JANUS.NET, e-journal of International Relations
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17 Nº. 1, DT 2
Dossiê Temático – Educação Ambiental, democracia e participação social
no enfrentamento da crise civilizatória provocada pelas mudanças climáticas globais
Julho 2026, pp. 40-59
Entre Métricas e Práticas: A Validação e a Construção da Matriz de Indicadores
Socioambientais para Centros de Educação e Cooperação Socioambiental
Luanne Michella Bispo Nascimento, Aline Lima De Oliveira Nepomuceno,
Gabriela Faria Santos, Lucielle Barros Soares
em ordem decrescente pelos menores valores. Tal adaptação se deu pela necessidade
de equivalência numérica entre as dimensões nos levantamentos e conclusão dos
indicadores.
Nesse caminho, cada IS revela aspectos-chave da sustentabilidade e auxilia na
identificação de demandas locais, no planejamento de estratégias educativas e na
definição de critérios para alocação de recursos (Vieira, 2021). Essa estrutura pode
permitir que o processo de criação dos CECSAs seja conduzido de modo participativo,
contextualizado e territorializado, valorizando os saberes locais e fortalecendo a gestão
democrática dos espaços socioambientais.
Segundo Sachs (2004), a sustentabilidade só é alcançável quando o desenvolvimento é
ao mesmo tempo ecologicamente prudente, socialmente justo e economicamente viável,
e isso requer instrumentos que permitam articular essas dimensões. Nesse sentido, a
MIS torna-se um meio de integração entre o diagnóstico técnico e o diálogo social,
favorecendo a cooperação multidimensional entre gestores, educadores, instituições e
comunidades.
Outro aspecto fundamental é o papel democrático que possuem. Santos e Cavalcanti
(2014) destacam que, ao sistematizarmos os dados sobre meio ambiente e qualidade de
vida, esses instrumentos fortalecem a transparência e a participação social, promovendo
o controle social das ações governamentais. Considerando essa assertiva, realizaremos
entrevistas com líderes de comunidades tradicionais, de ONGs, de comitês, de
associações comunitárias, de cooperativas, secretários de órgãos, superintendentes e
gestores de UC nos municípios de cada um dos oito territórios com os maiores
indicadores. A intenção é que os dados levantados possam ser corroborados ou refutados
pela comunidade. Os resultados embasarão as discussões de outro manuscrito.
Mediante o exposto foi possível apercebermos que a MIS não é apenas um instrumento
técnico de diagnóstico, mas um dispositivo político-pedagógico, que promove o diálogo
entre ciência e comunidade, potencializando a gestão territorial e fortalecendo os
princípios da EA crítica e emancipatória (Carvalho, 2012). Ao subsidiar o mapeamento,
planejamento e implementação dos CECSAs, ela contribui para a consolidação de redes
de cooperação socioambiental, ancoradas em valores de justiça social, sustentabilidade
e participação coletiva.
Portanto, construir uma MIS não se trata apenas um exercício técnico, mas um ato
político e educativo, que promove o reconhecimento da diversidade socioecológica dos
territórios e orienta a criação de espaços de formação, reflexão e ação coletiva (Pezzi e
Lima, 2023). Para além de compor um diagnóstico territorial, essa ferramenta pode
tornar-se, assim, fundamental para o planejamento e a sustentabilidade dos CECSA, ao
alinhar ciência, gestão e cidadania na busca por sociedades mais justas e
ambientalmente responsáveis.