OBSERVARE
Universidade Autónoma de Lisboa
e-ISSN: 1647-7251
VOL. 16, Nº. 2, TD4
Thematic Dossier
European Union Security Governance:
from Integration to Strategic Autonomy
Abril 2026
23
POLÍTICA DE GESTÃO DE DADOS DA UNIÃO EUROPEIA: AMEAÇAS E DESAFIOS
À SEGURANÇA DIGITAL
ANTÓNIO PEDRO BOGAS BARROSO
pedrobogasbarroso@gmail.com
Aspirante a Oficial Aluno no Mestrado Integrado na Especialidade de Piloto Aviador.
Centro de Investigação da Academia da Força Aérea, Academia da Força Aérea, Instituto
Universitário Militar (Portugal). ORCID: 0009-0007-0836-1061
ÉLIA CHAMBEL
eliachambel@gmail.com
Oficial da PSP (Portugal). Doutora em Relações Internacionais, Mestre em Ciência Política e
Relações Internacionais e Licenciada em Ciências Policiais. Docente em várias instituições com
destaque para o Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna. ORCID: 0009-0005-
8616-7470
TIAGO LUÍS CARVALHO
tiagoluiscarvalho13@gmail.com
Professor na Academia da Força Aérea (Portugal). Doutorado em Relações Internacionais e Pós-
Graduado em Direito da União Europeia. Investigador do Instituto do Oriente, Instituto Superior
de Ciências Sociais e Políticas, Universidade de Lisboa e do Centro de Investigação da Academia
da Força Aérea, Academia da Força Aérea, Instituto Universitário Militar (Portugal). ORCID:
0000-0003-3486-9794
Resumo
Os dados pessoais são um ativo de grande valor. A disputa pelo controlo de dados tornou-se
uma competição global, em que o acesso e o domínio sobre esses recursos oferecem
vantagens económicas, estratégicas e geopolíticas substanciais. O papel estratégico dos dados
é especialmente relevante para a União Europeia, que procura equilibrar o incentivo à
inovação com a preservação dos seus valores democráticos e da sua soberania digital. Neste
contexto, é imperativo assegurar políticas de gestão de dados claras e robustas, assegurando
não apenas a privacidade, mas também protejam contra abusos de terceiros, garantindo
assim a soberania e a segurança de Estados e cidadãos. Para abordar a complexa dinâmica
digital, o presente estudo centra-se na análise das legislações adotadas pela União Europeia
no domínio da gestão de dados entre 2016 e 2024. Procura-se, igualmente, compreender as
possíveis consequências de uma gestão inadequada dos dados num cenário global marcado
pela interdependência digital e por disputas geopolíticas, considerando o caso de Portugal e
das suas Forças Armadas. Este estudo adota uma abordagem metodológica qualitativa,
baseada na análise documental e em entrevistas semiestruturadas. Para delimitar o estudo,
formulou-se a seguinte pergunta de partida: “Qual o impacto das políticas de gestão de dados
da União Europeia na sua segurança digital?”. Para reduzir a amplitude do tema, derivaram-
se duas perguntas: (1) “Quais os fatores que afetam a segurança digital da União Europeia?”;
e (2) “Estas políticas afetam as Forças Armadas Portuguesas?”. Os resultados indicam que as
políticas de gestão de dados da União Europeia influenciaram diretamente a sua segurança
digital e promoveram uma abordagem ética e inovadora que protege os direitos dos cidadãos
e a democracia. No entanto, para enfrentar as rápidas mudanças tecnológicas e as crescentes
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Política de Gestão de Dados da União Europeia: Ameaças e Desafios à Segurança Digital
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ameaças, é necessário reforçar a colaboração internacional, investir em tecnologias
emergentes e promover a literacia, assegurando um ambiente digital resiliente e inclusivo.
Palavras-chave
Governação de dados, Dados Pessoais, Política de Gestão de Dados, Segurança Digital, União
Europeia.
Abstract
Personal data is a highly valuable asset. The competition for data control has become a global
rivalry in which access to, and dominance over, these resources result in significant economic,
strategic, and geopolitical advantages. The strategic role of data is particularly relevant for
the European Union, which seeks to balance incentives for innovation with the preservation
of its democratic values and digital sovereignty. In this context, it must ensure clear and
robust data management policies that safeguard not only privacy but also provide protection
against thirdparty abuses, thereby guaranteeing the sovereignty and security of its Member
States and citizens. To address the complexity of the digital environment, this study focuses
on the analysis of the European Union legislation on data management between 2016 and
2024. It also seeks to understand the potential consequences of inadequate data management
in an international environment marked by digital interdependence and geopolitical disputes,
using the case of Portugal and its Armed Forces. This study adopts a qualitative
methodological approach, combining documentary analysis and semistructured interviews.
The guiding research question is: What is the impact of European Union data management
policies on its digital security?. To narrow the scope, two subquestions were derived: (1)
“Which factors affect the European Union’s digital security?”; and (2) “Do these policies affect
the Portuguese Armed Forces?”. The results indicate that European Union data management
policies have directly influenced its digital security and have promoted an ethical and
innovationdriven approach that protects citizens rights and democracy. However, to respond
to rapid technological change and growing threats, it is necessary to strengthen international
cooperation, invest in emerging technologies, and promote literacy, ensuring a resilient and
inclusive digital environment.
Keywords
Data governance, Personal data, Data management policy, Digital security, European Union.
Como citar este artigo
Barroso, António Pedro Bogas, Chambel, Élia & Carvalho, Tiago Luís (2026). Política de Gestão de
Dados da União Europeia: Ameaças e Desafios à Segurança Digital. Janus.net, e-journal of
international relations. Thematic Dossier - European Union Security Governance: from Integration
to Strategic Autonomy, VOL. 16, Nº. 2, TD4, Abril 2026, pp. 23-41.
https://doi.org/10.26619/1647-7251.DT03226.2
Artigo submetido a 23 de novembro de 2025 e aceite para publicação a 18 de fevereiro
de 2026.
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POLÍTICA DE GESTÃO DE DADOS DA UNIÃO EUROPEIA: AMEAÇAS
E DESAFIOS À SEGURANÇA DIGITAL
ANTÓNIO PEDRO BOGAS BARROSO
ÉLIA CHAMBEL
TIAGO LUÍS CARVALHO
Introdução
Este estudo insere-se na disciplina das Relações Internacionais e propõe uma análise
aprofundada das dinâmicas contemporâneas relacionadas com a gestão de dados na era
digital. Centra-se na importância crescente atribuída às políticas de gestão e proteção de
dados pela União Europeia e por outros atores globais. Com a expansão da livre
circulação de informação e do surgimento de desafios em torno da segurança digital,
estas políticas tornam-se um elemento crucial para garantir privacidade, defesa e
soberania no cenário internacional (British Academy & Royal Society, 2017).
O estudo oferece uma contextualização que destaca o papel cada vez mais importante
do mundo digital nos conflitos atuais, onde este se caracteriza como um espaço essencial
para a obtenção de vantagens militares, comerciais e estratégicas. O aumento
exponencial das ameaças cibernéticas coloca a proteção de dados no centro das
preocupações estatais, evidenciando a necessidade de estratégias integradas e de
cooperação em cibersegurança para mitigar os riscos associados (Sambaluk & Spafford,
2020).
O domínio digital tem uma utilização crescente e os indivíduos dependem dele para
realizar as tarefas quotidianas expondo os seus dados pessoais. Destaca-se o exemplo
das finanças digitais (Rodima-Taylor, 2024). Os indivíduos devem possuir um
conhecimento mínimo acerca dos seus direitos e deveres de modo a proteger a sua vida
pública e privada, os dados mais frequentemente recolhidos estão diretamente ligados à
segurança e à saúde, o que pode tornar-se uma preocupação não para o indivíduo,
mas também para o Estado (Kazemi et al., 2023).
O aumento de ataques a bases de dados evidencia a sua importância como meio para
conseguir um ambiente estável e resiliente. São exemplos destes ataques, os incidentes
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que afetaram a Biostar 2 e a Air Europa em 2019 e 2023 respetivamente, que tiveram
um grande impacto ao serem alvos de ciberataques, tendo sido roubados diversos dados
pessoais, desde métodos de pagamento até dados biométricos. Uma gestão de dados
eficaz é central para a soberania digital e possui uma influência direta nas relações entre
Estados (Hummel et al., 2021).
A tecnologia tem avançado a um nível sem precedentes nestes últimos anos e devido a
este fator surgiu a necessidade da cibersegurança como meio de salvaguardar não só
dos direitos humanos, mas também do bom funcionamento desta estrutura digital. O
desenvolvimento deste domínio levou à criação de várias entidades, como a Agência da
União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) e o Centro Europeu de Cibercrime (EC3)
da Europol, com o objetivo de proteger os cidadãos contra atos terroristas e garantir que
não ocorram roubos de bases de dados garantindo a privacidade, segurança e o
cumprimento das normas (Kazemi et al., 2023).
Para garantir um desenvolvimento seguro da sociedade, é essencial que as bases de
dados não sejam corrompidas ou manipuladas de forma ilícita, o que implica que se
observem os três pilares da cibersegurança: confidencialidade, integridade e
disponibilidade. O cumprimento destes três pontos é essencial para garantir que não
existem falhas e de forma a criar um ambiente digital resiliente e íntegro (Kumar &
Bhatia, 2020).
Neste quadro, a gestão de dados na União Europeia apresenta-se como uma
problemática multidimensional, cuja análise requer uma articulação rigorosa entre
diferentes níveis de análise. Assim, as secções seguintes explicam as opções
metodológicas adotadas (secção 2) e enquadram, de modo sistemático, a literatura
científica (secção 3), as políticas europeias relevantes (secção 4) e os riscos e ameaças
associados (secção 5), preparando a análise do caso português (secção 6). A sétima
secção expõe as conclusões, as recomendações e as limitações desta investigação.
Metodologia
Este estudo tem como objeto as políticas de gestão de dados da União Europeia. Procede-
se também à identificação das ameaças neste campo, incluindo o impacto da má gestão
de dados, de modo a compreender as políticas e reforçar a resiliência digital da União
Europeia. Como limite temporal, definiu-se o período entre 2016 e 2024, que
correspondem, respetivamente, às datas de aprovação do Regulamento Geral sobre a
Proteção de Dados (RGPD) e do European Union Cyber Solidarity Act duas legislações
estruturantes no que respeita, respetivamente, à governação de dados e à segurança
digital.
De modo a delinear o estudo foi formulada a seguinte pergunta de partida:
- PP- Qual o impacto das políticas de gestão de dados da União Europeia na sua segurança
digital?
- Podemos derivar duas perguntas que ajudam não só a responder à mesma, mas
também a diminuir a amplitude do tema, nomeadamente:
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- PD1- Quais os fatores que afetam a segurança digital da União Europeia?
- PD2- Estas políticas afetam as Forças Armadas Portuguesas?
Privilegiando fontes primárias, este estudo procurou construir uma base sólida, que
sustenta uma análise crítica e reflexiva para compreender as implicações, desafios e
dinâmicas da gestão de dados (Booth et al., 2003). Adotou-se uma abordagem
metodológica qualitativa, baseada na análise documental e em entrevistas
semiestruturadas, para investigar a gestão de dados no contexto das Relações
Internacionais e da era digital. A metodologia utilizada promove uma análise
multidimensional, integrando diferentes perspetivas e experiências proporcionadas pelas
entrevistas realizadas, o que enriquece a compreensão do tema e favorece o debate
académico (Bryman, 2012).
O estudo incluiu entrevistas semiestruturadas a três profissionais de diferentes áreas: o
Capitão Carlos Bernardino, que abordou o desenvolvimento tecnológico e a modernização
da Força Aérea; Marco António Ribeiro dos Santos Costa, que explorou os desafios
legislativos relacionados com a gestão de dados; e Luís Manuel da Silva Fernandes
Santos, que destacou os impactos das políticas de segurança e proteção de dados nas
práticas empresariais. Estas entrevistas complementaram a análise documental,
proporcionando uma visão mais ampla acerca do tema.
Revisão de literatura
O ciberespaço surgiu como um domínio estratégico essencial para os Estados, exercendo
uma grande influência na cibersegurança, ciberdefesa e na governação global. No livro
Cyberpolitics in International Relations (Choucri, 2012), o ciberespaço é analisado a
partir de diversas perspetivas teóricas das Relações Internacionais. Sob a perspetiva do
realismo, é destacado como um campo de conflito interestatal, onde Estados competem
com ciberataques, espionagem e desenvolvimento tecnológico, elevando a defesa digital
ao nível da defesa militar tradicional. O liberalismo foca-se na cooperação internacional
e na criação de normas globais para mitigar ameaças, enquanto o construtivismo analisa
o ciberespaço como uma construção social, moldada por narrativas, ideologias e práticas,
onde atores não estatais desempenham um papel crucial neste ambiente, influenciando
significativamente a sua governação.
Em International Relations in the Cyber Age (Choucri & Clark, 2018), os autores
expandem esta análise, destacando desafios ao realismo diante da multiplicidade de
atores não estatais. Sob a perspetiva liberal, reforçam a importância da governação
partilhada, embora reconheçam a complexidade de regular um domínio sem fronteiras
físicas claras. O construtivismo, por sua vez, destaca as narrativas sociais e a
interdependência crescente entre sistemas digitais e sociais, apontando para a
necessidade de estruturas de governação em constante evolução.
Shen (2022) destaca uma fragmentação na governação de dados, onde três principais
atores China, Estados Unidos e União Europeia competem por influência. A União
Europeia procura um equilíbrio entre privacidade e comércio digital, enquanto os Estados
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Unidos priorizam o fluxo livre de dados para promover comércio e investigação. A China,
por outro lado, regula rigorosamente os dados sob uma ótica de segurança nacional. Essa
disputa geopolítica pelo controlo e pela regulamentação do ciberespaço reflete a
crescente relevância dos dados como ferramenta estratégica no cenário internacional.
Aguerre et al. (2024) argumentam que a digitalização é um fenómeno transformativo
global com impactos significativos que excedem o domínio digital, incrementando a
urgência da cooperação e governação internacional. Por conseguinte, assinalam o
crescimento no interesse e produção académicos sobre a governação digital. No entanto,
destacam que se tratam de investigações essencialmente monodisciplinares com
enquadramentos nacionais ou locais, existindo grandes lacunas na investigação
supranacional, mais precisamente no plano regional e global. Este contexto reforça a
necessidade de investigar as políticas de gestão de dados ao vel regional, através do
caso da União Europeia. A incorporação complementar do caso de Portugal permite
articular os dois níveis de análise, além de ser um caso pouco explorado pela literatura,
em especial, considerando a dimensão das Forças Armadas.
Política de Gestão de Dados da União Europeia
A política de gestão de dados da União Europeia possui um impacto internacional, na
medida em que influencia todos os membros do Espaço Europeu e estabelece
regulamentos que afetam transações realizadas na região (Comissão Europeia, 2024a).
Propostas pela Comissão Europeia com aconselhamento do Comité Europeu para a
Proteção de Dados, podem ser alteradas conforme necessário, nomeadamente quando
se encontra uma incompatibilidade, prevendo também o reconhecimento de países
terceiros que cumprem as suas normas (Comissão Europeia, 2024a).
A Autoridade Europeia para a Proteção de Dados e o Comité Europeu para a Proteção de
Dados, criados em 2004 e 2018 respetivamente, asseguram a função de proteção de
dados pessoais e atualizam as legislações existentes de acordo com os avanços políticos
e tecnológicos. A Agência Europeia para a Segurança das Redes e da Informação (ENISA,
2023) reforça este esforço e oferece apoio técnico, monitorizando ameaças, promovendo
a cooperação internacional com entidades como a Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) e agências dos Estados Unidos da América, além de coordenar estratégias
para fortalecer infraestruturas digitais (ENISA, 2023). Iniciativas como o European Union
Chips Act e o Digital Europe Programme destacam o compromisso da União Europeia em
reduzir vulnerabilidades tecnológicas e estimular a inovação (Comissão Europeia, 2024c).
O aumento do fluxo de dados entre empresas públicas e privadas exige uma regulação
eficiente, pois a troca de informações tornou-se essencial numa era de evolução
tecnológica e globalização (Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia, 2016).
Regulamentos como o RGPD reforçam os direitos individuais, e estruturam o mercado
interno da União Europeia, para além de implicarem um investimento em ciberdefesa,
promovendo um tempo de reação a ciberataques mais ágil (Comissão Europeia, 2018).
O European Union Cyber Solidarity Act procura mitigar ameaças digitais com sistemas de
alerta baseados em Inteligência Artificial (IA) para identificar e prevenir ataques
cibernéticos, promovendo respostas coordenadas entre Estados-Membros (Comissão
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Europeia, 2024b). Este sistema integra tecnologias avançadas e incentiva a colaboração
entre setores público, privado e entre Estados de forma a fortalecer a resiliência coletiva.
Políticas europeias
O Data Governance Act da União Europeia estabelece um enquadramento estratégico
para fortalecer a partilha segura e ética de dados e promove benefícios económicos e
competitivos para as empresas e os cidadãos europeus (Parlamento Europeu & Conselho
da União Europeia, 2022). Este regulamento é um pilar central da Estratégia Europeia
para os Dados e tem como objetivo aumentar a confiança e a segurança nas transações,
essenciais para setores como a saúde, a energia, o ambiente e a indústria (Parlamento
Europeu & Conselho da União Europeia, 2022).
O regulamento garante que os dados sejam geridos de forma responsável, com
transparência e proteção, sem prejuízo das leis nacionais. Facilita a reutilização de dados,
protegendo dados sensíveis através de anonimização para além de assegurar a
conformidade com as normas da União Europeia. Além disso, regula a atuação de
intermediários, exigindo que estes garantam a privacidade, a integridade e a segurança
das operações, e prevê mecanismos sancionatórios para práticas fraudulentas
(Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia, 2022).
Quanto à transferência internacional de dados, o regulamento impõe condições rigorosas
para dados sensíveis, restringindo a partilha com países que não cumprem os requisitos
da União Europeia. Estas regras visam assegurar transferências éticas e seguras,
protegendo os interesses públicos (Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia,
2022). Os Estados-Membros devem criar órgãos para apoiar a aplicação do regulamento,
e promover a partilha responsável, respeitando a privacidade dos dados (Parlamento
Europeu & Conselho da União Europeia, 2022).
A regulamentação proíbe acordos de exclusividade no armazenamento e análise de
dados, exceto em casos de interesse geral devidamente justificados e limitados a 12
meses. Adicionalmente, estabelece sanções proporcionais à gravidade das violações, o
que permite que cada Estado-Membro adapte as penalidades às suas realidades políticas
e culturais (Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia, 2022).
O regulamento prevê a criação do Comité Europeu da Inovação de Dados, que promove
a partilha de conhecimento científico e tecnológico, facilitando colaborações internas e
com países terceiros.
Esta revisão está prevista até 24 de setembro de 2025 para avaliar a sua eficácia e
impacto na realidade europeia (Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia,
2022).
Em Portugal, segundo Costa (2024), a implementação do conceito de data governance
ainda está em fase inicial e requer maior investimento em literacia digital e em mudanças
de atitude. Bernardino (2024) reforça a necessidade de informar os cidadãos sobre seus
direitos no âmbito da proteção de dados, o que promove a convergência e o alinhamento
com os regulamentos da União Europeia.
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O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), adotado em 27 de abril de 2016 e
em vigor desde 25 de maio de 2018, visa proteger os dados pessoais dos cidadãos da
União Europeia, estabelece uma base comum para as legislações dos Estados-Membros
e garante a liberdade, justiça e segurança na circulação de dados pessoais (Parlamento
Europeu & Conselho da União Europeia, 2016). O regulamento aplica-se a todas as
entidades que processam dados pessoais na União Europeia, mas exclui atividades
relacionadas com a segurança e a política externa da União Europeia.
O RGPD define o tratamento de dados como um direito fundamental e regula a
transparência e segurança na sua utilização. Dados sensíveis, como informações de
saúde, origem racial, opiniões políticas e crenças religiosas, necessitam de proteção
adicional e podem ser processados com o consentimento explícito do titular ou em
situações de interesse blico (Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia,
2016).
Os titulares de dados têm direitos garantidos, como acesso, retificação, apagamento,
portabilidade e oposição ao tratamento dos seus dados. Empresas e entidades públicas
devem assegurar que o tratamento de dados seja seguro, transparente e limitado ao
necessário. Violações de segurança devem ser notificadas imediatamente às autoridades
e aos titulares, com medidas de mitigação recomendadas (Parlamento Europeu &
Conselho da União Europeia, 2016).
O regulamento também aborda a transferência internacional de dados, permitindo-a
apenas sob condições específicas, como a existência de tratados ou consentimento do
titular. Adicionalmente, incentiva os Estados-Membros a criar autoridades independentes
para supervisionar o cumprimento do regulamento, com recursos adequados e proteção
contra influências externas (Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia, 2016).
O RGPD promove a liberdade de expressão, permitindo exceções para fins jornalísticos,
literários e académicos, desde que conciliadas com a proteção de dados. Apesar de ser
um marco na proteção de dados, conforme apontado por Costa (2024), ainda enfrenta
desafios na sua implementação devido à falta de informação e de consciencialização por
parte dos cidadãos, reforçando a necessidade de maior literacia sobre os direitos e
deveres em relação aos dados pessoais.
Política de Gestão de Dados em Portugal
Em 2019, Portugal atualizou as suas políticas de gestão de dados com a Lei n.º 58/2019,
alinhando-se ao RGPD de forma a proteger os dados pessoais dos cidadãos e garantir a
circulação segura de informações, abrangendo tanto empresas públicas quanto privadas,
dentro ou fora do território nacional (Lei n.º 58/2019, 2019). A Comissão Nacional de
Proteção de Dados é a autoridade responsável por fiscalizar o cumprimento da lei, avaliar
impactos e colaborar internacionalmente para um sistema de proteção atualizado e
seguro. A NATO Communications Academy, inaugurada em 2019 em Oeiras, reforça a
formação em cibersegurança e ciberdefesa, enquanto o Comando de Operações de
Ciberdefesa reúne militares dos três ramos das Forças Armadas com o intuito de
monitorizar o espaço digital e articular a segurança cibernética com órgãos como o NATO
Cyber Security Centre (República Portuguesa, s.d.).
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Segundo Costa (2024), embora Portugal siga as orientações da União Europeia, ainda
apresenta deficiências, como falta de investimento na formação dos cidadãos e no
aumento da literacia digital, o que cria vulnerabilidades. Projetos como o Gaia-X e
iniciativas de digitalização previstas até 2030 visam melhorar a cibersegurança e
promover a confiança entre empresas e clientes (Gaia-X, 2023; República Portuguesa,
2023). A Comissão Nacional de Proteção de Dados definiu uma série de medidas
estratégicas para aprimorar a proteção de dados no país, incluindo o desenvolvimento de
um Plano Nacional de Formação para promover a literacia digital, a criação de campanhas
de boas práticas e de um canal prioritário online em parceria com Espanha de modo a
facilitar a interação com os cidadãos (Comissão Nacional de Proteção de Dados, 2024).
Além disso, procura fortalecer a cooperação nacional e internacional, estabelecendo
protocolos robustos entre entidades públicas e privadas e incentivar a confiança mútua
entre cidadãos e instituições.
A modernização e reorganização interna da Comissão Nacional de Proteção de Dados
também são prioritárias, com melhorias na gestão de recursos humanos, aumento das
sanções para violações de dados e aprimoramento da eficiência nas operações. Estas
medidas visam consolidar a proteção de dados, fortalecer a cibersegurança e assegurar
uma abordagem resiliente e integrada frente aos desafios digitais emergentes.
Ameaças e desafios à segurança digital da União Europeia
A ENISA e outras autoridades nacionais reportam um aumento nas tentativas de furto e
violação de dados, destacando a atuação de agentes não estatais, como hackers
organizados e ativistas cibernéticos, que representam um grande desafio à
cibersegurança devido à sua natureza descentralizada, dificultando a sua identificação e
o rastreamento (ENISA, 2023). Estes agentes ameaçam sistemas críticos e processos
democráticos, como demonstra o ataque do grupo "Fancy Bear" em 2021 contra
instituições governamentais europeias (Starks, 2021). A interferência em sistemas
eleitorais é especialmente preocupante, pois compromete a confiança blica e a
integridade das democracias, tornando essencial o fortalecimento de protocolos de
segurança (ENISA, 2023).
Para enfrentar estes desafios, a União Europeia tem adotado medidas para aumentar a
sua resiliência e autossuficiência, como o European Union Chips Act, que tem como
objetivo atrair empresas tecnológicas para o território europeu, reduzindo dependências
externas (Comissão Europeia, 2024c). A Autoridade Europeia para a Proteção de Dados
e o Comité Europeu para a Proteção de Dados desempenham um papel crucial na
promoção de boas práticas, literacia digital e uma cultura de responsabilidade na
proteção de dados (Comissão Europeia, 2024d). A União Europeia também colabora
internacionalmente e investe no desenvolvimento de tecnologias de cibersegurança para
limitar a influência de agentes não estatais e proteger infraestruturas e processos
democráticos.
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Potencial de dados furtados
O aumento exponencial de cibercrimes, impulsionado por novas tecnologias, tem
colocado em risco dados sensíveis de indivíduos e organizações. Pequenas e médias
empresas são frequentemente alvos devido à sua menor capacidade de investir em
cibersegurança. Técnicas como ransomware e phishing destacam-se pela eficácia em
explorar vulnerabilidades para extorsão financeira e roubo de dados. Esses ataques
comprometem informações pessoais, financeiras e corporativas, que consequentemente
causam danos à reputação, perdas financeiras e desconfiança pública, tornando a
recuperação um processo longo (Europol, 2024; Macnish et al., 2019).
Os dados biométricos, cada vez mais usados como substitutos de palavras-passe
tradicionais, também enfrentam desafios significativos. Por serem únicos e imutáveis, o
seu comprometimento pode gerar riscos permanentes para os indivíduos, além de
levantar preocupações sobre privacidade, consentimento e uso indevido por empresas
em países sem um enquadramento regulatório claro (Natgunanathan et al., 2016).
Outro risco crescente é a desinformação, utilizada para manipular a opinião pública e
apoiar interesses políticos ou geopolíticos, como no conflito entre Rússia e Ucrânia. A
disseminação deliberada de informações falsas afeta setores críticos, como saúde e
democracia, o que exige ações coordenadas para mitigar os seus efeitos (ENISA, 2023).
Casos como o ataque à plataforma Biostar 2, que teve como consequência o furto de
dados biométricos de mais de um milhão de utilizadores, evidenciam a fragilidade das
infraestruturas digitais. Apesar de cumprir formalmente o RGPD, a resposta da empresa
responsável levantou críticas sobre a eficácia das práticas de conformidade e destacou a
necessidade de medidas mais rigorosas, como criptografia e arquiteturas
descentralizadas, além de uma supervisão regulatória mais robusta (Trend Micro, 2019;
Suprema, 2022). Esses incidentes realçam a urgência de fortalecer práticas de segurança
cibernética e proteção de dados frente aos desafios da era digital.
A guerra Rússia-Ucrânia intensificou a preocupação com a segurança e a defesa na
Europa, promovendo um aumento significativo nos investimentos nestes setores
(Euronews, 2023). Desde o início do conflito, a União Europeia tem sido alvo de
ciberataques com o intuito de aceder a bases de dados estratégicas, obter informações
militares e lançar campanhas de desinformação que comprometem a coesão social e
política (Duguin & Pavlova, 2023). Estes ataques demonstram o uso dos dados como
armas estratégicas num conflito que transcende fronteiras físicas, evidenciando a
interconexão das infraestruturas cibernéticas globais e os impactos transnacionais destas
operações.
Em resposta, a União Europeia tem adotado medidas para proteger suas infraestruturas
digitais, incluindo o European Union Cyber Solidarity Act, que reforça a prontidão e a
capacidade de resposta contra ameaças cibernéticas, visando assegurar a integridade de
os seus sistemas e mitigar os riscos globais decorrentes do conflito (Comissão Europeia,
2024b).
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Impacto na Confiança e Reputação
A gestão de dados é crucial nas relações internacionais, garantindo direitos fundamentais
como acesso, retificação e eliminação de dados, assegurados pelo RGPD, para que os
cidadãos tenham controlo sobre as suas informações pessoais. No entanto, a confiança
pública nos governos pode ser comprometida por fatores como burocracia excessiva e
experiências negativas com serviços públicos. Reduzir barreiras e simplificar processos é
essencial para melhorar a perceção dos cidadãos e promover confiança nas instituições
(Hitlin & Shutava, 2022).
A transição para o e-government traz benefícios como redução de custos e maior
eficiência dos serviços públicos, mas também enfrenta desafios relacionados com
cibersegurança e à confiança nas novas tecnologias. A falta de atualização e segurança
pode gerar desconfiança dos cidadãos em partilhar dados pessoais e realizar transações
digitais, atrasando o avanço dessas soluções. Para garantir o sucesso do e-government,
é necessário investimento contínuo em segurança, transparência e campanhas de
educação para que os cidadãos compreendam e confiem nos serviços digitais (Horsburgh
et al., 2011).
Durante a pandemia de COVID-19, o e-government demonstrou sua importância ao
permitir acesso seguro e remoto a serviços públicos, reduzindo a necessidade de
deslocamentos e interação física. Este contexto evidenciou como a confiança entre
cidadãos e governos é vital para a aceitação de soluções digitais e destacou a necessidade
de campanhas educativas e transparência para fomentar essa confiança (Martinus &
Seth, 2023). A liderança responsável e transparente é essencial para reconquistar e
manter a confiança pública, promovendo o uso eficiente de recursos e alinhando as
soluções digitais aos interesses da sociedade (P. Hiltin et N. Shutava, 2022).
Atores não estatais
A segurança contemporânea enfrenta riscos crescentes de atores não estatais e
movimentos internos, que emergem de forma descentralizada e espontânea, facilitados
pela rápida partilha de informações no meio digital. Estes atores incluem terroristas
recrutados através das redes sociais, hackers organizados e ativistas cibernéticos, que
visam desestabilizar sistemas críticos, interferir em processos eleitorais e procuram obter
acesso a dados sensíveis. Exemplos como o ataque do grupo "Fancy Bear" em 2021
evidenciam a complexidade de rastrear e mitigar essas ameaças, que comprometem a
confiança pública e a integridade das instituições democráticas (Starks, 2021).
A espionagem digital também é um grande risco, intensificado pelo conflito Rússia-
Ucrânia. A Letónia reportou várias atividades de espionagem relacionadas com serviços
russos e chineses, com ataques visando identificar vulnerabilidades e sabotar bases de
dados europeias. Além disso, campanhas de desinformação, especialmente em
plataformas como Telegram, têm sido usadas para manipular perceções públicas e
influenciar decisões políticas, tornando-se um elemento central da guerra híbrida (Latvian
State Security Service, 2024).
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Política de Gestão de Dados da União Europeia: Ameaças e Desafios à Segurança Digital
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A União Europeia reconhece estes desafios, tem investido em novas tecnologias de
cibersegurança e tem estabelecido parcerias internacionais para proteger infraestruturas
críticas e processos democráticos, reforçando a sua capacidade de resposta a ameaças
cibernéticas e híbridas (ENISA, 2023).
Gestão de dados relacionada com os conflitos internacionais
A gestão de dados desempenha um papel central nas relações internacionais,
especialmente no campo das cyberpolitics, que emergiram como uma resposta ao acesso
generalizado à internet. Este ramo aborda questões cruciais como propriedade de bases
de dados, regulação de crimes no espaço digital e implementação de políticas de
segurança. Ao contrário das limitações físicas que tradicionalmente definem políticas
territoriais, os recursos digitais possuem uma natureza intangível, o que faz com que a
informação possa permanecer indefinidamente na rede ou desaparecer com um único
ataque (Krieger, 2014). A União Europeia, por meio de suas diretrizes e regulações,
procura moldar o futuro digital e estabelecer-se como líder no espaço cibernético,
influenciando diretamente a soberania e as relações internacionais dos Estados-Membros
(Salbu, 2001).
Os dados, o reconhecidos como um recurso valioso, pois são ferramentas poderosas
que podem moldar perceções e comportamentos. Através de práticas de segmentação e
personalização de conteúdo digital, é possível manipular ideologias e influenciar decisões.
Este poder, frequentemente concentrado em grandes empresas tecnológicas, representa
um desafio tanto para a segurança dos indivíduos quanto para a integridade das
democracias (Zwitter, 2015). Ao mesmo tempo, a governação de dados tornou-se uma
prioridade estratégica para governos e organizações internacionais, como a União
Europeia, que busca regular o espaço digital para proteger os seus cidadãos, enquanto
enfrenta uma rápida evolução tecnológica e conflitos geopolíticos que afetam diretamente
sua capacidade de resposta (Zwitter, 2015).
A ascensão da China como líder em tecnologia e vigilância global representa um desafio
significativo para a União Europeia. Empresas chinesas, como Huawei e Tencent, têm
sido acusadas de facilitar a recolha de dados pessoais para o governo chinês, o que
levanta preocupações sobre privacidade e manipulação de informações (Zhao, 2022).
Além disso, o uso de tecnologias como a inteligência artificial, muitas vezes alimentadas
por grandes volumes de dados recolhidos de forma pouco transparente, incrementa a
desconfiança. A falta de regulamentos rigorosos na China permitiu ao país acumular
vastas bases de dados que alimentam tanto seu desenvolvimento tecnológico quanto sua
capacidade de influência global, colocando-o em competição direta com os Estados
Unidos e a União Europeia, especialmente em setores como defesa e indústria (Zhao,
2022).
Estas ameaças não são limitadas a estados-nação. Grupos não estatais, como hackers
organizados e ativistas cibernéticos, também representam um risco crescente, operando
de forma descentralizada e com alcance global. O ataque do grupo Killnetà Lituânia
em 2022 e o aumento dos ciberataques a países da OTAN desde o início do conflito
Rússia-Ucrânia ilustram a crescente sofisticação dessas ameaças (Al Jazeera, 2022). A
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espionagem digital também se intensificou, com ações atribuídas a agentes chineses e
russos, que exploram vulnerabilidades em infraestruturas críticas e promovem
campanhas de desinformação para moldar perceções públicas e influenciar decisões
políticas (Latvian State Security Service, 2024).
Nesse contexto, a União Europeia tem investido em medidas como o European Union
Cyber Solidarity Act e em parcerias estratégicas para enfrentar esses desafios. As
Parcerias Público-Privadas são um componente fundamental dessa estratégia, permitindo
a colaboração entre os setores público e privado para melhorar a resiliência digital,
promover inovação e garantir a segurança dos dados. Essas parcerias dependem por
vezes de outsourcing, o que oferece flexibilidade para adaptar abordagens às
necessidades específicas de cada contexto, combinando a experiência técnica do setor
privado com a capacidade de regulamentação do setor público (ENISA, 2017).
A colaboração internacional também desempenha um papel crucial na resposta a
ciberameaças globais. A União Europeia trabalha em estreita cooperação com órgãos
como a OTAN e a Agência de Cibersegurança dos Estados Unidos para fortalecer as suas
capacidades de deteção, resposta e mitigação de incidentes cibernéticos. Essa
cooperação promove a troca de melhores práticas, harmonização de normas e
desenvolvimento de ferramentas conjuntas que aumentam a interoperabilidade e eficácia
das soluções implementadas (European Cybersecurity Competence Centre, s. d.). Josep
Borrell, nnum discurso, destacou que "as ciberameaças não têm fronteiras", enfatizando
a necessidade de uma abordagem coordenada e integrada para garantir a segurança no
ambiente digital.
O rápido crescimento das ciberameaças, combinado com a crescente dependência de
infraestruturas digitais, sublinha a importância de políticas robustas de gestão de dados
e da cibersegurança. A União Europeia continua a enfrentar desafios complexos no
cenário geopolítico e digital, mas suas iniciativas, como a regulação do espaço digital e
o fortalecimento de parcerias estratégicas, demonstram um compromisso em proteger
seus cidadãos e promover um futuro digital seguro e confiável.
Política de gestão de dados em Portugal e nas Forças Armadas
Este capítulo analisa as implicações da implementação de regulamentos de
cibersegurança em Portugal, com foco nas Forças Armadas e nos setores público e
privado. Apesar de um aumento previsto de 15% no investimento em cibersegurança em
2024, visando atualizar infraestruturas, implementar novas tecnologias e fortalecer a
resiliência contra ameaças emergentes, persistem desafios significativos, como a falta de
recursos humanos qualificados e de uma cultura de cibersegurança (Security Magazine,
2024).
Segundo Costa (2024), Portugal adota os regulamentos da União Europeia de forma
reativa e limitada, sem um desenvolvimento local ou iniciativas próprias, o que prejudica
a construção de uma infraestrutura robusta de segurança. A falta de profissionais
especializados agrava a dificuldade de monitorizar e responder a incidentes, enquanto a
ausência de campanhas educativas e de sensibilização deixa os cidadãos vulneráveis a
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riscos digitais, como mencionado por Santos (2024). A falta de consciencialização pública
contribui para práticas inseguras, aumentando a exposição a ameaças.
O Centro Nacional de Cibersegurança (2022) aponta que pequenas e médias empresas
enfrentam desafios ainda maiores devido a restrições financeiras e falta de conhecimento
especializado. Apenas uma fração dessas empresas dispõe de certificações de segurança,
e os orçamentos destinados à cibersegurança são frequentemente insuficientes,
tornando-as alvos fáceis para ciberataques. Assim, a ausência de alinhamento com as
melhores práticas internacionais aumenta a vulnerabilidade dessas organizações,
destacando a necessidade de estratégias nacionais mais proativas e integradas.
A gestão de dados nas Forças Armadas Portuguesas é estratégica frente à rápida
evolução tecnológica e às crescentes ameaças no ciberespaço. Com a transformação
digital, o governo português tem investido em infraestruturas tecnológicas e em políticas
de cibersegurança para cumprir compromissos com a União Europeia e a OTAN.
Iniciativas como a criação da NATO Communications and Information Academy em Oeiras
reforçam a capacitação em cibersegurança e a colaboração internacional (Nunes, 2020).
Apesar dos avanços, desafios persistem. A escassez de recursos humanos especializados
compromete a capacidade de resposta a ciberameaças, exigindo medidas como a criação
de um quadro especial para profissionais de ciberdefesa e incentivos para a retenção de
talentos. Propõe-se também o estabelecimento de uma reserva nacional de especialistas
para garantir respostas rápidas em situações críticas (Nunes, 2020).
A segurança dos sistemas de informação militares é prioritária, mas a dependência de
tecnologias desatualizadas e a utilização de dispositivos não seguros representam
vulnerabilidades. Segundo Bernardino (2024), é crucial atualizar equipamentos e garantir
que sistemas internos sejam protegidos para evitar compromissos de rede. Além disso,
a Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço destaca a necessidade de alinhar
iniciativas nacionais e internacionais para garantir uma abordagem coesa e integrada
(ENISA, 2023).
A formação também tem sido foco, com disciplinas de ciberdefesa introduzidas em cursos
militares, que proporcionam conhecimentos essenciais sobre segurança da informação.
Contudo, o país ainda está no início desse processo, e esforços contínuos são necessários
para construir uma ciberdefesa nacional resiliente, que garanta a soberania digital e o
cumprimento de compromissos internacionais (Nunes, 2020).
Conclusões
O espaço digital tornou-se um domínio essencial, influenciando profundamente as
relações sociais, económicas e políticas. Tal influência gera avanços significativos e
também apresenta desafios complexos, como a privacidade e a proteção de dados. A
União Europeia tem liderado esforços regulatórios, implementando políticas como o RGPD
e o Data Governance Act, que promovem segurança, transparência e proteção de direitos
fundamentais. No entanto, dificuldades de harmonização entre Estados-Membros, a
influência de grandes corporações tecnológicas e a atuação de agentes não estatais,
representam barreiras significativas a uma integração positiva de novas tecnologias.
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Empresas privadas como Google e TikTok acumulam grandes volumes de dados pessoais
e desafiam a soberania regulatória europeia, enquanto campanhas de desinformação e
ciberataques ameaçam as democracias e a estabilidade digital. A União Europeia procura
mitigar esses riscos ao estabelecer regulamentos robustos e mecanismos de supervisão
eficazes, reforçando tanto a privacidade como a resiliência das infraestruturas digitais.
Em Portugal, as Forças Armadas têm avançado na cibersegurança, alinhando-se com as
políticas europeias e da OTAN. A criação do Centro de Comando de Operações de
Ciberdefesa e da NATO Communications and Information Academy em Oeiras reflete o
compromisso nacional em fortalecer a defesa cibernética. Contudo, desafios como a
escassez de recursos humanos especializados, a falta de atualização tecnológica e a
necessidade de formação contínua limitam a eficácia dessas iniciativas. Propostas como
a criação de uma reserva nacional de especialistas e parcerias público-privadas o
essenciais para superar essas dificuldades.
Respondendo às questões formuladas no início do artigo, conclui-se que as políticas de
gestão de dados da União Europeia influenciam diretamente a segurança digital,
promovem uma abordagem ética e inovadora que protege os direitos dos cidadãos e
sustenta a democracia. No entanto, para enfrentar as rápidas mudanças tecnológicas e
as crescentes ameaças, é necessário reforçar a colaboração internacional, investir em
tecnologias emergentes e promover a literacia digital, assegurando um ambiente digital
seguro, resiliente e inclusivo.
Conclui-se igualmente que é imperativo que as Forças Armadas se desenvolvam de modo
a abranger este mundo digital em transformação, observando-se esse processo nas
Forças Armadas Portuguesas. Futuras investigações centradas nas Forças Armadas,
numa perspetiva comparativa entre Estados-Membros da União Europeia, permitiriam
uma reflexão fundamentada sobre a cadência de adaptação a este novo campo para
assegurar uma defesa e modernização proativas.
Este estudo apresenta limitações decorrentes da bibliografia disponível sobre o tema e
da sua natureza volátil, uma vez que se trata de uma área de rápida evolução, na qual
os fatores determinantes evoluem continuamente. Apesar destas limitações, é possível
reconhecer a crescente importância desta temática a nível global, cuja influência se
estende do indivíduo aos próprios Estados, criando desafios e oportunidades em todas
as esferas da sociedade.
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