OBSERVARE
Universidade Autónoma de Lisboa
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17 Nº. 1, DT2
Dossiê Temático Educação Ambiental, democracia
e participação social no enfrentamento da crise civilizatória
provocada pelas mudanças climáticas globais
Julho 2026
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EDITORIAL
MARÍLIA ANDRADE TORALES CAMPOS
mariliat.ufpr@gmail.com
Universidade Federal do Paraná, Curitiba (Brasil)
PEDRO NUNO GOMES BASTOS MARTINS
pedro.martins@aspea.org
Instituto Politécnico do Porto (Portugal)
FILOMENA MARIA CARDOSO PEDROSA FERREIRA MARTINS
filomena@ua.pt
Universidade de Aveiro (Portugal)
Como citar este editorial
Campos, Marília Andrade Torales, Martins, Pedro Nuno Gomes Bastos & Martins, Filomena Maria
Cardoso Pedrosa Ferreira (2026). Editorial. Janus.net, e-journal of international relations. VOL. 17
Nº. 1, DT 2 Dossiê Temático Educação Ambiental, democracia e participação social no
enfrentamento da crise civilizatória provocada pelas mudanças climáticas globais, Julho 2026, pp.
2-5. DOI https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT0526ED
JANUS.NET, e-journal of International Relations
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17 Nº. 1, DT 2
Dossiê Temático
Educação Ambiental, democracia e participação social no enfrentamento
da crise civilizatória provocada pelas mudanças climáticas globais
Julho 2026, pp. 2-5
Editorial Marília Andrade Torales Campos, Pedro Nuno Gomes Bastos Martins,
Filomena Maria Cardoso Pedrosa Ferreira Martins
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EDITORIAL
MARÍLIA ANDRADE TORALES CAMPOS
PEDRO NUNO GOMES BASTOS MARTINS
FILOMENA MARIA CARDOSO PEDROSA FERREIRA MARTINS
Num contexto marcado pelo agravamento das mudanças climáticas, pela perda acelerada
de biodiversidade, pela ampliação das desigualdades sociais e pela crescente
vulnerabilidade de populações e territórios, em decorrência de um processo civilizatório
que se anuncia cada vez mais insuficiente, diante de uma crise que atinge todo o sistema
de vida planetário, a Educação Ambiental reafirma sua relevância como campo de
conhecimento e prática social comprometido com a construção de alternativas que
precisam emergir no debate social cotidiano para ampliar a tomada de consciência por
parte da cidadania.
Os artigos reunidos nesta edição especial contribuem para repensar esse cenário, ao
apresentarem reflexões teóricas, investigações empíricas e relatos de experiências que
evidenciam a diversidade de perspetivas, contextos e abordagens que compõem o campo
da Educação Ambiental e os temas com ela relacionados. Mais especificamente, essas
contribuições se inserem no contexto e na realidade dos países de Língua Portuguesa
que, em sua maioria, estão localizados no sul global. Embora distintos nos objetos de
estudo e percursos metodológicos, os trabalhos convergem para uma compreensão
comum: a necessidade de fortalecer processos educativos capazes de promover
participação social, pensamento crítico, responsabilidade coletiva e compromisso ético
com a sustentabilidade da vida.
Um primeiro conjunto de artigos aborda a relação entre Educação Ambiental, cidadania
e participação social. Em diferentes perspetivas, os autores discutem a importância da
ação coletiva diante dos problemas socioambientais, destacando que a construção de
sociedades mais sustentáveis exige não apenas conhecimento técnico, mas também
processos participativos que fortaleçam o comprometimento democrático e a capacidade
de intervenção dos sujeitos em seus territórios. A participação emerge, assim, como
dimensão fundamental da Educação Ambiental crítica, constituindo-se simultaneamente
como objetivo formativo e estratégia de transformação social.
JANUS.NET, e-journal of International Relations
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17 Nº. 1, DT 2
Dossiê Temático
Educação Ambiental, democracia e participação social no enfrentamento
da crise civilizatória provocada pelas mudanças climáticas globais
Julho 2026, pp. 2-5
Editorial Marília Andrade Torales Campos, Pedro Nuno Gomes Bastos Martins,
Filomena Maria Cardoso Pedrosa Ferreira Martins
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A dimensão política da Educação Ambiental também ocupa lugar central nesta
edição. Num cenário marcado pela emergência climática e pela ampliação das injustiças
socioambientais, os artigos reafirmam a necessidade de compreender a educação como
prática social voltada à formação de sujeitos capazes de analisar criticamente a realidade
em que vivem, buscando alternativas para reagir e construir novos cenários. Mais do que
sensibilizar para os problemas ambientais, trata-se de contribuir para a construção de
alternativas coletivas que fortaleçam valores de solidariedade, justiça, cooperação e
democracia.
Outro eixo temático relevante refere-se à articulação entre Educação Ambiental e os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações
Unidas (ONU). Os resultados apresentados revelam que, embora exista reconhecimento
da importância dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) entre
diferentes grupos sociais, persistem desafios relacionados com a compreensão crítica de
seus princípios e com a à sua efetiva incorporação nas práticas educativas e nas políticas
públicas. Tal constatação reforça a necessidade de processos formativos continuados que
promovam leituras contextualizadas da sustentabilidade, considerando as especificidades
territoriais, culturais e sociais dos diferentes contextos.
Questões relacionadas com o direito humano a água e o saneamento também são
contemplados nesta edição. Ao discutir os desafios para a implementação do ODS 6, os
autores evidenciam que a garantia desses direitos depende não apenas de investimentos
em infraestrutura e gestão pública, mas igualmente de processos educativos que
fortaleçam a consciência cidadã e a participação social na defesa do bem comum.
A Educação Ambiental aparece, nesse sentido, como elemento transversal para a
promoção da justiça hídrica e da sustentabilidade.
As contribuições voltadas para a análise de impactos socioambientais em territórios
específicos ampliam a compreensão das múltiplas formas pelas quais os processos de
desenvolvimento afetam comunidades e ecossistemas. O estudo sobre os impactos da
implantação da infraestrutura portuária na Amazónia evidencia a necessidade de
considerar as particularidades ambientais e sociais dos territórios amazónicos,
demonstrando como intervenções realizadas sem critérios de sustentabilidade podem
intensificar processos de degradação ambiental e vulnerabilidade social.
A edição também apresenta experiências concretas de construção de instrumentos e
práticas educativas comprometidas com empoderamento de diferentes grupos sociais. O
processo participativo de elaboração e validação de indicadores socioambientais para
implantação de Centros de Educação e Cooperação Socioambiental demonstra que a
produção de instrumentos de avaliação pode transcender sua dimensão técnica,
configurando-se como uma prática político-pedagógica orientada pela participação
coletiva e pelo fortalecimento das capacidades locais.
Nessa mesma direção, o relato da experiência desenvolvida na aldeia indígena Ka’apor
Gurupi destaca a importância das ações educativas territorializadas e interculturais.
Ao integrar saberes tradicionais, práticas comunitárias e reflexões sobre os desafios
socioambientais contemporâneos, a experiência reafirma a importância de reconhecer os
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Educação Ambiental, democracia e participação social no enfrentamento
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Julho 2026, pp. 2-5
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Filomena Maria Cardoso Pedrosa Ferreira Martins
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povos indígenas como protagonistas na construção de conhecimentos e estratégias de
cuidado com os territórios e com a floresta.
A valorização dos saberes tradicionais também se manifesta no estudo sobre as Plantas
Alimentícias Não Convencionais (PANC), que propõe uma reflexão sobre a formação de
um sujeito ecológico descolonial. Ao articular alimentação, biodiversidade, cultura e
justiça ambiental, o trabalho evidencia caminhos para a construção de práticas
educativas capazes de questionar padrões hegemónicos de produção e consumo,
fortalecendo perspectivas críticas e emancipatórias.
Por fim, a relação entre Educação Ambiental e preservação do património histórico-
cultural, explorada no contexto do município do Soyo, em Angola, amplia o alcance das
discussões desta edição ao evidenciar a importância de integrar memória, cultura e
ambiente nos processos educativos. O estudo demonstra que a valorização do património
constitui importante estratégia para fortalecer identidades coletivas, promover a
vinculação o pertencimento territorial e ampliar o compromisso das novas gerações com
a preservação ambiental.
No seu conjunto, os artigos desta edição especial reafirmam que a Educação Ambiental
permanece como um campo em constante construção, caracterizado pela pluralidade de
abordagens, pela diversidade de sujeitos e pela busca permanente por respostas aos
desafios do nosso tempo. Mais do que oferecer soluções prontas, as contribuições aqui
reunidas convidam à reflexão crítica, ao diálogo interdisciplinar e ao fortalecimento de
práticas educativas comprometidas com a justiça socioambiental, a democracia
participativa e a defesa da vida em todas as suas formas. Esperamos que os textos
apresentados inspirem novas pesquisas, ampliem os debates académicos e fortaleçam
ações educativas capazes de contribuir para a construção de sociedades mais
sustentáveis, solidárias e resilientes diante dos desafios impostos pela crise climática
global.