A dimensão política da Educação Ambiental também ocupa lugar central nesta
edição. Num cenário marcado pela emergência climática e pela ampliação das injustiças
socioambientais, os artigos reafirmam a necessidade de compreender a educação como
prática social voltada à formação de sujeitos capazes de analisar criticamente a realidade
em que vivem, buscando alternativas para reagir e construir novos cenários. Mais do que
sensibilizar para os problemas ambientais, trata-se de contribuir para a construção de
alternativas coletivas que fortaleçam valores de solidariedade, justiça, cooperação e
democracia.
Outro eixo temático relevante refere-se à articulação entre Educação Ambiental e os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações
Unidas (ONU). Os resultados apresentados revelam que, embora exista reconhecimento
da importância dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) entre
diferentes grupos sociais, persistem desafios relacionados com a compreensão crítica de
seus princípios e com a à sua efetiva incorporação nas práticas educativas e nas políticas
públicas. Tal constatação reforça a necessidade de processos formativos continuados que
promovam leituras contextualizadas da sustentabilidade, considerando as especificidades
territoriais, culturais e sociais dos diferentes contextos.
Questões relacionadas com o direito humano a água e o saneamento também são
contemplados nesta edição. Ao discutir os desafios para a implementação do ODS 6, os
autores evidenciam que a garantia desses direitos depende não apenas de investimentos
em infraestrutura e gestão pública, mas igualmente de processos educativos que
fortaleçam a consciência cidadã e a participação social na defesa do bem comum.
A Educação Ambiental aparece, nesse sentido, como elemento transversal para a
promoção da justiça hídrica e da sustentabilidade.
As contribuições voltadas para a análise de impactos socioambientais em territórios
específicos ampliam a compreensão das múltiplas formas pelas quais os processos de
desenvolvimento afetam comunidades e ecossistemas. O estudo sobre os impactos da
implantação da infraestrutura portuária na Amazónia evidencia a necessidade de
considerar as particularidades ambientais e sociais dos territórios amazónicos,
demonstrando como intervenções realizadas sem critérios de sustentabilidade podem
intensificar processos de degradação ambiental e vulnerabilidade social.
A edição também apresenta experiências concretas de construção de instrumentos e
práticas educativas comprometidas com empoderamento de diferentes grupos sociais. O
processo participativo de elaboração e validação de indicadores socioambientais para
implantação de Centros de Educação e Cooperação Socioambiental demonstra que a
produção de instrumentos de avaliação pode transcender sua dimensão técnica,
configurando-se como uma prática político-pedagógica orientada pela participação
coletiva e pelo fortalecimento das capacidades locais.
Nessa mesma direção, o relato da experiência desenvolvida na aldeia indígena Ka’apor
Zé Gurupi destaca a importância das ações educativas territorializadas e interculturais.
Ao integrar saberes tradicionais, práticas comunitárias e reflexões sobre os desafios
socioambientais contemporâneos, a experiência reafirma a importância de reconhecer os