Esta fluidez é melhor observável nas questões relacionadas com temas específico, como
com o género, etnia ou nacionalidade, onde os símbolos tratam de desenhar os
sentimentos de pertença/exclusão. As redes sociais, como espaço predileto no espaço
digital de mobilização simbólica, desempenham um papel já mencionado de reivindicação
e de conflitualidade. Por um lado, indivíduos ou grupos procuram cimentar a sua posição
em determinada senda, por outro travam-se confrontos por legitimidade e
reconhecimento.
A identidade é uma construção simbólica, moldada por interações sociais e culturais, mas
também, e cada vez mais, tecnológicos.
A construção do eu não está dependente, apenas, de experiências particulares ou de
qualquer introspeção privada. Acima de tudo, hoje, está particularmente ligada à
exposição a símbolos coletivos que direcionam os indivíduos nas sociedades, tal como
Taylor (2011) nos diz “o meu descobrir a minha identidade não que dizer que a trabalho
em reclusão, mas que a negócio através do diálogo, parcialmente exposto, parcialmente
internalizado, com outros” (p. 55). A identidade é então um elemento fluído, moldável,
suscetível de mudança. Deixa de ser um reflexo do indivíduo, mas antes um reflexo das
como algo interações do indivíduo com os outros e com as estruturas simbólicas que os
rodeiam.
A comunicação e produção cultural de hoje, proporciona um ambiente de intensa
construção simbólica.
A fluidez identitária
O conceito de fluidez, nos moldes propostos por Bauman, é essencial numa compreensão
mais completa da identidade na contemporaneidade. Nesta modernidade líquida, as
estruturas aparentemente sólidas de identificação, tais como o Estado-nação, a classe
social, a religião ou a família, dissolvem-se, surgindo em contrapartida uma variedade
de novas formas de pertença e de identificação, que por sua vez, podem ser substituídas
ou reformuladas. Esta fluidez identitária demonstra a efeméride das relações e a
transitoriedade cultural, onde os limites identitários se revelam porosos.
Uma vida dedicada à procura da identidade é cheia de som e de fúria. Identidade significa
aparecer: ser diferente, por essa diferença, singular – e assim a procura da identidade
não pode deixar de dividir e separar. E, no entanto, a vulnerabilidade das identidades
individuais e a precariedade da solitária construção da identidade levam os construtores
da identidade a procurar cabides que possam, em conjunto, pendurar seus medos e
ansiedades individualmente experimentados e, depois disso, realizar os ritos de
exorcismo em companhia de outros indivíduos também assustados e ansiosos. É
discutível se essas “comunidades-cabide” oferecem o que se espera que ofereçam – um
seguro coletivo contra incertezas individualmente enfrentadas; mas sem dúvida marchar
ombro a ombro ao longo de uma ou duas ruas, montar barricadas na companhia de
outros ou roçar os cotovelos em trincheiras lotadas, isso pode fornecer um momento de
alívio da solidão (Bauman, 2003: p. 21).
A identidade é moldada pelo consumo, pelas imagens mediáticas e pela constante
interação, quer com outros que partilham semelhantes fluxos simbólicos, quer com
outros que aparentemente numa categoria contraria permite a negociação identitária,