quadros necessária ao cumprimento dos objetivos de treino (Bernardino; Leal, 2011;
Rizzi; Cruzichi, 2017).
Além do treino propriamente dito, exercícios multinacionais tendem a gerar efeitos
relacionais que facilitam a coordenação em crises, ao favorecerem confiança e redes
pessoais entre participantes (CENTER FOR ARMY LESSONS LEARNED, 2015, p. 12;
HYMAN, 2021, p. 25). No plano técnico-operacional, o FELINO estrutura ciclos
recorrentes de planeamento e condução (com rotinas de comando e controlo,
comunicações, logística e coordenação civil-militar) que, pela repetição, reduzem fricções
e custos de coordenação e criam compatibilidades mínimas de procedimentos, com
impactos práticos sobre a interoperabilidade (DEFESA/CPLP, s/d; EMGFA, 2024; NATO,
2023).
No plano institucional, as Normas para a realização de exercícios militares no âmbito da
CPLP fornecem referenciais e requisitos comuns que balizam a preparação e a execução,
favorecendo a padronização progressiva de práticas. As lições aprendidas são
sistematizadas em relatórios e, em alguns casos, transformadas em estudos publicados
pelo CAE da CPLP (CAE/CPLP) e por instituições nacionais de ensino militar, contribuindo
para o desenvolvimento de doutrina comum e de referências operacionais compartilhadas
(CPLP, 2013; BRASIL, 2014; CAE/CPLP, 2020; BERNARDINO; RIZZI, 2023).
Formação, ensino e intercâmbio de quadros militares e civis
Outro pilar da cooperação de defesa na CPLP é a formação de quadros. A literatura
especializada destaca que Brasil e Portugal desempenham papel central nesse domínio,
ao oferecerem vagas em cursos de altos estudos militares, escolas de Estado-Maior,
cursos de aperfeiçoamento e estágios de especialização para oficiais e praças dos demais
Estados-membros (Prazeres, 2019; Rizzi; Cruzichi, 2017).
No caso brasileiro, instituições como a ESG, o IMM/ECEME, a Escola de Guerra Naval
(EGN) e as escolas de formação das Forças Armadas recebem, há décadas, militares de
países africanos de língua portuguesa, em especial Angola, Moçambique, Cabo Verde e
São Tomé e Príncipe. Essa formação inclui não apenas aspectos técnico-militares, mas
também conteúdos de geopolítica, estratégia, logística e planejamento, contribuindo para
a difusão de uma cultura estratégica relativamente convergente no espaço lusófono
(Pereira, 2016; Prazeres, 2019).
Em Portugal, o Instituto Universitário Militar (IUM), o Instituto de Defesa Nacional (IDN),
a Academia Militar, a Escola Naval e a Academia da Força Aérea exercem papel análogo,
oferecendo cursos e estágios a oficiais de países da CPLP, inclusive brasileiros. A presença
desses militares em cursos de Estado-Maior, em mestrados e em pós-graduações
contribui para a circulação de ideias e para a construção de redes de contato profissionais
entre oficiais dos diversos Estados-membros, reforçando a capacidade da comunidade
de pensar conjuntamente problemas de segurança e defesa (Azevedo; Bernardino, 2015;
Bernardino; Rizzi, 2023).