OBSERVARE
Universidade Autónoma de Lisboa
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17, Nº. 1
Maio 2026
449
O COLONIALISMO (NÃO) ESTÁ MORTO: UMA ANÁLISE PÓS-COLONIAL DO
CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO
ANA MARIA QUADRADO LOURENÇO
s-amqlourenco@ucp.pt
Licenciada em Línguas e Relações Internacionais e Mestranda em Direito Internacional e
Europeu. Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Direito (Portugal). Foi coordenadora do
Departamento de Educação do Grupo de Estudantes do Porto integrante da Amnistia
Internacional.
ANDREIA SOFIA BARBOSA LEAL
andreia.sb.leal@gmail.com
Licenciada em Línguas e Relações Internacionais e Mestranda em Economia e Gestão
Internacional. Universidade do Porto, Faculdade de Economia (Portugal). Teve experiência
internacional de estudo na Alemanha com Bolsa Santander para Erasmus.
DIANA MARIA GRANADO MACHADO
dianagranadomachado@gmail.com
Aluna de dupla-licenciatura em Línguas Aplicadas às Relações Empresariais. Universidade do
Porto, Faculdade de Letras (Portugal). Prémio PAD. Foi voluntária CIVAS
IOLANDA CASTRO BARBOSA
iolandabarbosa2002@gmail.com
Licenciada em Línguas e Relações Internacionais. Mestranda em Economia e Gestão
Internacional. Universidade do Porto, Faculdade de Economia (Portugal). Bolseira Novos Talentos
da Fundação Calouste Gulbenkian.
MARIANA FERNANDES BENTO
marianaafernandes@outlook.de
Licenciada em Línguas e Relações Internacionais. Mestranda em Direito Internacional e
Europeu. Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Direito (Portugal). Foi voluntária Policy
Assistant e Membro da Delegação Jovem à COP29 em Baku, no Azerbaijão.
Resumo
O que é hoje o Estado de Israel nasceu em 1948, num processo mediado pelas Nações Unidas
durante a divisão da Palestina. No contexto da primeira revolta palestiniana, o Hamas emergiu
no final dos anos 80 com um compromisso à resistência armada contra a ocupação israelita,
visando substituí-la com um Estado palestiniano. Após décadas de tensão, os ataques de
outubro de 2023 desencadearam mudanças na conjuntura geopolítica da região, causando
uma mudança de paradigma no discurso político. Enquanto contribuições académicas
anteriores se focam na abordagem colonial a um conflito intraestadual e em propor definições
para o mesmo, este artigo interpreta o impacto do colonialismo no conflito Israelo-Palestiniano
a partir de uma lente pós-colonial, através da desconstrução de discursos de atores
internacionais relevantes após setembro de 2023 e com cinco categorias como guias teóricos
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O Colonialismo (Não) Está Morto: Uma Análise Pós-Colonial do Conflito Israelo-Palestiniano
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- “Colonialismo de Povoamento”, “Preconceito”, “Restrição de Liberdades” e “Violência”. A
análise sugere a conclusão de que, do ponto de vista da maioria dos atores internacionais, a
Palestina é a parte oprimida no conflito.
Palavras-chave
Estado da Palestina; Nações Unidas; Colonialismo; Conflito; Atores Internacionais.
Abstract
What is today the State of Israel was founded in 1948, in a process mediated by the United
Nations during the division of Palestine. In the context of the first Palestinian uprising, Hamas
emerged in the late 1980s with the commitment to armed resistance against the Israeli
occupation, aiming to replace it with a Palestinian State. After decade-long tensions, the
October 2023 attacks triggered changes in the regional geopolitical conjuncture, causing a
paradigm shift in political discourse. While previous academic contributions focus on the
colonial approach to an intrastate conflict and propose solutions to define it, this article
interprets the impact of colonialism in the Israeli-Palestinian conflict through a post-colonial
lens, deconstructing discourses of significant international actors after September 2023 with
five categories as theoretical guides “Settler Colonialism”, “Prejudice”, “Segregation”,
“Restrictions to Freedom”, and “Violence”. The analysis points to the conclusion that, in the
perspective of most international actors, Palestine is the oppressed party in the conflict.
Keywords
State of Palestine; United Nations; Colonialism; Conflict; International actors.
How to cite this article
Lourenço, Ana Maria Quadrado, Leal, Andreia Sofia Barbosa, Machado, Diana Maria Granado,
Barbosa, Iolanda Castro & Bento, Mariana Fernandes (2026). O Colonialismo (Não) Está Morto:
Uma Análise Pós-Colonial do Conflito Israelo-Palestiniano. Janus.net, e-journal of international
relations, VOL. 17, Nº. 1, Maio 2026, pp. 449-476. https://doi.org/10.26619/1647-7251.17.1.23
Artigo submetido em 27 de fevereiro de 2025 e aceite em 2 de fevereiro de 2026.
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O COLONIALISMO (NÃO) ESTÁ MORTO: UMA ANÁLISE PÓS-
COLONIAL DO CONFLITO ISRAELO-PALESTINIANO
ANA MARIA QUADRADO LOURENÇO
ANDREIA SOFIA BARBOSA LEAL
DIANA MARIA GRANADO MACHADO
IOLANDA CASTRO BARBOSA
MARIANA FERNANDES BENTO
Introdução
Em 1948, após a formação do Estado de Israel e do primeiro Nakba, iniciou-se o conflito
Israelo-Palestiniano. Apesar das décadas de tensão na região, este conflito regressou aos
holofotes da atenção mediática internacional após os ataques de 7 de outubro de 2023,
perpetuados pelo grupo armado Hamas em zonas fronteiriças na manhã de sabá e que
tiraram a vida a mais de um milhar de israelitas (Omer, 2024).
Estados, Organizações Internacionais e a sociedade civil têm demonstrado preocupação
face à recente escalada de violência e aos relatos de episódios de violação de Direitos
Humanos. Assim sendo, estudos desenvolvidos em torno deste tema são pertinentes
(Bashir e Busbridge, 2018, p. 391), particularmente após outubro de 2023, tendo em
conta a mudança de paradigma provocada pelos ataques do Hamas no discurso político
dos atores internacionais.
Adicionalmente, aparenta existir uma lacuna na literatura no que diz respeito à interseção
entre a teoria pós-colonial e a excecionalidade da natureza do conflito Israelo-
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Palestiniano. Conforme declarado por Bashir e Busbridge (2018, p. 391), a visão pós-
colonial tende a ser marginalizada em detrimento de abordagens teóricas “tradicionais”,
o que influencia a conceitualização do conflito e conceção de planos de resolução por
parte de líderes estatais, meios de comunicação e até mesmo cidadãos comuns. Neste
sentido, consideramos que uma análise orientada pela teoria pós-colonial poderá ter um
impacto positivo na compreensão e eventuais tentativas de resolução do conflito pelo
que este estudo assume essa lente teórica.
Através da análise de discursos realizados por inúmeros atores entre setembro de 2023
e abril de 2024, o presente artigo tem como objetivo investigar de que forma a teoria
pós-colonial pode contribuir para o entendimento do conflito Israelo-Palestiniano como
uma forma distinta de colonialismo, atendendo à incompletude das análises oferecidas
pelas teorias tradicionais, que negligenciam o legado do colonialismo europeu nas
estruturas, identidades, processos e instituições da ordem política contemporânea
(Bashir e Busbridge, 2018, p. 391; Sajed, 2022; Veracini, 2019).
Após a análise discursiva, seguiu-se a discussão e análise dos resultados, nas quais
procurámos retirar conclusões pertinentes e alinhadas com as atuais circunstâncias
geopolíticas. Também neste estágio, retomámos conceitos-base da revisão da literatura
realizada, sustentada nos principais estudos da teoria pós-colonial e numa revisão
compreensiva de análises previamente realizadas no âmbito da teoria colonialista.
Enquanto o processo detalhado de desconstrução do discurso pode ser consultado no
Anexo I, os resultados e conclusões são apresentados na secção final do presente artigo.
Revisão da Literatura
Colonialismo de Povoamento
A complexidade da ocupação israelita da Palestina tem sido, ao longo das décadas,
exaustivamente examinada através de lentes teóricas diversas. Porém, a perspetiva do
“colonialismo de povoamento” (em inglês, ‘settler colonialism’) é a que reúne maior vel
de consenso entre os académicos da área.
Lloyd (2012, pp. 67-68) explica que a manutenção do projeto sionista exige, por
natureza, uma hierarquia social divisiva e, consequentemente, a perceção da presença
palestiniana como uma ameaça existencial. Deste modo, a ferramenta utilizada para o
domínio territorial é, por excelência, o colonialismo de povoamento (Veracini, 2019, p.
569), que se distingue do colonialismo tradicional na medida em que o principal objetivo
dos colonos não é extração de recursos naturais e humanos para benefício próprio, mas
sim a conquista permanente do território, expulsando o povo colonizado (Elkin e
Pedersen, 2005, citados por Bashir e Busbridge, 2018, p. 391) para regressar à que
consideram a sua pátria por direito (Veracini, 2015, p. 270).
Hilal (2015) aprofunda este conceito e afirma que o colonialismo de povoamento e o
regime de “apartheid” imposto por Israel não partilham das características de exploração
de trabalho indígena presentes na África do Sul. Pelo contrário, assemelha-se mais às
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particularidades apresentadas pelo sistema de “reserva” utilizado pelos colonos europeus
para dominar os nativos americanos e aborígenes australianos (Hilal, 2015, p. 3). Desse
modo, a estratégia de ocupação israelita é singular, posto que opera numa lógica de
eliminação da presença indígena (Wolfe, 2006, citado por Bashir e Busbridge, 2018, p.
391).
Enquanto formas tradicionais de colonialismo procuram exercer domínio permanente
sobre os territórios indígenas a partir de um centro metropolitano separado, o
colonialismo de povoamento visa eliminar a presença do povo indígena através da sua
substituição (Veracini, 2013, p. 27), uma técnica denominada de “espacio-cídio” (Sen,
2020, p. 39). Por outras palavras, a meta não é a separação entre colono e colonizado,
mas sim da “indigenização” do colono (Veracini, 2013, p. 26), através da negação do
indigenismo do povo colonizado (Veracini, 2019, p. 572). Este processo é concluído
quando as distinções entre o externo (a metrópole) e o interno (a população indígena)
deixam de ser percetíveis.
Este aspeto explica a dificuldade em detetar a ocorrência de colonialismo de povoamento
em locais nos quais o colonizador venceu (Veracini, 2013, p. 28). Até certo ponto, este
efeito já se verifica em Gaza e na Cisjordânia, uma vez que a identidade palestiniana foi
erodida até ao ponto que a aceitação como palestiniano depende dos critérios impostos
pelo Estado de Israel. Os restantes nomeadamente, refugiados e palestinianos
indígenas com nacionalidade israelita são considerados uma minoria étnica e não
reconhecidos como grupo nacional (Hilal, 2015, p. 2).
Vale notar que o processo de indigenização do colono nem sempre é simples ou natural.
Frequentemente, a construção de uma narrativa de pertença histórica ao território
desempenha um papel fundamental na sustentação de movimentos coloniais, conferindo
legitimidade à reivindicação de indigineidade do colonizador (Veracini, 2019, p. 578).
Tendo enquadrado a ocupação israelita da Palestina nas óticas do colonialismo de
povoamento, “apartheid” e sistemas de reserva, é imperativo mencionar que atores mais
progressistas têm vindo a rejeitar as teorias p-existentes, salientando a importância
de forjar termos específicos que definam plenamente a condição geopolítica única que se
verifica neste conflito.
Em particular, Merav Amir (2021) expõe a excecionalidade do controlo exercito por
Israel, que relega a tradicional gestão populacional e territorial, optando por um conceito
híbrido de pós-ocupação (p. 5). No caso de Gaza, esta reconfiguração do domínio
substitui a ocupação per se pela contenção territorial, o que, consequentemente, limita
o futuro político da região. Embora esta nova contextualização procurasse uma
aproximação ao contexto de cerco, os ataques de 7 de outubro e a retaliação de Israel
constituem uma situação sem precedentes, que exige, tal como explicado em
continuação, uma rutura das teorias tradicionais.
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Estado de Exceção
Outros contributos académicos evidenciam a natureza contraditória da ação do Estado
de Israel no sistema internacional. Por um lado, Israel reclama normalidade, legitimidade
e pertença aos estados ocidentais, que se afirmam bastiões da democracia e civilização
e promotores de valores liberais e humanistas. Pelo contrário, em simultâneo, assume o
papel de colonizador e alega, face à necessidade emergencial de defesa contra uma
“ameaça externa”, “carácter excecional”, o que lhe confere isenção das normas de direito
internacional (Lloyd, 2012, p.65).
O estado de exceção é, de acordo com David Lloyd (2012), uma característica marcante
das colónias de povoamento (p. 71), em linha com a lógica de dominação que, para
justificar a expropriação de terras indígenas, se tece uma narrativa complexa de
moralidade vs. imoralidade e civilização vs. barbárie, com o colonizador como legítimo
protetor da ética e da moral (p. 63).
No contexto em estudo, o estado de exceção não se traduz somente no tratamento
discriminatório de palestinianos pela lógica da suspensão da lei por um motivo de força
maior. Mais do que isso, normaliza-se através da regulamentação e criação de um
“regime de hiperlegalidade” (Hussain, 2007, citado por Lloyd, 2012, p. 75). Em suma, a
“proliferação” e “multiplicação de leis” sedimentam a permanência do estado de exceção,
legitimando o regime de ocupação (Lloyd, 2012, p. 75).
Dualidade Anticolonial e Pós-colonial
Autores como Sen (2020) e Hilal (2015) realizaram uma análise inovadora da questão
palestiniana, segundo a premissa de que o pós-colonialismo e o anticolonialismo
coexistem na Palestina (Sen, p. 10). Num contexto de colonialismo de povoamento, é
particularmente incomum a coexistência destas duas dinâmicas, uma vez que existem
estruturas que fornecem uma ilusão de pós-colonial (Sem, p. 10) e movimentos pela
libertação que promovem a emancipação do povo palestiniano, para que as suas
perspetivas sejam preservadas em resistência ao discurso do colonizador (Barakat, 2018,
p. 358).
Os Acordos de Oslo de 1993 incentivaram esta dualidade, dada a sua influência na
supressão do movimento anticolonial através do estabelecimento de estruturas s-
coloniais como o Governo de Gaza (Sen, 2020, pp. 26-27), que, involuntariamente,
aceleraram o ritmo de destruição do movimento colonial (Hilal, 2015, p. 4).
Solução de Dois Estados, Estado Único ou Binacionalismo
A solução de dois Estados argumenta que a autodeterminação nacional é expressa mais
adequadamente de forma territorial. Assim, a formação estatal é necessária para que se
alcance a verdadeira transição do período de domínio e ocupação para o período de
independência. Embora tenha sido uma das soluções propostas para este conflito, é hoje
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considerada desadequada e demasiado simplista pela maioria dos autores, em
comparação com a solução do estado único (Bashir e Busbridge, 2018, p. 395 e Hilal,
2015, p. 4).
Adicionalmente, Veracini (2013) menciona que a proposta de uma solução de dois
Estados advém de um entendimento do conflito que passa de subjugação colonial para
descolonização. Esta perspetiva negligencia a realidade do colonialismo de povoamento
e falha em compreender o sionismo como um movimento que o perpetua; ademais, não
pondera as experiências do povo palestiniano em diáspora e de grupos minoritários como
os árabes israelitas (p. 27).
No seu artigo de 2018, Bashir e Busbridge evidenciam a forte conexão entre as histórias
judaica e palestiniana no território histórico da Palestina, o que inviabiliza ainda mais a
divisão (p. 389). Além disto, ao manifestar compromisso com a solução de um Estado,
Israel ver-se-ia necessariamente forçado a abdicar dos seus privilégios enquanto
colonizador e a renunciar ao projeto sionista (p. 396).
A corrente binacionalista, no entanto, afirma que a existência de dois grupos nacionais
com direitos iguais à autodeterminação torna exequível a descolonização da Palestina e
o reconhecimento mútuo de palestinianos e judeus (p. 398).
Discursos Pós-7 de Outubro
Os recentes desenvolvimentos motivados pelos ataques de 7 de outubro motivaram
autores como George Horațiu Bontea a rever a conceitualização do conflito (Bontea,
2023, p. 209). Através da análise de discursos, Bontea tentou demonstrar o impacto dos
discursos políticos como ferramenta para o prolongamento e agravamento da tensão
entre as partes, culminando em ação violenta (Bontea, 2023, p. 210).
O artigo conclui com dois elementos que atuam como pilares narrativos, influenciando a
perceção internacional do conflito. Por um lado, a abordagem da Palestina relativamente
à afirmação da sua identidade política acentuou a turbulenta relação com Israel
(Bontea, 2023, p. 222). De outro modo, esta permitiu também que o Hamas tomasse as
rédeas da totalidade da narrativa da causa palestiniana, reduzindo a imagem da Palestina
à visão deste grupo específico. Conteudo, o autor declara ainda que as ações de ocupação
promovidas pelas forças armadas israelitas podem ter incitado maior hostilidade nas
comunicações públicas emitidas pelo Hamas (Bontea, 2023, p. 222).
Metodologia
A presente pesquisa centra-se na exploração da perceção internacional sobre o conflito
Israelo-Palestiniano, através de uma análise de discursos políticos orientada pela tese do
pós-colonialismo. De acordo com Sajed (2022), o pós-colonialismo estuda o mundo
moderno com base na premissa de que a experiência colonial e a violência não
moldaram como continuam a influenciar as estruturas, identidades, processos e
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instituições que compõem o sistema político mundial (p. 62). Esta teoria surge durante
os processos de descolonização, com o objetivo de assegurar justiça epistémica isto é,
de reinterpretar a história e as teorias das Relações Internacionais no sentido de incluir
vozes, histórias e perspetivas não-ocidentais (p. 73).
A interpretação de discursos pressupõe o conhecimento de conceitos-chave relevantes e
relacionados com a base teórica, nomeadamente de “colonialismo”, “anticolonialismo”,
“orientalismo” e “colonialismo de povoamento”. Estes o brevemente definidos nos
parágrafos seguintes.
O colonialismo pode ser entendido como o processo de conquista e controlo de
sociedades com a finalidade de “anexar os seus territórios e controlar os seus recursos”
(Sajed, 2022, p. 63). “anticolonialismo” corresponde à mobilização histórica erguida
por atores locais contra o domínio colonial (Sajed, 2022, p. 64).
O termo “orientalismo” foi cunhado por Edward W. Said (1979), referindo-se à produção
tendenciosa de conhecimento sobre o Oriente pelos estados ocidentais, o que legitima o
domínio colonial através da construção de narrativas e da hegemonia científica e cultural
do Ocidente (pp. 323-330).
Em contrapartida, o colonialismo de povoamento é um sistema de opressão (Wolfe, 2006,
p. 388) no qual a eliminação da população nativa é uma condição necessária para a
anexação de território e exploração de recursos (Wolfe, 2001, p. 868). A destruição da
cultura e legado indígenas são frequentemente apoiadas pela aplicação de legislação
discriminatória a favor do opressor.
O presente estudo seleciona um total de 18 discursos compreendidos entre setembro de
2023 e abril de 2024 para análise. Estes incidem principalmente sobre as intervenções
após 7 de outubro de 2023, de maneira a refletir a atual conjuntura sociopolítica
desencadeada pelos ataques coordenados do Hamas na fronteira israelita. As principais
fontes foram jornais internacionais (de onde retirámos citações parciais) e transcrições
completas de comunicados partilhadas por Ministérios dos Negócios Estrangeiros e
secretariados de organizações internacionais governamentais e não-governamentais.
Após uma triagem inicial, na qual apurámos quais das declarações melhor se encaixavam
no enquadramento teórico do artigo, foi elaborado um esquema de codificação. Nesta
chave, que se encontra explicitada na Tabela 1 do Anexo, estabelecemos cinco categorias
de análise (“Colonialismo de Povoamento”, “Preconceito”, “Segregação” e “Restrição de
Liberdades”), que se desdobram em doze subcategorias com a finalidade de melhor
integrar as perspetivas em oposição no conflito. Os discursos escolhidos foram
fragmentados em citações e posteriormente organizados na tabela de análise (Tabela 2
do Anexo), conforme a sua correspondência com a definição de cada categoria.
Por último, com base no conteúdo de ambas as tabelas que compõem a análise
qualitativa, elaborámos a discussão dos resultados apresentados e respetivas
conclusões.
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Limitações ao estudo incluem o reduzido mero de amostras teoricamente relevantes
no período de tempo considerado, a barreira linguística os discursos de língua original
hebraica ou árabe foram analisados na sua forma traduzida, e o no idioma no qual
foram proferidos e a subjetividade e particularidade inerentes aos estudos qualitativos.
Análise de Discursos
Tabela 1. Esquema de Codificação
Categoria
Subcategoria
Descrição
Unidade de Análise
Colonialismo de
Povoamento
Realizado por Israel
Esta categoria inclui
discursos que
demonstram que
Israel foi vítima de
colonialismo de
povoamento.
Frase ou excertos de
uma frase
Realizado pela
Palestina
Esta categoria inclui
discursos que
demonstram que a
Palestina foi vítima de
colonialismo de
povoamento.
Frase ou excertos de
uma frase
Preconceito
Contra Israel
Esta categoria inclui
discursos que expõem
a existência de
preconceito contra a
população israelita.
Frase ou excertos de
uma frase
Contra a Palestina
Esta categoria inclui
discursos que expõem
a existência de
preconceito contra a
população
palestiniana.
Frase ou excertos de
uma frase
Segregação
Sofrida pelos
israelitas
Esta categoria inclui
discursos que
denotam segregação
da população
israelita.
Frase ou excertos de
uma frase
Sofrida pelos
palestinianos
Esta categoria inclui
discursos que
denotam segregação
da população
palestiniana.
Frase ou excertos de
uma frase
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Análise dos Resultados
Colonialismo de Povoamento
A existência desta categoria torna-se imperativa para o enquadramento teórico do pós-
colonialismo, no sentido em que não é possível analisar o conflito Israelo-Palestiniano
segundo a lente pós-colonial sem abordar a natureza de eliminação indígena que está na
sua base (Wolfe, 2006, citado por Bashir e Busbridge, 2018, p. 391).
Na categoria Colonialismo de Povoamento”, todos os discursos foram analisados
segundo as duas subcategorias incluídas nas Tabelas 1 e 2: “Realizado por Israel” e
Restrição de
Liberdades
Liberdade de
movimento (Israel)
Esta categoria inclui
discursos que
delatam restrições à
liberdade de
movimento da
população israelita.
Frase ou excertos de
uma frase
Liberdade de
movimento
(Palestina)
Esta categoria inclui
discursos que
delatam restrições à
liberdade de
movimento da
população
palestiniana.
Frase ou excertos de
uma frase
Liberdade de
expressão (Israel)
Esta categoria inclui
discursos que acusam
restrições à liberdade
de expressão da
população israelita.
Frase ou excertos de
uma frase
Liberdade de
expressão (Palestina)
Esta categoria inclui
discursos que acusam
restrições à liberdade
de expressão da
população
palestiniana.
Frase ou excertos de
uma frase
Violência
Sofrida pelos
israelitas
Esta categoria inclui
discursos que
denunciam atos de
violência contra a
população israelita.
Frase ou excertos de
uma frase
Sofrida pelos
palestinianos
Esta categoria inclui
discursos que
denunciam atos de
violência contra a
população
palestiniana.
Frase ou excertos de
uma frase
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“Realizado pela Palestina”. Aqui, procura-se identificar frases que sugiram que
colonialismo de povoamento foi realizado por Israel ou, pelo contrário, pela Palestina.
O processo de escolha das frases que integram os discursos foi feito mediante a procura
de palavras-chave como: “ocupação”, “povoamento”, “exílio”, desapropriação”,
“usurpação”, “expansãoou “expulsão”. Isto é, as frases foram selecionadas de acordo
com menções à apropriação territorial que está na origem do colonialismo de
povoamento.
Dentro da categoria, foram encontradas 24 frases pertencentes à subcategoria
“Realizado por Israel”. No que diz respeito à subcategoria “Realizado pela Palestina”, 0
frases foram encontradas.
Possíveis Resultados
Dos discursos que foram analisados, nenhum fez menção a colonialismo de povoamento
ter sido realizado pela Palestina, sendo que, em todos os discursos abrangidos por esta
categoria, Israel é o único ator acusado de praticar colonialismo de povoamento neste
conflito.
Esta conclusão vai ao encontro da análise teórica feita na revisão de literatura, na qual
a maioria dos autores consideram Israel um Estado intencionalmente colonizador, que
tem por objetivo a ocupação permanente do território e a primordial expulsão do povo
palestiniano.
Preconceito
O discurso pós-colonial é inseparável do preconceito de ambas as partes uma em relação
à outra. O preconceito não só confere legitimidade às suas narrativas e ações, como está
também relacionado com a unilateralidade de perspetivas que resulta da produção
hegemónica do conhecimento pelo Ocidente e reconhecimento do mesmo como legítimo
(Said, 1979).
Nesta categoria, os discursos foram distribuídos por duas categorias: preconceito contra
Israel e preconceito contra a Palestina. Enquanto cinco citações foram atribuídas a Israel,
não conseguimos encontrar nenhum discurso em que autoridades da Palestina
manifestem ser vítimas de preconceito. Para proceder a esta classificação, focámo-nos
na palavra-chave “antissemitismo” frequentemente utilizada por Israel e pela
sociedade ocidental como uma forma de invocar a memória histórica do Holocausto, uma
terrível memória histórica que é utilizada para legitimar o estado de exceção exercido
por Israel.
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Possíveis Resultados
Embora esta não seja a categoria com o maior número de citações, uma evidente
discrepância entre o número de ocorrências nas distintas partes, com a ausência de
menção a ataques preconceituosos contra a Palestina.
A interpretação literal deste resultado indicaria que a população israelita é, em
comparação, a que mais sofre de preconceito no contexto do conflito.
Segregação
A inclusão desta categoria é de igual modo essencial para a realização de uma análise
abrangente no âmbito da teoria pós-colonial. As políticas de segregação evidenciam a
tentativa de divisão da sociedade conforme uma hierarquia racial que culmina na
dominação do povo opressor sobre o oprimido (Sajed, 2022, p. 60-62). Numa lógica s-
colonial, procura-se precisamente denunciar este tipo de práticas discriminatórias, que
levam à subjugação e eliminação da população nativa nos espaços, com os discursos
como ferramenta de perpetuação (Sajed, 2022, p. 71).
Foram definidas as subcategorias “Sofrida pelos israelitas e “Sofrida pelos
palestinianos”, procurando-se nos discursos evidências que expusessem a prática de
segregação contra a população israelita ou palestiniana, respetivamente. Para localizar e
identificar as frases e excertos que se enquadram nestas subcategorias foram utilizadas
algumas palavras-chave, tais como: “apartheid”, “segregação”, “discriminação” e
“racismo”. Deste modo, as frases foram atribuídas à categoria conforme a alusão a
qualquer tipo de prática segregatória.
Segundo este critério, foram identificadas quatro frases para a subcategoria “Sofrida
pelos palestinianos” e apenas uma para “Sofrida pelos israelitas”.
Possíveis Resultados
Apesar de não estar entre as categorias com maior número de ocorrências, a questão da
segregação vai estando presente ao longo dos discursos pró-palestina que denunciam o
carácter colonizador do Estado de Israel. Por conseguinte, verifica-se um número
superior de ocorrências cometidas contra o povo palestiniano, sendo Israel
recorrentemente acusado de perpetuar sistemas de apartheid onde práticas
discriminatórias e leis de segregação permitem a ocupação eficaz da Palestina.
Restrição de Liberdades
Para analisarmos o conflito Israelo-Palestiniano, que prestar também atenção à
restrição de liberdades, uma vez que, no enquadramento teórico pós-colonial, entender
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de que maneira um povo a sua liberdade em vários sentidos condicionada pela
imposição de outro é fundamental.
De forma a obter um resultado mais preciso, esta categoria foi dividida em duas partes:
“Liberdade de movimento” (dividida para restrições impostas a Israel e à Palestina) e
“Liberdade de expressão” (novamente dividida para englobar ambas as partes). No caso
da liberdade de movimento, quatro frases foram encontradas sobre a Palestina e
nenhuma correspondência foi encontrada para a subcategoria “Israel”. Quanto à
liberdade de expressão, três frases foram encontradas relativamente à Palestina e
nenhuma enquadrada na subcategoria “Israel”.
Possíveis Resultados
Nesta categoria observamos um maior número de citações ligadas à restrição de
liberdades palestinianas, em ambos os casos. Tal demonstra que Israel tem vindo a
condicionar a liberdade do povo palestiniano, o que, à luz da teoria pós-colonial, reflete
os meios através dos quais um Estado opressor leva a cabo práticas coloniais que limitam
a atividade do povo colonizado e apagam a sua presença física e discursiva.
Violência
A categoria “Violência” surge devido à necessidade de, à luz do pós-colonialismo, expor
a violência sofrida e perpetuada por ambas das partes (Sajed, 2022, p. 69). Assim, para
analisar os discursos dentro deste parâmetro, foram designadas duas subcategorias:
“Sofrida por israelitas” e “Sofrida por palestinianos”.
Para escolher as frases mais adequadas dentro da categoria, houve um foco na procura
de palavras-chave como: “violência”, “ataque(s)”, “morte(s)”, “vítima(s)”, “extermínio”,
“massacre”, “genocídio” “inocente(s)”, “assassinato” ou “crime(s)”, bem como respetivos
sinónimos ou palavras derivadas. Desta forma, as frases selecionadas refletem os
diversos âmbitos em que a violência foi perpetrada.
Dentro da categoria “Violência”, foram identificadas vinte e cinco frases referentes à
subcategoria “Sofrida por israelitas”. No que concerne à subcategoria “Sofrida por
palestinianos”, trinta frases foram selecionadas.
Possíveis Resultados
Dentro da categoria “Violência”, ainda que existam mais frases que se inserem na
subcategoria “Sofrida por palestinianos”, os discursos de ambas as subcategorias têm
números semelhantes no que diz respeito a referências de perpetuação de violência.
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De um ponto de vista pós-colonial e considerando a categoria em análise, ambas as
partes do conflito podem ser associadas aos papéis de oprimido e de opressor nos
diferentes discursos, uma vez que ambas perpetuam e sofrem violência.
Discussão dos Resultados
Após uma avaliação dos resultados obtidos para as cinco categorias, é possível observar
uma tendência discursiva na qual a Palestina é percecionada como vítima em, pelo
menos, quatro das cinco categorias de análise: “Colonialismo de Povoamento”,
“Segregação”, “Restrição de Liberdades” (incluindo de movimento e expressão) e
“Violência”.
A utilização de termos como “invasão sionistaem discursos enquadrados na categoria
“Colonialismo de Povoamento” refletem o reconhecimento, ainda que moderado, de que
a Palestina tem vindo a sofrer uma ocupação comparável à colonização. Neste contexto,
a lente pós-colonial é a mais adequada para demonstrar que as vozes palestinianas
necessitam de espaço para partilharem as suas ideias, uma vez que o seu espaço
geográfico se encontra condicionado por outra entidade. Esta interpretação vai ao
encontro da literatura existente sobre o conceito, uma vez que os discursos políticos
evidenciam a necessidade do colonizador de exterminar a população nativa para exercer
pleno controlo sobre o território e os seus recursos (Wolfe, 2006, citado por Bashir e
Busbridge, 2018, p. 391).
Por outro lado, dadas as múltiplas menções a regimes de “apartheid” e segregação, a
questão racial torna-se primordial para compreender a hierarquização das perspetivas
em confronto do ponto de vista pós-colonial. Não após outubro de 2023, mas ao longo
da história do conflito Israelo-Palestiniano em geral, a questão étnica pesa na dinâmica
entre as partes, que recorrem a práticas e políticas de segregação, frequentemente
denominadas “apartheid”. A referência ao regime de segregação racial mantido entre
1948 e 1994 na África do Sul é, mais do que meramente ilustrativa, uma ferramenta
utilizada pelos locutores para evocar uma memória familiar de violência. Assim, através
da memória, os discursos reforçam a intensidade do nível de segregação aplicado pelas
autoridades israelitas a fim de silenciar as vozes palestinianas. Tal resultado corrobora
também com as observações de Hilal (2015): o regime de segregação em vigor em Israel
não tem por base explorar o povo palestiniano a nível laboral, mas sim eliminar a
presença dos nativos.
Do mesmo modo e com um objetivo idêntico - as liberdades palestinianas são
restringidas pelas autoridades israelitas a vários níveis, sobretudo no movimento e na
expressão. Tal como mencionado anteriormente, a criação e manutenção de um “regime
de hiperlegalidade” normaliza a ocupação e cimenta o domínio israelita sobre a Palestina
(Hussain, 2007, citado por Lloyd, 2012, p. 75). A imposição destas limitações torna ainda
mais evidente as práticas coloniais e a necessidade de expressão e resistência por parte
do povo oprimido, cujo acesso ao espaço intelectual onde o conflito é debatido se mantém
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largamente limitado. Assim, os discursos são marcados pela denúncia do silenciamento
das vítimas e da sua vilanização pelos meios de comunicação social, tendencialmente
controlados pelo opressor, em aliança com os países “civilizados” do Ocidente (Said,
1979).
Em contrapartida, existe uma categoria em que se verificou que Israel se destaca como
principal vítima: a categoria “Preconceito”. Ainda que não tenhamos encontrado
nenhuma menção direta a este tópico na literatura, o surgimento constante deste fator
nos discursos políticos é uma mais-valia para compreender a dinâmica do conflito e, em
particular, o carácter mediático assumido pela disputa, particularmente desde 7 de
outubro de 2023.
Uma interpretação literal dos números, sem acompanhamento teórico, sugeriria que o
preconceito contra o povo palestiniano não é um fator a ter em conta ao estudar as
motivações por detrás das divergências entre as partes, dado que Israel nos discursos
estudados é entendido como vítima nesta categoria.
No entanto, conforme descrito na teoria do Orientalismo de Edward Said (1979), a
representação do conflito nos meios de comunicão mainstream tende a ser enviesada
e a difundir a narrativa Ocidental, silenciando as vozes e perspetivas de quem realmente
se encontra no terreno. Mas, como tem acontecido com as grandes guerras do nosso
tempo, o conflito alastrou-se para o mundo online, onde a não-filtragem de informação
permite pintar uma imagem mais clara da disputa. A partilha instantânea de imagens e
declarações nas redes sociais não tem resultado somente na polarização da opinião
pública, mas também na materialização de preconceitos contra minorias que o mundo
para das fronteiras do conflito assume serem representadas por duas fações em guerra
a comunidade judaica, da qual o Estado de Israel se considera guardião, e a
comunidade muçulmana, do lado palestiniano, representada pelo Hamas no olho público.
Em Berlim, portas apareceram marcadas com estrelas de David (BK, 2023). Porém, é
incorreto declarar que apenas a comunidade judaica tem sido alvo de “ataques
preconceituosos” uma palavra-chave na nossa pesquisa desde 7 de outubro. Pelo
contrário, os ataques de ódio contra muçulmanos (islamofobia) dispararam desde o
evento, para níveis considerados preocupantes (TellMAMA UK, 2023; VOA News, 2023).
Por fim, a categoria “Violência” trouxe resultados distintos das categorias anteriores.
Apesar do superior número de amostras para a subcategoria “Sofrida pelos
palestinianos”, ambas as partes conflitantes têm um número semelhante de
proclamações que indicam terem sido vítimas de violência infligida pelo opositor. Ainda
que os tipos de violência relatados tenham motivações distintas, no caso de Israel, os
discursos demonstram que as violações e massacres sofridos têm origem em visões
antissemitas. No caso da Palestina, acusa-se a existência de um “genocídio” motivado
pelo desejo de limpeza étnica em Gaza, e a prática de crimes de guerra por parte de
Israel. Deste modo, ambos os povos, segundo a lente pós-colonial, poderiam ser vistos
como vítimas pela comunidade internacional.
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De facto, na literatura é reconhecida a violência sofrida por Israel, especialmente no que
diz respeito aos ataques terroristas cometidos pelo Hamas contra civis israelitas (Bontea,
2023). Também nos discursos surge este reconhecimento; porém, se nos basearmos
somente no número de frases identificadas, corremos o risco de retirar conclusões
precipitadas. Frequentemente, Israel recorre à memória dos atos históricos cometidos
contra o povo judeu, em particular ao Holocausto, para suportar o seu discurso e a
necessidade de se proteger para sobreviver. Deste modo, não é possível afirmar que
ambos sofram o mesmo tipo de violência e que as suas vozes estejam a ser apagadas
da mesma forma.
Quando analisado o conteúdo dos discursos, questões como a da desproporcionalidade
da violência devem ser tidas em conta. Os estudos realizados anteriormente indicam que,
apesar de Israel constantemente recorrer à ideia do “Estado de Exceção” para justificar
os seus atos violentos face à “ameaça palestiniana” (Lloyd, 2012, p. 65), o que é
verificado nos discursos é uma violência exacerbada que vai para além da autodefesa,
colocando a Palestina como uma vítima nesta categoria e Israel para lá da legalidade no
Direito Internacional.
Assim sendo, através desta análise, podemos afirmar que a Palestina é reconhecida pelos
principais atores políticas como a entidade oprimida neste contexto. Consequentemente,
a lente pós-colonial permite reconhecer o sistema de dominação em vigor e a
necessidade do povo palestiniano de se libertar da hegemonia colonial ainda presente,
para poder encontrar legitimidade e voz junto da comunidade internacional.
Conclusão
O presente estudo teve como principal intuito a análise s-colonialista do conflito
Israelo-Palestiniano, através da análise de 18 discursos proferidos por Chefes de Estado,
Ministros dos Negócios Estrangeiros, Organizações Internacionais e Organizações Não-
Governamentais. Acreditamos que a nossa pesquisa preenche uma lacuna na literatura
após os ataques de 7 de outubro de 2023, que causaram uma vez mais profundas
alterações na conjuntura geopolítica sensível e volátil de Gaza. Foram estabelecidas cinco
categorias para análise, que permitiram determinar que a Palestina é considerada a parte
oprimida neste contexto com especial destaque para o âmbito da violência, onde se
verifica uma significativa desproporcionalidade nos meios de atuação.
É importante notar que o estudo foi limitado pelo reduzido número de amostras
compatíveis com a nossa base teórica no período de tempo em análise, pela barreira
linguística (especialmente nos discursos de língua original hebraica ou árabe) e a
subjetividade e particularidade intrínsecos a estudos qualitativos, que dificultam a
generalização destas conclusões para além do caso Israelo-Palestiniano. Porém, oferece
uma perspetiva renovada em relação a este conflito dinâmico e em constante
transformação, através de um regresso a uma teoria crítica frequentemente
negligenciada em detrimento das tradicionais.
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Dadas as transformações que os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 provocaram
nas narrativas de ambas as partes, pensamos existir espaço para mais investigação,
nomeadamente no âmbito das redes sociais, dado o mediatismo do conflito.
Referências
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Anexo
Tabela 2. Análise
Categoria
Subcategoria
Referência
Colonialismo de
Povoamento
Realizado por
Israel
(1), (5), (8),
(9), (10),
(12), (13),
(17)
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Realizado pela
Palestina
Preconceito
Contra Israel
(1), (9), (16)
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Contra a
Palestina
Segregação
Sofrida pelos
israelitas
(1)
Sofrida pelos
palestinianos
(5), (10), (17)
Restrição de
Liberdades
Liberdade de
movimento
(Israel)
Liberdade de
movimento
(Palestina)
(5), (13), (17)
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Liberdade de
expressão
(Israel)
Liberdade de
expressão
(Palestina)
(5), (8), (17)
Violência
Sofrida pelos
israelitas
(2), (3), (4),
(6), (7), (11),
(12), (13),
(14), (15),
(16), (18)
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Sofrida pelos
palestinianos
(5), (7), (8),
(9), (10),
(12), (13),
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Discursos
1 19/07/2023 - Israeli President, Isaac Herzog, addressing the US Congress
2 - 19/10/2023 - Speech by European Commission President, Ursula von der Leyen,
at the European Parliament
3 - 12/09/2023 - Speech by the UK's Foreign Secretary at the International Counter
Terrorism Conference in Herzliya, Israel
4 10/10/2023 Remarks by the US President, Joe Biden
5 - 14/04/2024 - Speech by activist Salman Abu Sitta, meant to be delivered at the
Palestine Conference, to be held in Berlin, Germany
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6 11/12/2023 Remarks by the US President, Joe Biden, given at a Hannukah
Reception
7 19/10/2023 Speech by the US President, Joe Biden
8 10/04/2024 Speech delivered by Imam Khamenei, the Leader of the Islamic
Revolution, in a meeting with Iranian officials and the ambassadors of Muslim
countries
9 10/04/2024 Sermons delivered by Imam Khamenei, the Leader of the Islamic
Revolution, after the Eid al-Fitr prayer in Tehran’s Imam Khomeini Mosalla
10 21/09/2023 - Palestinian Authority President Mahmoud Abbas’ address to the UN
General Assembly
11 02/11/2023 Speech by German Vice-Chancellor Robert Habeck
12 18/04/2024 - UN Secretary-General's remarks to the Security Council on the
Middle East
13 23/01/2024 - N Secretary-General's remarks to the Security Council - on the
Middle East
14 11/03/2024 - Speech of the Israeli Foreign Ministry Katz at the United Nations
Security Council
15 25/02/2024 - Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu on "Face the Nation”
16 22/09/2023 Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu addresses the UN
General Assembly
17 - Not dated - Amnistia International - "Israel and Occupied Palestinian Territories"
18 18/10/2023 Remarks by the US President, Joe Biden, on the October 7th
attacks and "the Resilience of the State of Israel"
*Nota: Após a tomada de posse da administração Trump em janeiro de 2025, a
maioria dos discursos publicados no website oficial da Casa Branca deixaram de estar
disponíveis.