OBSERVARE
Universidade Autónoma de Lisboa
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 17, Nº. 1
Maio 2026
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GEOPOLITICA E PENSAMENTO COLECTIVO. ESTUDO DE CASO DOS JOGOS DE
XADREZ E DE GO ENQUANTO MANIFESTAÇÕES DAS CONCEPÇÕES
ESTRATEGICAS DAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS E OCIDENTAIS.
APONTAMENTOS PARA O ESTUDO DO PENSAMENTO ESTRATÉGICO
PEDRO HENRIQUE DA SILVA HORTA
pedrohorta@yahoo.com
Doutorando em Teoria Política, Relações Internacionais e Direitos Humanos pela Universidade
dos Açores e Universidade de Évora. Tenente-Coronel - Força Aérea Portuguesa (Portugal). Foi
Gender Focal Point of Mission HQ EUTM e Conselheiro de Direito Militar junto do Ministério da
Defesa da República Centro-Africana. Tem vários prémios e distinções.
Resumo
Este trabalho explora o estudo da geopolítica através do prisma dos jogos de Xadrez e de GO,
enquanto proposta de representação material das conceções estratégicas das civilizações
ocidentais e orientais. A presente análise centra-se na questão: a geopolítica deriva de um
pensamento de Estado, própria dos políticos e militares que a estudam, sintetizando-a com
vista à sua aplicação , ou será algo mais profundo, pertencente ao coletivo, que nasce, se
transforma e reside num inconsciente, tendencialmente coletivo, de agir perante o desafio
das escolhas? Como desenho de pesquisa far-seum estudo de caso dos jogos mencionados,
procurando-se entender como as regras, estratégias e táticas dos mesmos podem ou não
refletir as abordagens e pensamento teórico geopolítico. Para comparação, ainda que
simplificada, num estudo exploratório, considerou-se recorrer a Clausewitz e Sun Tzu - que
enformam, a nosso ver, as bases do ensino teórico das nas civilizações ocidental e oriental.
Desta forma comparando-se as semelhanças entre o semelhante e o diverso entre estes
quatro elementos. O presente estudo permite assim apontar que o xadrez, e a sua conceção
baseada no confronto direto, permite espelhar e compreender a abordagem ocidental,
enquanto o GO, com o seu foco na conquista gradual e refletida do território, pode, por ser
lado ser o prisma da visão oriental, reconduzindo para algo mais coletivo do que o que é
ensinado dentro da Academia. Paralelamente, são aqui propostas definições contemporâneas
de Geopolítica e Geostratégia, Recorreu-se à à revisão bibliográfica, à análise empírica,
suportada em inquérito a especialista nos dois jogos. Este estudo contribui assim para a
compreensão do pensamento estratégico, oferecendo uma perspetiva, que não sendo original
encontra-se ainda alheia das bases do ensino junto das Academias, contrariamente ao que
muito ocorre nos Altos Estudos Militares Norte-Americanos. . Através desta lente
procuráramos oferecer uma nova compreensão do pensamento estratégico, demonstrando
que as suas complexidades podem ser encontradas até mesmo num jogo de tabuleiro de
qualquer escola ou rua, no pensamento coletivo das civilizações.
Palavras-chave
Geopolítica, Geoestratégia, Sun Tzu, Clausewitz, Jogos.
Abstract
This work explores the study of geopolitics through the prism of Chess and GO as a proposal
for the material representation of the strategic conceptions of Western and Eastern
civilizations. This analysis centers on the following question: does geopolitics derive from a
State-oriented thought processtypical of the politicians and military personnel who study
and synthesize it for practical applicationor is it something more profound, belonging to the
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Geopolitica e Pensamento Colectivo. Estudo de Caso dos Jogos de Xadrez e de GO enquanto
Manifestações das Concepções Estrategicas das Civilizações Orientais e Ocidentais.
Apontamentos para o Estudo do Pensamento Estratégico
Pedro Henrique da Silva Horta
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collective, which is born, transformed, and resides as a form of a tendentially collective
unconscious when acting before the challenge of choice? The research design consists of a
case study of the games, looking to understand how their rules, strategies, and tactics may
reflect geopolitical approaches and theoretical thought. For comparison, albeit simplified in an
exploratory study, we considered the works of Clausewitz and Sun Tzu, which form the
foundations of theoretical teaching and geopolitical action in Western and Eastern civilizations.
This study suggests that Chess, with its conception based on direct confrontation, mirrors and
aids in understanding the Western approach, while GO, with its focus on the gradual and
reflected conquest of territory, serves as a prism for the Eastern vision, pointing towards
something more collective than what is typically taught within the Academy. Parallel to this,
contemporary definitions of Geopolitics and Geostrategy are proposed. The method relied on
a literature review, empirical analysis, and an interview with an expert in both games. This
study contributes to the understanding of strategic thought by offering a perspective that
stays estranged from the foundational teaching in Academiesunlike what has long occurred
in North American Higher Military Studies. Through this lens, we looked to offer a new
understanding of strategic thought, proving that its complexities can be found even in a board
game from any school or street, within the collective thought of civilizations..
Keywords
Geopolitics, Geostrategy, Sun Tzu, Clausewitz, Games.
Como citar este artigo
Horta, Pedro Henrique da Silva (2026). Geopolitica e Pensamento Colectivo. Estudo de Caso dos
Jogos de Xadrez e de GO enquanto Manifestações das Concepções Estrategicas das Civilizações
Orientais e Ocidentais. Apontamentos para o Estudo do Pensamento Estratégico. Janus.net, e-
journal of international relations, VOL. 17, Nº. 1, Maio 2026, pp. 19-37.
https://doi.org/10.26619/1647-7251.17.1.2
Artigo submetido em 6 de junho de 2025 e aceite em 10 de dezembro de 2025.
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GEOPOLITICA E PENSAMENTO COLECTIVO. ESTUDO DE CASO DOS
JOGOS DE XADREZ E DE GO ENQUANTO MANIFESTAÇÕES DAS
CONCEPÇÕES ESTRATEGICAS DAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS E
OCIDENTAIS. APONTAMENTOS PARA O ESTUDO DO PENSAMENTO
ESTRATÉGICO
PEDRO HENRIQUE DA SILVA HORTA
Introdução
Uma dissertação, independente da sua natureza, não pode temer questionar, ainda que
não seja certo que alcance uma resposta. Assim o disse Heidegger (2000, p.2). E assim,
como exórdio, iniciaremos o nosso artigo: com a aventura da pergunta, da procura dos
conceitos e das relações que entrelaçam e que nos permitirão desconstruir o tema que
nos propomos. No entanto, não procuraremos, de antemão, o infortúnio da resposta,
como nos alertou Maurice Blanchot (Blanchot, 1969).
Partindo da Geopolítica, caminharemos para a Geoestratégia, e daqui para a noção ampla
de Estratégia, procurando, de forma dialética, revelar alguns dos seus elementos, que,
embora não a definindo na sua plenitude, possibilitarão comparar, e desta forma revelar-
nos, um corpo sólido e distintivo de conceitos presentes, quer nas duas grandes obras,
quer nos dois jogos mais reconhecidos de Estratégia do Oriente e do Ocidente.
Falamos da Arte da Guerra de Sun Tzu, Da Guerra de Clausewitz, do Jogo de GO e do
Xadrez.
Tal caminho, perscrutando, comparando, aproximando e afastando, agrupando o
semelhante e separando o distinto de tais obras e regras, culminará numa análise
sintética sobre as aproximações e distanciamentos do pensamento estratégico presente
nestes quatro objetos de análise, que nos permitirão apontar uma chave de análise e um
caminho a percorrer.
Até encontrarmos a forma de tal chave, utilizaremos um caminho hermenêutico de
análise, que recorrerá às seguintes perguntas que teremos de percorrer, i) que elementos
caracterizam os pensamentos especificamente geoestratégicos de Sun Tzu e de
Clausewitz? ii) que aproximações e distanciamentos poderemos encontrar nos mesmos?
iii) que elementos caracterizam a estratégia nos jogos de Xadrez e de GO? Iv) que
aproximações e distanciamentos poderemos encontrar nos mesmos?
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Das quais, poderemos verificar, em síntese necessariamente breve, sobre a existência
ou inexistência de similitudes consistentes entre elementos de estratégia presentes,
respetivamente, entre o pensamento de Sun Tzu e o jogo de GO e entre Clausewitz e o
jogo de Xadrez, que não estão presentes em todos os objetos de análise.
Desta forma no presente artigo pretende constituir-se a base de uma pesquisa prévia
para o estudo natureza da estratégia e consequentemente Geoestratégia e Geopolítica,
quanto, não ao estudo dos seus elementos, mas quanto à origem do próprio pensamento,
que possa responder à questão: Porque as sociedades adotam, ou adotaram,
pensamentos estratégicos comuns que se revelam depois em diversas atividades
concretas e tão spares, com a correspondente definição de objetivos e gestão de
recursos, e porque é que diferentes sociedades adotaram diferenciadas formas de o
realizar.
Tal permitirá constituir um contributo para a base de um trabalho que procure explicar a
natureza e transmissão civilizacional dos elementos de estratégia que para além da sua
aplicação prática, podeconduzir ao estudo da própria homeostasia da Humanidade,
abarcando conceitos tão diferenciados como a psicologia, a estratégia e a biologia.
Metodologia e caminho exploratório
Para a elaboração do presente artigo fizemos uso, a título exploratório, do texto de David
Lai sobre a semelhança entre o pensamento estratégico de Sun Tzu e o Jogo de GO e foi
dele que partimos noutra direção, para perguntas não exploradas naquele que foi um
trabalho destinado, mais de 20 anos, a ensinar estratégia chinesa a generais norte-
americanos, através da materialização dos princípios de Sun Tzu que o autor descobriu
num jogo de tabuleiro.
Daí partimos para a leitura dos clássicos Arte da Guerra (2007) e Da Guerra (s/d),
concentrando-nos nos aspetos afinidade direta com a componente geográfica da guerra.
Assim o presente estudo será um ensaio, um caminhar de natureza filosófica que
questionará o tema, promovendo através da pesquisa bibliográfica, empírica,
percorrendo um caminho indutivo, que partindo das quatro questões referidas acima,
procurará concluir sobre a possibilidade e viabilidade de estudo que promova a pesquisa
sobre a natureza e características de um hipotético pensamento coletivo que enformará
o pensamento estratégico.
Conceitos de Geoestratégia e Geopolítica
No entanto, antes de partirmos para a análise impõe-se definir, ainda que apenas para
o presente propósito, os seus objetos de análise.
Desde logo Geopolítica e Geostratégia.
Para tal aderimos a Pezarat Correia (2012) em que argumenta que a designação corrente
de geopolítica se aplica predominantemente a elaborações teóricas que estão no domínio
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da geoestratégia. Essa derivação semântica abre assim caminho para uma nova
abordagem da geopolítica.
É com Rudolf Kjellén que o termo Geopolítica se impôs, no seu livro O Estado como forma
de Vida (Kjellén, sd), o que segundo Pezarat Correia (2012), tinha sido apresentado
em 1901 num artigo do mesmo autor, denominado “A Política como Ciência”, em que se
abordava a relação do Estado com a sua moldura geográfica, através de um processo de
interpretação que em que o Estado é visto, enquanto objeto de estudo, como o Individuo.
Surge, assim, a Geopolítica como o campo específico da relação da política com a
geografia, afirmando “Geopolitics is the study of the state as a geographical organism,
or a manifestation in space” (Kjellén, s/d, p. 30).
Ao que Pezarat, na esteira do pensamento nacional do então Instituto de Altos Estudos
Militares afirma e sintetiza, afirmando a Geopolítica ser o estudo dos fatores geográficos
em função da decisão política (2012, p. 231)
Para nós aqui, ainda que à margem, proponho uma outra definição, arriscando,
exclusivamente para efeito deste trabalho, que, considerando-se o mundo atual em que
existem atores não estatais a competir e a colaborar na Governança Global, em espaços
que podem não ter apenas o estatuto de geográfico como o temos entendido até ao
conflito russo-ucraniano: Geopolítica é o estudo das condicionantes do espaço, real ou
virtual, em função da decisão de uma entidade coletiva, com influência transnacional.
Abrindo assim caminho para a virtualização e complexidade crescente da geografia e dos
atores, bem como, e considerando o mote do presente trabalho, a proto ligação entre
um estudo que seja possível recorrer às mesmas ferramentas, quer estejamos em
presença da Rússia ou de um Ser individual. Ou seja, a perceção e desbravar de um fio
condutor que permita entender a necessidade biológica de sobrevivência de um
individuo, ou de parte dele, como um gene, e as sucessivas associações coletivas, desde
a família, clã, etnia, Estado, enquanto superestruturas dessa mesma sobrevivência no
espaço.
E o que dizer então da Geoestratégia? De facto, a Geostratégia surgiu em meados do
Sec. XIX, portanto 100 anos antes da Geopolítica, referindo-se ao estudo do uso da
coação no espaço:
E se a violência se subordina à Política, sendo um instrumento daquela, como podemos
justificar que tenha que ocorrido uma subversão atual de tais definições? É igualmente
Pezarat Correia que nos aponta a polaridade ocorrida após a 2.ª Guerra Mundial, com a
Política a dedicar-se à gestão dos conflitos permanentes (Estratégia), que tenha levado
a que apesar de ter prevalecido o termo Geopolítica, na prática foi a Geostratégica que
a absorveu (Pezarat Correia, 2012, p. 240)
Pelo que aqui, e na esteira do que assumimos quanto à Geopolítica, teremos então de
definir, consequentemente: Geostratégia como o estudo das condicionantes do espaço,
real ou virtual, em função da estratégia de uma entidade coletiva, com influência
transnacional.
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A Geoestratégia enquanto subdivisão da Geopolítica, esta enquanto superestrutura
daquela, no caminho que liga a política à ação tática do soldado em determinado conflito,
ou de um funcionário de embaixada em determina negociação.
E assim chegados ao Estratégico, no âmbito da grande discussão que é a Geopolítica,
não como forma de estudo parcelar em si, mas como abordagem de uma particular face
da grande complexidade do tema, como forma de contribuir para o seu estudo global,
recaindo aqui definindo como fluxo do emprego de meios, incluindo de coação, para o
atingir os objetivos políticos.
O que nos transporta para as ações que o necessárias à prossecução da decisão de
uma entidade coletiva.
Desta forma teremos as definições balizadas para procedermos ao estudo da Estratégia
tanto em Sun Tzu, como em Clausewitz, com vista ao confronto dialético com os jogos
de tabuleiro e suas ações particulares e forma de jogar.
Sobre a atualidade e objeto para a Chave
Por outro lado, se temos definidos, em proposta, os termos anteriores teremos
igualmente de adotar um problema atual que nos permita por um lado validar a
importância ou relevância do estudo de milenares jogos e pensamentos para as situações
incertas do hoje, para a qual precisamos de uma chave que nos permita descodificar.
Assim, a par desta proposta de alargamento da Geopolítica e da Geostratégia ao espaço
virtual e à decisão de entidades coletivas - arrojada e possivelmente fraturante- traremos
como referencial empírico a mais atual doutrina chinesa de manipulação de informação,
que é sintetizada e alvo de recente análise no artigo "Cognitive warfare masterclass:
China’s doctrine for strategic narrative superiority" (Tong, 2025)
A estratégia atual da China não se limita ao território físico, mas expande-se para o
domínio da perceção. Ao integrarmos o conceito de FIMI nestas definições,
compreendemos que a Geostratégia moderna é, em larga medida, o estudo das
condicionantes desse espaço virtual em função de uma vontade coletiva, numa teia de
Estados e Coletivos, ainda que proxies, que procuram a superioridade narrativa antes de
qualquer movimento cinético.
Ora tal, sendo um instrumento novo, tem raízes, como queremos defender, num
pensamento coletivo, materializado, por exemplo através de conceções milenares da
Guerra e que se materializam e podem ser alvo de estudo eclético, como por exemplo,
repetimos, como por exemplo, mas não só, no jogo de GO.
Se após leitura do presente artigo, uma nova leitura integral daquele apontamos, se
tornar mais clara, teremos a tarefa por concluída:
Across the South China Sea/West Philippine Sea, the East China Sea, and the
waters around Taiwan, the PRC is not simply sending ships or aircraft: it is
embedding every manoeuvre within a cross-platform influence operation.
State-driven media, digital proxies, legal instruments, environmental claims,
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and “routine” patrols form a multidomain front aimed at transforming
contested features and international opinion without the risk of direct military
confrontation (Tong, 2025).
Pensamento Oriental e Ocidental
E aqui esclarecidos, iniciemos a nossa tarefa de, sem exaustão, traçarmos um caminho
lógico e de validação que nos permita concluir no final.
Diferenciar exaustivamente o pensamento Oriental do Ocidental quanto à Arte da Guerra,
para além extrapolar o âmbito do presente trabalho, é controverso.
Existe? E em que consiste o pensamento Ocidental, e o que o distingue do Oriental quanto
à construção do desenrolar do conflito diplomático, económico ou bélico?
A título introdutório da questão debrucemo-nos no seguinte:
Clausewitz não considera que a natureza da guerra se avalie pela quantidade
de danos e sofrimentos causados aos beligerantes. A natureza da guerra
define-se pelo objetivo de impor a vontade política de um Estado a outro.
Todavia, ao contrário de Sun Tzu, Clausewitz não se demora demasiado na
consideração da guerra mínima que consistiria na eficácia da simples ameaça
do uso da força em alternativa ao uso da força propriamente dito
(Soromenho-Marques, 2019, p. 758).
Contudo a forma, i.e. a estratégia, de, perante o conflito, perante a dialética de vontades,
relativa ao momento, ao uso dos recursos, incluindo a violência, estarão presentes
diferenças, e se sobre eles que nos debruçaremos, procurando realizar o exercício
mental de reduzirmos à essência e ao sentido mais lato de conflito, procurando desta
forma compreender a sua verdadeira natureza, e os símbolos que lhe foram emprestados
permitindo-nos transportar entre uma zona de conflito e um tabuleiro de Xadrez ou de
GO.
Assim teremos que, das obras em questão, proceder a uma análise que nos propusemos:
Que elementos caracterizam os pensamentos especificamente geoestratégicos de
Sun Tzu e de Clausewitz? e,
Que aproximações e distanciamentos poderemos encontrar nos mesmos?
Tratando-se de uma dissertação exploratória, decidimo-nos limitar a elementos
concretos do pensamento, ínsitos nas obras seminais destes autores, em concreto a
questão geográfica da estratégia, quer porque diretamente relacionada com Geopolítica.
Desta forma temos duas obras em análise que foram escritas em locais, tempos e
contextos diferentes.
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A Arte da Guerra
Sun Tzu, General e Estratega, cuja própria existência é colocada em causa - como tantos
outros da história da Humanidade que nos deixam obras e pensamentos fundamentais
terá escrito A Arte da Guerra durante o século V a.c., sendo que o contexto da obra é
rodeado, e dele terá recebido influência, do conturbado período das Primaveras e
Outonos (entre 770 a.C. a 476 a.C.), caracterizado por constantes guerras entre estados
feudais na China, numa época caracterizada assim pelo conflito permanente.
A obra é dividida em capítulos em que é abordada a preparação, planeamento, tática e
até o uso da espionagem na Guerra.
Para a elaboração da mesma, para além do contexto político-militar, temos por claro que
as influências do Taoismo são presentes, nomeadamente no conceito de Tao em si: O
Caminho que tudo subjuga e ao qual devemos estar atentos e seguir, como nos ensina
o Tao Te Ching:
Caso um rei peça conselhos a um mestre do Tao,
que o seu conselho não seja
“exibir a glória do reino pela força de suas armas”.
Tal ação certamente encontraria uma reação.
Toda força excessiva logo encontra outra força contrária.
Aliás esse seo nosso ponto de partida: Em Sun Tzu, na Arte da Guerra, um caminho,
uma harmonia, uma forma correta de fazer a Guerra, mas acima de tudo de a evitar, de
a ganhar (campo da política) e que ele descobre e propõe revelar.
Compreender isto é iniciar-se ao pensamento de Sun Tzu. E que forma distintiva, e
elementos nos são propostos?
O seu livro encontra-se dividido em 13 capítulos em que cada um aborda um especto
fundamental da Arte, afirmando logo no inicio que “A Arte da Guerra é de importância
vital para o Estado” reconhecendo a sua importância e subordinação à política, avisando-
nos que, por ser uma matéria de vida ou morte para o Estado, deve merecer a nossa
meditação, ou seja estudada, e ponderada, conduzindo desta forma a Arte da Guerra a
proposta de reflexão sobre uma ação a conduzir dentro de limites, dentro das razões que
apresenta.
E se são 13 os capítulos, são cinco os fatores de análise: O Tao ou Caminho, o Tempo,
O Terreno, o Comando e a Disciplina. Quem os compreender, diz Sun Tzu poderá ganhar
a batalha.
Uma breve referência ao Tao ou Caminho porque sendo um conceito que hoje
entendemos como a Vontade
1
era definido por Sun Tzu como O caminho é o que faz
com que as ideias do povo estejam de acordo com a de seus governantes. Assim, as
1
Refiro-me à equação do Poder de Ray Cline que criou a célebre “Equação do Poder” :P=(C+E+M) x(S+W),
em que P Poder, C Massa Crítica, E Capacidade Económica, M Capacidade Militar; S Saber, W
Vontade.
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pessoas irão compartilhar do medo e da aflição da guerra, porém, estarão ao lado dos
interesses do Estado, quaisquer que seja o caminho escolhido” (Sun Tzu, 2007
Neste seguimento existe em Sun Tzu, a convicção de que antes da batalha o resultado
é conhecido, não por intervenção divina ou mérito moral, mas pela análise que cada um
dos Generais deve realizar aos seguintes pontos, que são as perguntas permanentes dos
que conduzem a Guerra:
Qual o povo que escolheu seu caminho?
Qual o comandante que tem mais habilidade?
Qual dos lados tem a vantagem do clima e do terreno?
Qual dos exércitos manifesta uma disciplina mais efetiva?
Qual dos lados possui a superioridade militar?
Qual dos lados tem os soldados mais bem treinados?
Qual dos lados possui um sistema de recompensas e de castigos mais justo e
claro?
Aquele que sabendo tal compreender e responder, obterá o resultado da vitória antes
do combate, permitindo que se evitem guerras desnecessárias ou inglórias. Tal é
fundamental.
Desta forma poderemos esquematizar alguns princípios que nos importam para a análise
comparativa:
A Dissimulação; Este princípio é fundamental, considerando a base da ação militar em
Sun Tzu e compreende, para além do conceito geral, a apresentação de algumas táticas
conducentes à sua concretização:
Um comandante militar deve atacar onde o inimigo está desprevenido,
Provocar o Orgulho do inimigo,
Provocar a desunião das suas tropas,
Deve fingir-se despreparado e incapaz,
Deve oferecer uma isca para fascinar o inimigo que procura vantagem,
Gestão da Guerra: O General deve providenciar uma guerra rápida e ter em atenção que
a pode conduzir quando reunir os recursos necessários. Deve igualmente ter
consciência que a Guerra consome os recursos da Nação e que a empobrece e por isso,
quanto mais rápida esta finalizar e lhe for possível obter os recursos em solo inimigo te
vantagem. Por outro lado, a guerra demorada importará na desmoralização das tropas,
momento que pode ser usado pelo inimigo.
Estratagemas: É neste ponto que encontramos um dos aspetos caracterizadores mais
distintivos de Sun Tzu, ao qual ele considera ser o princípio geral da Guerra e que pela
sua importância reproduzimos antes de o analisar:
Manter o estado do inimigo intacto, dominar seu o exército e forçá-lo à
rendição é melhor do que esmagá-lo (…) Excelência mais alta está em obter-
se uma vitória e subjugar o inimigo sem, no entanto, lutar (Sun Tzu, 2007).
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O que é realizado segundo três estratégias por ordem de importância: Atacar
estratégias, atacar alianças, atacar soldados, sendo que atacar cidades e subjugar
territórios é a pior política.
O que nos remete para princípios de não combate, e quando estes ocorrem, deixando
sempre as populações civis de lado (“atacar cidades”), não apenas por isso, mas porque
tais ataques resultarão em grandes perdas para quem ataca, devido à fortificação das
mesmas.
Aliás, apesar de não tratar neste capítulo, mas no anterior, Sun Tzu determina o bom
tratamento dos prisioneiros. Pelo que devemos entender que a Arte da Guerra propõe a
subjugação do inimigo, mas não na sua destruição, primeiro por evitar a Guerra, depois
por a conduzir dentro de uma Moral e caminhando sempre com vista dos três princípios
anteriores.
Compreendendo assim o pensamento de Sun Tzu quanto à forma de conduzir a batalha
e qual o seu objetivo, deixemos alguns aforismos presentes na Arte da Guerra e que
agora estaremos em condições de compreender e que serão úteis para a análise
subsequente:
Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo
de derrota,
O perito pode tornar-se invencível, mas não pode garantir como certa a
vulnerabilidade do inimigo,
Quando não nenhuma chance de vitória, assuma uma posição defensiva;
quando há uma chance de vitória, lance um ataque,
Na avaliação do terreno, ele deve verificar as características físicas de um
campo de batalha,
A descoberta dos pontos fortes e fracos permite que o exército caia sobre seu
inimigo como uma pedra sobre ovos,
O general deve adotar táticas frontais, se quiser confrontar o inimigo e táticas
de surpresa, se quiser conquistar a vitória,
O inimigo não pode opor resistência o seu ataque, porque este irrompe nos
seus pontos fracos,
algumas estradas que não devem ser percorridas; e inimigos que não
devem ser atacados. algumas cidades que não devem ser capturadas,
alguns territórios que não devem ser contestados, e algumas ordens do
soberano que não precisam ser obedecidas.
Quanto mais vo penetrar em território hostil e seus soldados estiverem
coesos, mais difícil será para os defensores o derrotar,
Dirigimo-nos assim, sucintamente para a compreensão da essência de Sun Tzu, dos
princípios fundamentais que analisaremos em comparação com Clausewitz, sendo que
os últimos aforismos, permitirão dirigir a nossa atenção para as regras particulares da
batalha quando associada ao desenvolvimento dos jogos de tabuleiro, e a eles deveremos
voltar
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Da Guerra
Antes de passarmos a Clausewitz, teremos de ter por assente que à data da publicação
(póstuma), e já em vida deste, a obra de Sun Tzu tinha chegado ao conhecimento
europeu, através de um livro de Amiot (1772), que abordando em tema A Arte dos
Chineses, apresentava uma secção sobre os 13 capítulos de Sun Tzu. Pelo que, podendo
ter ocorrido ou não a leitura por parte de Clausewitz, não é possível afirmar que Sun Tzu
se tenha mantido incógnito do Ocidente até aos Sec. XIX.
Carl von Clausewitz, cuja obra seminal "Vom Kriege" ("Da Guerra"), é considerada uma
das mais influentes e profundas na teoria militar ocidental foi, tal como Sun Tzu, um
estrategista militar, neste caso, prussiano, tendo participado nas Guerras Napoleónicas.
Viveu entre 1780 e 1831, num período pós-vestefaliano, com o Estado moderno definido
nos seus princípios, mas incerto e revolucionário, do ponto de vista político e
consequentemente militar.
A sua obra foi escrita entre 1813 e 1831, data da morte, com publicação póstuma, sendo
dividida em oito livros, sendo que no presente trabalho focar-nos-emos nos elementos
dos três primeiros livros: i) Da Natureza da Guerra, ii) Da Teoria da Guerra e iii) Sobre a
Estratégia em Geral.
A forma como é escrito Da Guerra, já nos remete para Kant e para uma escrita,
profundamente definida, lembrando-nos quer a obra de Espinoza (Ética), onde o
pensamento surge esquematizado partindo de definições para conclusões, ou se
quisermos, a Guerra é exposta como diria uma criança dos dias de hoje, com as regras
bem definidas.
Ou seja, saímos muito dos princípios e sendo um manual de estratégia é igualmente um
manual de tática militar. Aliás tal não é nosso, mas do próprio que o refere em Prefácio
na sua obra:
O seu [Da guerra] caráter científico consiste numa tentativa de investigar a
essência do fenómeno da guerra e de indicar os vínculos existentes entre
esses fenómenos e a natureza das suas partes componentes. Nenhuma
conclusão lógica foi evitada, mas sempre que o fio deste tecido se tornou
demasiadamente fino, preferi rompê-lo e voltar aos fenómenos relativos à
experiência (Clausewitz s/d).
Vejamos:
O primeiro capítulo de "Da Guerra" de Carl von Clausewitz, intitulado "Sobre a Guerra
em Geral" é fundamental para estabelecer os alicerces teóricos e conceptuais que
enformam toda a obra.
Neste capítulo inicial, Clausewitz explora a natureza da guerra, sua definição e suas
relações com a política e a sociedade.
Clausewitz começa por definir a guerra como um "ato de força para compelir o nosso
adversário a cumprir a nossa vontade" estabelecendo a guerra como um meio de alcançar
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VOL. 17, Nº. 1
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Manifestações das Concepções Estrategicas das Civilizações Orientais e Ocidentais.
Apontamentos para o Estudo do Pensamento Estratégico
Pedro Henrique da Silva Horta
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objetivos políticos através do uso da força. Integrando, como vimos a guerra na política
nacional e internacional. O que é o mesmo conceito que encontramos em Sun Tzu.
A Guerra para Clausewitz apresenta-se como um fenómeno complexo, multifacetado:
Interdependência com a Política: inseparável da política, descrevendo-a, naquela que foi
uma frase que é repetida e mimetizada, como a continuação da política por outros
meios”,
Variabilidade e Incerteza: Para Clausewitz a guerra, é uma atividade onde "a incerteza
em si mesma é um fator que afeta o curso da ação", devido às variáveis em constante
mudança, como as ações do inimigo, as condições do terreno e os recursos disponíveis.
A Importância da Vontade, na condução da guerra: A guerra não é meramente um
confronto de forças físicas, mas também um teste de determinação e resiliência política
e moral. A vontade de lutar e a capacidade de sustentar esforços durante conflitos
prolongados são aspetos fundamentais para a determinação do resultado da guerra. O
que já tínhamos visto em Sun Tzu.
Pelo que quanto ao primeiro capítulo do seu livro, dos princípios, a existência de fatores
que devem ser analisados para a condução da guerra, como o facto de ser subordinada
à vontade política, e a importância da Vontade, podemos concluir que é em tudo
semelhante a Sun Tzu.
No segundo capítulo, Clausewitz identifica três elementos essenciais que compõem a
guerra:
1. Vontade e Determinação: Tema que recupera do primeiro capítulo.
2. Meios Militares: Aborda os recursos militares disponíveis, incluindo forças terrestres,
marítimas e aéreas, bem como a logística e a capacidade de mobilização de recursos
durante a guerra.
3. Paixão de Guerra: Aqui refere-se ao de novo à vontade, que motiva as tropas e os
líderes militares. O que recupera igualmente do primeiro capítulo, mas do ponto de
vista interno dos seus agentes.
Continua a ser um capítulo introdutório, teórico e novamente muito próximo de Sun Tzu
quanto à essência do mesmo.
É, contudo, no terceiro capítulo, que apesar de manter a continuação dos anteriores,
apresenta um aprofundamento e uma análise mais detalhada sobre a própria natureza e
a prática da guerra, pelo que deixamos alguns exemplos:
Desde logo começa por definir a estratégia como o uso do combate para alcançar os
objetivos da guerra, diferenciando a estratégia da tática, explicando que a tática se refere
ao uso das forças em batalhas e combates individuais, enquanto a estratégia envolve a
coordenação e a orquestração dessas batalhas para alcançar os objetivos políticos e
militares mais amplos. O que é a definição atual Ocidental, estabelecendo os rios níveis
da Guerra e suas ações.
Outro dos pontos principais abordados é o objetivo final da guerra, afirmando que o
objetivo da guerra é aniquilar as forças inimigas ou, pelo menos, reduzir a capacidade
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do inimigo de resistir à vontade do atacante. Defendendo que a destruição das forças do
inimigo é frequentemente necessária para uma paz duradoura e efetiva. Neste ponto
diferindo de Sun Tzu. Por completo antagonismo.
Neste capítulo é igualmente dada importância à concentração de forças no ponto decisivo
da batalha e à sua não dispersão. Este conceito é ligado a outro quando aborda a questão
da economia de forças, destacando a necessidade de utilizar os recursos de maneira
eficiente. Ou seja, apesar de avançar aqui para a questão do ponto decisivo, do centro
vital, e de apontar os recursos para tal, o que é uma conceção original de Clausewitz,
por outro lado mantem a necessidade de gestão e racionalização de recursos, que Sun
Tzu já se referia.
É assim neste terceiro capítulo, definindo claramente os conceitos de estratégia, a
discussão sobre concentração de forças, uso do terreno, surpresa, economia de forças,
moral e inteligência, que nos proporciona uma base sólida para a compreensão da
condução eficaz da guerra. São estes princípios que, com exceção do apontamento
realizado, que atualmente continuam a moldar o pensamento estratégico e
Geoestratégico.
Antes de partirmos para uma análise dialética entre os princípios destes dois pensadores,
deixemos um reforço ao conceito fundamental em Clausewitz: O de Centro de Gravidade.
É no capítulo seis que nos avança decisivamente para a sua explicação:
Quanto maior for a força com que este golpe for desferido, mais certo será o
seu efeito. Esta sequência bastante óbvia leva-nos a uma analogia que a
ilustrará mais claramente, isto é, a natureza e o efeito de um centro de
gravidade. Um centro de gravidade é sempre encontrado onde a massa
estiver mais densamente concentrada. Ele oferece o alvo mais efetivo para
um golpe. Além disto, o golpe mais violento é o desferido pelo centro de
gravidade (Clausewitz s/d).
Este conceito é usado, e por vezes abusado, na definição do esforço de guerra. Clausewitz
aponta-nos para a existência na batalha de um ponto em que o efeito do combate, e
consequentemente a sua perda, pode criar maior efeito nas forças. Se o entendermos
simplesmente e o procurarmos onde literalmente as forças estão mais concentradas, não
o teremos compreendido, O centro vital pode ser o líder, uma estação de rádio, um centro
de comando, um rei no Xadrez.
Análise dialética
Confessa-se que antes de proceder à leitura das presentes obras, tal como indicado
na introdução, esperava-se uma diferença diametralmente oposta entre os conceitos de
ambos os autores. Culpa minha.
De facto, com exceção da noção de centro de Gravidade, e da opção pela destruição do
inimigo, bem como do estilo enciclopédico de esquematizar o trabalho e, consequente
atualização dos movimentos de estratégicos e táticos mercê dos avanços tecnológicos e
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Apontamentos para o Estudo do Pensamento Estratégico
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da natureza das guerras europeias contemporâneas, observamos poucos pontos
diferenciadores. Fruto de uma essência a ser descoberta na Estratégia, ou fruto do
conhecimento de Clausewitz da obra de Sun Tzu? Deixemos lateralmente como ponto
para outro caminho.
Temos assim que Sun Tzu evita o combate, procura a dissimulação e deceção, procura a
invencibilidade dos seus exércitos e a exploração das fragilidades dos inimigos, enquanto
Clausewitz, procura a destruição do centro de gravidade, batalha após batalha, do
inimigo, a reunião e utilização de recursos em concentração nesse ponto, com vista à
aniquilação do inimigo, num desgastar de meios.
E isso reduz a uma forma de agir completamente diferente: Sun Tzu procura na paz
garantir a invencibilidade dos seus exércitos, como forma de se precaver da necessidade
de combater no futuro, Clausewitz procura as melhores táticas para atacar em força os
centros de gravidade quando das batalhas.
E com esta observação que sumariza o nosso caminho, vamos compreender melhor,
através de uma análise dos dois grandes jogos Ocidentais e Orientais porque é que
afirmamos no tulo que os mesmos podem consubstanciar uma manifestação
diferenciada do pensamento estratégico.
Os Jogos de Xadrez e de GO
Comecemos pelo Xadrez. Tendo origem eventualmente na India, chegou ao fim da
Europa por volta do sec. X, mas a sua versão moderna, com as regras atuais, foi revelada
em Londres cerca de 1850, cerca de vinte anos, curiosamente, após a publicação do “Da
Guerra”.
Tal como o GO é jogado num tabuleiro de pedras claras e escuras, bem como com peças
claras e escuras que se opõem em combate. Conhecido que a vitória se obtém pelo
xeque-mate ao Rei, apresenta algumas estratégias principais, como veremos num
quadro comparativo.
As peças têm valores, movimentos e funções diferentes, representando um verdadeiro
exército que se digladia. As peças são colocadas no tabuleiro de acordo com uma ordem
especifica, inicialmente, e com exceção do peão que pode ser promovido em determinada
fase do jogo, todas as outras poderão ser retiradas do tabuleiro, que fica cada vez mais
vazio, tal como ocorre num combate. Por outro lado, o jogo de GO é igualmente um jogo
tabuleiro para dois jogadores, cujo objetivo, da vitória, é cercar mais território do que o
oponente, limitando a sua ação e a sua capacidade de reação.
Terá sido inventado na China há mais de 2500 anos e é considerado o jogo de tabuleiro
mais antigo ainda jogado nos tempos modernos. Foi conhecido no Japão e na Coreia,
tendo no sec. XIX chegado à Europa.
O tabuleiro padrão, chamado de Goban, tem 19x19 interseções, o que totaliza 361 pontos
de jogo, a forma mais próxima de representar o ciclo anual, representando por isso o
mundo e o tempo.
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Apontamentos para o Estudo do Pensamento Estratégico
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O tabuleiro começa vazio, alternando os jogadores a colocação de peças pretas e
brancas, conquistando o seu território, criando estruturas invencíveis, literalmente, e
impedindo, quando oportuno a criação de tais estruturas pelo adversário.
Para tal podem ser realizados ataques para a captura de peças, ou a colocação
estratégica de peças em locais que obstam à criação de potenciais estruturas invencíveis
por parte do adversário (lembremo-nos de Sun Tzu na criação da invencibilidade).
Vencendo quem tiver mais território no final e não quem mata ou destrói o outro.
Entre estes dois jogos verificamos semelhança no uso de tabuleiro e de peças claras e
escuras, bem como a existência de apenas um único vencedor, exceto nas situações de
empate, pese embora o jogo se conduza para a vitória..
Enquanto o Xadrez se inicia com o tabuleiro cheio e, com o combate, com vista a capturar
o Rei, vai-se esvaziando de recursos criando maiores dificuldades aos jogadores, o GO
inicia-se vazio e vai sendo ocupado, ocorrendo marginalmente a retirada de peças que
são capturadas, (mas que no fim a ele retornam, lembrando Sun Tzu sobre o tratamento
Humano aos prisioneiros, não os matando) apresentando no fim, um tabuleiro cheio de
estruturas complexas que resultaram das ões táticas e estratégicas, sendo vencedor o
que mais invencível se tornou e consequentemente tomou mais território.
Quanto a técnicas de jogo, verificamos em ambos a necessidade de controlo de terreno,
a existência de táticas locais de captura, e a necessidade de alinhamento total de
recursos com vista à vitória.
Pelo que são estas as diferenças e aproximações ao mesmo de uma forma resumida.
Comparação entre Clausewitz, Sun Tzu, Xadrez e GO
A consideração de que o Xadrez e o GO são metáforas, do pensamento estratégico, não
é nova:
Chess, always a metaphor and infinite source of examples for geopolitics and
war as the impressive recently reminded us, has become itself the space of
world competition. From the abstract image of space to real space
2
, Zbigniew
Brzezinski, former National Security Advisor to U.S. President Jimmy Carter,
wrote in The Grand Chessboard in 1997: "Eurasia is the chessboard on which
the struggle for global primacy continues to be played." But is Beijing playing
chess? On Eurasia and beyond, Chinese strategists are not engaged in a chess
game but are probably designing a series of moves congenial with their own
understanding of strategy. While Westerners might navigate a world mapped
as a chessboard, the Chinese mind circulates on a weiqi board (Gosset, D.,
2010).
2
Giangiuseppe Pili, Chess, the mirror of geopolitics - Chess as cultural space of world competition
Scuolafilosofica, 2020
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Pedro Henrique da Silva Horta
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Aqui desenvolvemos, provocamos, o desenvolvimento da necessidade de densificarmos
o seu estudo em concreto. Como vimos até agora, e pela leitura poderíamos concluir
acerca das aproximações entre os mesmos.
Num trabalho sucinto como este, apenas poderemos seguir um caminho mais empírico,
que permita abranger o geral, descobrindo aqui e ali o que é verdadeiramente
distanciado. Obviamente que com um futuro aprofundamento, com leitura de todos os
artigos de Clausewitz e todos os aforismos de Sun Tzu, poderemos descobrir nuances.
Ou outros caminhos.
Mas tal não é para nós. Aqui apenas explorar se há ou não diferenças dignas de nota que
possam indicar que há conceções diferentes nos propósitos da Guerra e que possam ser
explorados noutros campos como na investigação política, biológica ou da psicologia.
Assim para essa análise considerou-se que a melhor forma seria a apresentação em
tabela do que atrás foi referido por forma a podermos verificar em confronto as
semelhanças e diferenças entres estes quatro objetos de estudo.
E assim, constata-se que temos claramente diferenciados os objetivos e finalidades da
Guerra, do conflito, e que o Jogo de Xadrez se aproxima de Clausewitz e o de GO de Sun
Tzu.
E aqui, teremos a chave para nos adentrarmos, na consolidação de uma verdadeira
perspetiva de análise do pensamento Oriental (aqui reconduzo-me à questão da
oportunidade e necessidade).
A convergência aqui constatada entre o pensamento de Sun Tzu e a dinâmica do jogo de
GO que é, em súmula, focada na procura da invencibilidade e na conquista gradual de
território, ambas sem confronto direto é, algo presente na atualidade, e poderemos
constatar, e assim facilmente correlacionar, tecnologicamente traduzida pela doutrina
chinesa de Guerra Cognitiva.
E assim o FIMI, base do recente estudo aqui trazido no início como objeto para ser aberto
pela chave aqui demonstrada, ainda que em síntese ensaísta, constitui-se como aplicação
e resultante do nexo causal entre a filosofia milenar de 'subjugar o inimigo sem lutar' e
a busca contemporânea pela Superioridade Narrativa Estratégica. os meios, e os
instrumentos é que mudaram.
Mais uma vez, ao contrário da lógica ocidental de aniquilação do centro de gravidade, a
atual atuação chinesa, através do FIMI, replica e pode ser visualmente entendida como
a colocação de 'pedras' informativas no tabuleiro global, cercando as perceções do
adversário antes mesmo de qualquer hostilidade física ser declarada, procurando vencer,
com a criação de estruturas (assumam elas a forma que assumem ou vierem a assumir)
invencíveis.
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Figura 1. Tabela Comparativa. Pedro Horta, com base em inquérito (Meneses, 2025)
Conclusões
Ao longo do presente trabalho percorremos o pensamento de Sun Tzu e de Clausewitz,
encontrando nas ideias principais do mesmo, focando-nos quanto aos objetivos da
Guerra, os seus princípios, as suas principais táticas. Depois avançamos para o jogo de
Xadrez e de GO, exercendo igual busca empírica.
Por fim, estabelecemos uma tabela comparativa entre ambos, resultando, a
demonstração, da a existência de semelhanças entre o jogo de Xadrez e o pensamento
de Clausewitz, ocorrendo o mesmo em relação ao GO e ao pensamento de Sun Tzu.
Estas semelhanças, entre os jogos, cumulativamente com as distinções entre o
pensamento Oriental e Ocidental leva-nos a procurar e a alicerçar a realização de uma
outra investigação que contemple as perguntas subsequentes e que parte da primordial:
Porquê? E mais: Como poderemos adentrar, no seu estudo, estabelecendo uma
verdadeira capacidade de análise do pensamento Oriental (porque nos reconduzimos
Sun Tzu ("A Arte da
Guerra")
Clausewitz ("Da
Guerra")
Xadrez Go
Proximidade
Xadrez
Proximidade
Go
Origem China, culo V a.C. Pssia, culo XIX
Índia, culo VI
(chaturanga)
Chegou à Europa
antes de
Clausewitz
Anterior a
SunTzu
Objetivo da
Guerra
Vencer sem lutar;
alcançar vitória com
o nimo de conflito
Destruir as forças
inimigas; alcançar
objetivos políticos
Xeque-mate ao rei
adverrio
Clausewitz Go
Natureza da
Guerra
Guerra como uma
arte, baseada em
estratégia e
subterfúgio
Guerra como um ato
político; "a
continuação da
política por outros
meios"
Jogo estratégico de
controle e ataque
SunTzu SunTzu
Imporncia da
Estragia
Fundamental para
vencer; enganar o
inimigo,
adaptabilidade
Fundamental;
coordenar
engajamentos para
alcançar objetivos
Fundamental;
planeamento de
movimentos e
controle do tabuleiro
Ambos Ambos
Uso de Engano
Essencial; enganar o
inimigo, criar
confusão
Menos ênfase; mais
foco na fricção e
incerteza da guerra
Utilizado através de
táticas como
sacrifícios e
armadilhas
Clausewitz SunTzu
Preparação e
Informação
Conhecer o inimigo e
a si mesmo;
importância da
espionagem
Importância da
inteligência militar,
mas foco na
"fricção"
Estudo das aberturas
e das estratégias do
adverrio
Ambos Ambos
Economia de
Forças
Usar os recursos
eficientemente;
evitar batalhas
desnecesrias
Importância da
concentração de
forças no ponto
decisivo
Utilização eficiente
das peças, evitando
trocas desfavoráveis
Clausewitz SunTzu
Mobilidade e
Flexibilidade
Adaptabilidade a
diferentes situações;
uso de terreno
Mobilidade e
manobra o
cruciais; adaptação
às circunstâncias
Movimentos rápidos e
eficientes,
coordenação das
peças
Ambos Ambos
Moral e
Lideraa
Importância da moral
e da liderança sábia
Importância da
moral das tropas e
da liderança
Planeamento e
execução cuidadosa,
controle emocional
dos jogadores
Ambos Ambos
Decisões e
Incerteza
Tomar decisões
pidas e calculadas;
aproveitar
oportunidades
"Névoa da guerra";
fricção e incerteza
são inerentes à
guerra
Tomada de decisões
baseada em alise e
antecipação das
respostas adverrias
Ambos Ambos
Finalidade das
Ações
Alcançar objetivos
com o nimo de
custo e desgaste
Destruição das
forças inimigas para
alcançar uma paz
duradoura
Captura e xeque-mate
ao rei adversário
Clausewitz SunTzu
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sempre à utilidade), numa tentativa de compreender e antever a próxima jogada do
outro?
Será que o podemos justificar com a cultura reinante no momento da sua conceção? Será
que Sun Tzu se baseou no jogo de GO, ele próprio profundamente impregnado do
Taoismo? E aqui devemos ter outra vez o que dissemos acerca do Tao: existe um
caminho, e esse caminho é para o Tudo, logo incito nos jogos, no pensamento
empresarial, estratégico, político, familiar.
Da mesma forma revelou-se que Clausewitz tem muito mais semelhanças com Sun Tzu,
nos primeiros dois capítulos do que esperava, o que pode constituir igualmente uma
futura base de estudo.
Em conclusão, poderemos afirmar que as definições de Geopolítica e Geostratégia aqui
propostas, integradas com a compreensão do fenómeno FIMI, atual, constituem-se como
a chave hermenêutica para decifrar a atuação atual e futura da China no sistema
internacional. Tal resulta da evidência empírica da tese aqui explorada e que reside, em
proposta, na transposição dos arquétipos estratégicos do GO e de Sun Tzu, enquanto
materialização do pensamento Ocidental e Oriental, para o novo paradigma do
ciberespaço e para a guerra cognitiva.
Assim, com esta chave, poderemos compreender, entre outros, e aqui apenas trazido à
colação para efeito de exemplo prático, mais do que uma simples técnica de
desinformação, o FIMI representa a manifestação material de um pensamento coletivo
que privilegia o cerco e a influência sobre a destruição, validando a premissa de que a
complexidade da estratégia global pode ser antecipada pela compreensão das bases
culturais e dos jogos de tabuleiro de uma civilização.
Por exemplo poderíamos abrir a porta a Carl Jung, com os seus Arquétipos e
pensamento coletivo, ou à teoria dos memes que surgem do Gene Egoísta de Richard
Dawkins, numa tentativa de explicação de um pensamento que se torna coletivo, e que
impele determinados elementos mais próximos entre si de mimetizarem
comportamentos e fins, com um objetivo homeostático, que em ultima ratio, é a dos
Estados.
É esse trabalho, repetimo-nos, porque é essencial, que tem que ser aprofundando com
recurso a equipas multidisciplinares que congreguem não apenas estrategas da
Academia, mas igualmente psicólogos, linguistas, especialistas em ciberdefesa e
segurança, especialistas em Teoria dos Jogos e até, como se viu, praticantes exímios de
jogos de tabuleiro.
Não é para este ensaio. Apenas procurámos abrir uma porta, que há muito se encontra
descoberta, mas por nós, ainda fechada.
Referências
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Fac-Simile
Blanchot, M. (1969). L’Entretien infini. Collection Blanche. Gallimard.
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