Palestiniano. Conforme declarado por Bashir e Busbridge (2018, p. 391), a visão pós-
colonial tende a ser marginalizada em detrimento de abordagens teóricas “tradicionais”,
o que influencia a conceitualização do conflito e conceção de planos de resolução por
parte de líderes estatais, meios de comunicação e até mesmo cidadãos comuns. Neste
sentido, consideramos que uma análise orientada pela teoria pós-colonial poderá ter um
impacto positivo na compreensão e eventuais tentativas de resolução do conflito – pelo
que este estudo assume essa lente teórica.
Através da análise de discursos realizados por inúmeros atores entre setembro de 2023
e abril de 2024, o presente artigo tem como objetivo investigar de que forma a teoria
pós-colonial pode contribuir para o entendimento do conflito Israelo-Palestiniano como
uma forma distinta de colonialismo, atendendo à incompletude das análises oferecidas
pelas teorias tradicionais, que negligenciam o legado do colonialismo europeu nas
estruturas, identidades, processos e instituições da ordem política contemporânea
(Bashir e Busbridge, 2018, p. 391; Sajed, 2022; Veracini, 2019).
Após a análise discursiva, seguiu-se a discussão e análise dos resultados, nas quais
procurámos retirar conclusões pertinentes e alinhadas com as atuais circunstâncias
geopolíticas. Também neste estágio, retomámos conceitos-base da revisão da literatura
realizada, sustentada nos principais estudos da teoria pós-colonial e numa revisão
compreensiva de análises previamente realizadas no âmbito da teoria colonialista.
Enquanto o processo detalhado de desconstrução do discurso pode ser consultado no
Anexo I, os resultados e conclusões são apresentados na secção final do presente artigo.
Revisão da Literatura
Colonialismo de Povoamento
A complexidade da ocupação israelita da Palestina tem sido, ao longo das décadas,
exaustivamente examinada através de lentes teóricas diversas. Porém, a perspetiva do
“colonialismo de povoamento” (em inglês, ‘settler colonialism’) é a que reúne maior nível
de consenso entre os académicos da área.
Lloyd (2012, pp. 67-68) explica que a manutenção do projeto sionista exige, por
natureza, uma hierarquia social divisiva – e, consequentemente, a perceção da presença
palestiniana como uma ameaça existencial. Deste modo, a ferramenta utilizada para o
domínio territorial é, por excelência, o colonialismo de povoamento (Veracini, 2019, p.
569), que se distingue do colonialismo tradicional na medida em que o principal objetivo
dos colonos não é extração de recursos naturais e humanos para benefício próprio, mas
sim a conquista permanente do território, expulsando o povo colonizado (Elkin e
Pedersen, 2005, citados por Bashir e Busbridge, 2018, p. 391) para regressar à que
consideram a sua pátria por direito (Veracini, 2015, p. 270).
Hilal (2015) aprofunda este conceito e afirma que o colonialismo de povoamento e o
regime de “apartheid” imposto por Israel não partilham das características de exploração
de trabalho indígena presentes na África do Sul. Pelo contrário, assemelha-se mais às