absoluto
de Movimentos
Sociais por
município
100%
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POLÍTICA/INSTITUCIONAL
D4I1 - ATUAÇÃO
INSTITUCIONAL
Identificar como as instituições nas
distintas esferas têm atuado para
desenvolverem ações de EA e mostrar o
comprometimento e a capacidade em
apoiar políticas e ações socioambientais,
fortalecendo a rede de cooperação e a
efetividade das iniciativas do Centro.
Informações
públicas sobre o
desenvolvimento
de projetos de
EA na internet,
IES e Secretarias
de Educação e de
Meio Ambiente
Número absoluto
de unidades da
educação básica e
IES que
desenvolvem
projetos de EA
por município
99%
D4I2 - AVALIAÇÃO
DE POLÍTICAS
PÚBLICAS
Verificar a existência de políticas públicas
sobre EA para identificar avanços,
desafios e lacunas nas ações
governamentais, orientando o Centro a
propor e fortalecer práticas
socioambientais mais eficazes e
participativas.
Informações
públicas na
internet,
Instrumentos
normativos e
Fontes
institucionais
Número absoluto
de municípios que
possuem políticas
públicas sobre EA
99%
D4I3 LEI DE
DIRETRIZES
ORÇAMENTÁRIAS
(LDO)
Identificar o grau de prioridade e de
institucionalização das ações
socioambientais nas políticas públicas
locais. A presença de metas e dotações
específicas na LDO demonstra o
comprometimento governamental com o
financiamento e a continuidade das
iniciativas voltadas à EA, à formação
cidadã e à sustentabilidade territorial
Informações
públicas nos sites
das prefeituras
municipais
Número absoluto
de destinações
para a seara
socioambiental
por município
96%
ECONÔMICA
D5I1 - VIABILIDADE
ECONOMICA E
INFRAESTRUTURA
Garantir a continuidade e a expansão das
atividades do Centro. A viabilidade
econômica assegura o financiamento das
operações e a infraestrutura adequada
provê as condições físicas e materiais
necessárias para a realização dos
programas de educação e cooperação
socioambiental de forma eficaz.
Dados
demográficos
(IBGE)
Número relativo
calculado a partir
da análise
demográfica e
renda por
município
91%
D5I2 -
PREVISIBILIDADE DE
LOCAL PARA A
CONSTRUÇÃO DOS
CENTROS
Identificar a existência de locais que
possam sediar os CECS, ou ainda de
terrenos onde possam ser construídos
Secretaria de
Patrimônio da
União (Espaços
sem uso)
Número absoluto
de patrimônios da
União
96%
D5I3 - ORÇAMENTO
DISPONÍVEL PARA A
IMPLEMENTAÇÃO
DOS CENTROS
Verificar a existência de fundos
financeiros, recursos físicos e de
pessoal que possam ser captados e
destinados aos futuros centros, a exemplo
de editais, termos de cooperação etc.
Emendas
parlamentares,
termos de
cooperação,
fundos,
compensação e
editais
Número relativo
de emendas
parlamentares,
termos de
cooperação e
editais sobre os
CECSAs
96%
D5I4 -
IDENTIFICAÇÃO DE
FONTES DE
FINANCIAMENTO E
CAPTAÇÃO DE
RECURSOS (PPA, LO)
Verificar a existência de fundos
financeiros destinados à seara ambiental
Informações
públicas acerca
do PPA e LO nos
sites das
prefeituras
municipais
Número relativo
de financiamentos
para a seara
socioambiental
92%
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025)
De forma prática, a matriz organiza um conjunto de IS distribuídos em cinco dimensões
interdependentes e interconectadas, com seus respectivos objetivos. Outrossim, sinaliza
quais são as fontes de verificação dos dados a serem levantados, bem como o
quantitativo que pode ser expresso em meros absolutos ou relativos, além do peso de
cada indicador, aferido pelo nível de consenso dos especialistas obtido na validação.
Quanto aos números relativos a serem utilizados, principalmente na dimensão
econômica, os valores maiores equivalem a 100, sendo seguidos em proporcionalidade
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em ordem decrescente pelos menores valores. Tal adaptação se deu pela necessidade
de equivalência numérica entre as dimensões nos levantamentos e conclusão dos
indicadores.
Nesse caminho, cada IS revela aspectos-chave da sustentabilidade e auxilia na
identificação de demandas locais, no planejamento de estratégias educativas e na
definição de critérios para alocação de recursos (Vieira, 2021). Essa estrutura pode
permitir que o processo de criação dos CECSAs seja conduzido de modo participativo,
contextualizado e territorializado, valorizando os saberes locais e fortalecendo a gestão
democrática dos espaços socioambientais.
Segundo Sachs (2004), a sustentabilidade é alcançável quando o desenvolvimento é
ao mesmo tempo ecologicamente prudente, socialmente justo e economicamente viável,
e isso requer instrumentos que permitam articular essas dimensões. Nesse sentido, a
MIS torna-se um meio de integração entre o diagnóstico técnico e o diálogo social,
favorecendo a cooperação multidimensional entre gestores, educadores, instituições e
comunidades.
Outro aspecto fundamental é o papel democrático que possuem. Santos e Cavalcanti
(2014) destacam que, ao sistematizarmos os dados sobre meio ambiente e qualidade de
vida, esses instrumentos fortalecem a transparência e a participação social, promovendo
o controle social das ações governamentais. Considerando essa assertiva, realizaremos
entrevistas com líderes de comunidades tradicionais, de ONGs, de comitês, de
associações comunitárias, de cooperativas, secretários de órgãos, superintendentes e
gestores de UC nos municípios de cada um dos oito territórios com os maiores
indicadores. A intenção é que os dados levantados possam ser corroborados ou refutados
pela comunidade. Os resultados embasarão as discussões de outro manuscrito.
Mediante o exposto foi possível apercebermos que a MIS não é apenas um instrumento
técnico de diagnóstico, mas um dispositivo político-pedagógico, que promove o diálogo
entre ciência e comunidade, potencializando a gestão territorial e fortalecendo os
princípios da EA crítica e emancipatória (Carvalho, 2012). Ao subsidiar o mapeamento,
planejamento e implementação dos CECSAs, ela contribui para a consolidação de redes
de cooperação socioambiental, ancoradas em valores de justiça social, sustentabilidade
e participação coletiva.
Portanto, construir uma MIS não se trata apenas um exercício técnico, mas um ato
político e educativo, que promove o reconhecimento da diversidade socioecológica dos
territórios e orienta a criação de espaços de formação, reflexão e ação coletiva (Pezzi e
Lima, 2023). Para além de compor um diagnóstico territorial, essa ferramenta pode
tornar-se, assim, fundamental para o planejamento e a sustentabilidade dos CECSA, ao
alinhar ciência, gestão e cidadania na busca por sociedades mais justas e
ambientalmente responsáveis.
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Considerações Finais
Os CECSAs apresentam-se como espaços fundamentais para a promoção de processos
educativos sustentáveis em um contexto marcado pelos desafios socioambientais
contemporâneos. Nesse cenário, os IS assumem um papel estratégico, ao permitir que
informações dispersas sejam transformadas em conhecimento sistematizado,
favorecendo a avaliação de impactos e a tomada de decisão fundamentada.
Sob essa perspectiva, os IS possibilitam quantificar e qualificar aspectos importantes do
território em suas multidimensionalidades, assumindo função tática ao transformar dados
técnicos em informações compreensíveis e socialmente relevantes. Possibilitam assim, a
interpretação da realidade para implementação dos futuros centros de maneira mais
profícua.
Com vistas a abarcar a multidimensionalidade inerente à sociedade, os IS foram
organizados nas dimensões da sustentabilidade ambiental, educacional, social,
política/institucional e econômica. Em síntese, o método Delphi configurou-se como um
instrumento metodológico potente para a validação dos indicadores, pois permitiu o
refinamento coletivo de ideias, a transparência no processo decisório e o equilíbrio entre
rigor cnico e participação social. Ao ser aplicado nesse campo, contribuiu não apenas
para a confiabilidade e relevância dos IS, mas também para a construção de
conhecimentos compartilhados e contextualizados, em consonância com os princípios da
sustentabilidade e da EA crítica.
Assim, a validação participativa dos indicadores socioambientais não se constituiu apenas
como um recurso metodológico, mas como etapa essencial para que a pesquisa refletisse,
com fidelidade e respeito, a complexidade das práticas socioeducativas e ambientais que
serão desenvolvidas nos Centros de Educação e Cooperação Socioambiental. Trata-se,
portanto, de um esforço necessário para que esses centros se tornem exemplos vivos da
EA que se propõem a realizar.
A elaboração e proposição de uma MIS antes da implantação de CECSAs apresenta
relevância científica significativa, pois contribui para o avanço metodológico no campo
do diagnóstico territorial, da gestão socioambiental e da EA. Ao integrar variáveis
multidimensionais em um instrumento analítico, a matriz possibilita mapeamentos mais
precisos e contextualizados, orientando decisões fundamentadas e evitando ações
fragmentadas ou desvinculadas da realidade territorial.
Os IS aprovados e excluídos nesse estudo podem ser utilizados em outras realidades que
disponham de dados capazes de alimentá-los. Ademais, o estudo amplia o debate
acadêmico sobre planejamento participativo e avaliação de políticas socioambientais,
oferecendo uma ferramenta replicável e validável em diferentes contextos de gestão e
educação para a sustentabilidade. O estudo desenvolvido não intencionou ser conclusivo,
mas espera-se que as reflexões aqui apresentadas contribuam para enfrentar lacunas e
ambiguidades presentes nas produções científicas sobre a temática, bem como para a
legitimação de alguns IS como diretrizes para a implantação de centros brasileiros.
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Nesse sentido, a MIS pode colaborar com a compreensão das dinâmicas territoriais,
articulando dimensões ambientais, sociais, culturais, políticas e econômicas, de modo a
subsidiar decisões mais justas e eficazes sobre a criação e o fortalecimento dos futuros
CECSAs no Estado de Sergipe. Ademais, suscitará propostas pedagógicas que orientem
ações educativas contextualizadas e territorializadas. Por fim, os IS podem ser usados
não apenas com o mapeamento territorial para uma implementação assertiva, mas
também como instrumentos de diagnóstico e monitoramento contínuo que viabilizem o
acompanhamento de impactos, o aperfeiçoamento das práticas e a (re)formulação de
políticas públicas após a implantação dos CECSAs.
Referências
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Bellen, Hans Michael van (2006). Indicadores de sustentabilidade: uma análise
comparativa. Rio de Janeiro: FGV.
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e institui a Política Nacional de Educação Ambiental. Diário Oficial da União, Brasília.
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e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17 Nº. 1, DT 2
Dossiê Temático Educação Ambiental, democracia e participação social
no enfrentamento da crise civilizatória provocada pelas mudanças climáticas globais
Julho 2026, pp. 40-59
Entre Métricas e Práticas: A Validação e a Construção da Matriz de Indicadores
Socioambientais para Centros de Educação e Cooperação Socioambiental
Luanne Michella Bispo Nascimento, Aline Lima De Oliveira Nepomuceno,
Gabriela Faria Santos, Lucielle Barros Soares
58
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